Quando o plano A não dá certo.

Em uma narrativa televisiva existem inúmeras maneiras de se caracterizar um vilão. Inúmeros estereótipos e constituições que fazem o espectador ter certeza de que tal personagem tem o dever de ser o lado mal. Banshee até utiliza esse artifício, mas com muita inteligência, procurava suavizar essa identidade do vilão em Proctor, pelo menos até o episódio anterior e esse, onde mostrou mais de sua verdadeira face. Mesmo assim, ainda procura não dizer exatamente as intenções do personagem, ou expor seu psicológico a quem quiser ver. Deve-se prestar muita atenção em Kai, pois ele é multidimensional, apesar de, de vez em quando, ter atitudes quase capazes de descontruir o grande vilão que é (como o espancamento público de um subordinado que errou em algo, clichê de tantos filmes e séries). Proctor é muito maior que Mr. Rabbit, por exemplo, e observar o antagonismo entre o bem (representado por Hood) e o mal (representado por Proctor) é excitante, justamente porque a série sabe como fazer isso de maneira diferente.

A cidade de Banshee é tão “torta”, que até o suposto “lado do bem” resolve tomar caminhos tortos para fazer justiça, e por mais que moralmente errado, é extremamente eficiente. Tão eficiente quanto a maneira de sumir com Jason e as evidências de um assassinato injustificável, na cabeça de Hood, mas extremamente coerente aos olhos de Proctor. A grande questão é que no meio dessa guerra se encontra Rebecca. É possível perceber que até o momento a personagem parecia em estado de torpor, e depois de um trauma dessa magnitude, parece ter acordado e começado a perceber onde se meteu: Abandonou a família em busca de liberdade, e na verdade, acabou mais presa ainda, nas mãos de um homem possessivo e capaz de tudo. É importante para a série que Rebecca seja uma rebelde, mas até que ponto sua rebeldia não vai influenciar em sua segurança? Se antes Banshee tratava suas mulheres como objetos sexuais, agora mostra a realidade dura, tanto para a própria Rebecca, quanto para Carrie e Siobhan.

Ao olhar para Hood em Ways to Bury a Man, vê-se um homem em conflito com seus sentimentos. Por que esse impulso por justiça, por causa de um homem que mal conhecia e que talvez fosse lhe prejudicar? Isso só prova o que a série vem dizendo aos poucos, por muito tempo: Hood é um homem bom. Seu senso de justiça e sua dinâmica meio Robin Wood talvez supere as coisas ruins que fez durante a vida. A ideia era ficar na cidade apenas para reconquistar Carrie, mas será que agora já não se vê parte dela? Numa tentativa de se redimir por tudo que já fez? Pode ser cedo para responder essa pergunta, mas é possível ver o personagem dando alguns passos por esse caminho. Ainda se tratando dos sentimentos de Hood, existem dois outros personagens responsáveis por “regular” a maneira como suas ações se desenrolam: Sugar e Siobhan, os dois agem como anjinhos nos ombros do protagonista, Sugar através da sabedoria e da experiência, enquanto Siobhan se torna alguém com quem Hood pode conversar (apesar de quase não o fazer) e confiar, coisa que Hood pode considerar difícil, visto todas as traições e reviravoltas que fazem parte de sua vida. Siobhan ainda serve como um controlador do comportamento irracional e raivoso do protagonista, ainda mais que os dois geralmente estão juntos nos momentos de maior tensão.

Com apenas três episódios restantes na segunda temporada, a intensidade do que está por vir deve ser absurda, acompanhada de muitos twists (e, como sempre muito sexo e tiroteio). Deve-se observar quais personagens sairão ilesos desse maremoto de emoções. Hood já parece emocionalmente abalado há um bom tempo. Carrie está totalmente quebrada, mas procura se reestabelecer através da família. A ascenção de Alex Longshadow agora bate na porta (com uma mãozinha de Proctor). O incêndio na fábrica deverá dar início a uma série de eventos de grande porte, haja coração, meus amigos.

Outras Observações:

Grandes cenas acontecem quando o departamento de polícia invade lugares repletos de criminosos. Tensão e ação tonam conta.

Carrie está voltando para seu círculo familiar. Isso é ótimo para a personagem, mas horrível para o espectador, que será obrigado a ver mais desse arco.

A dinâmica entre Sugar e Job é incrível. Engraçada e repleta de parceria e cumplicidade. Cinemax, dá um spin-off para esses dois.

Cena pós-créditos: Não tinha nada melhor pra colocar ali, não?

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