Arrow traz um episódio tardio, recheado de clichês e que pouco empolga.
John Diggle é um personagem que raramente recebe uma atenção mais aprofundada por parte dos roteiristas da série. Ele está sempre lá, como suporte, como soldado, como o amigo que fala o que os outros precisam ouvir, mas dificilmente ganha os holofotes para si. Tivemos, claro, durante todo esse tempo, alguns bons arcos o envolvendo como a lesão da sexta temporada e seu envolvimento com a ARGUS (outras coisas, como seu período como Arqueiro, eu prefiro esquecer), porém, uma narrativa mais profunda e sentimental acho que não vimos desde o quarto ano, com a história de Andrew. Foi tentando remediar um pouco esta falta de atenção que Arrow nos entregou Spartan, que, infelizmente, não convenceu.
A série conseguiu passar por sete longas temporadas sem se preocupar em descortinar o passado de Diggle, afinal, tudo o que sabemos era que serviu no exército, tinha um irmão problemático, se envolveu com a esposa deste e se casou e divorciou de Lyla antes de reencontrá-la. As páginas de sua infância e adolescência, no entanto, estavam em branco, eu pelo menos não me recordo que alguma vez foi citado uma mãe ou um pai, o que dirá um padrasto. Nós vimos o passado de muitos personagens menos importantes ser contado durante todo esse tempo, e até mesmo nomes mais centrais como Felicity tiveram essa atenção bem anteriormente, por que Diggle teve que esperar até aqui para nos revelar essa história?
A sensação que Spartan deixou é que todo o background foi criado de última hora, apenas porque a série está se encaminhando para o fim e os roteiristas acharam que não seria legal os personagens ficarem com lacunas em sua história. No entanto, este remendo abriu incontáveis furos na trajetória de Arrow, afinal, se Diggle tinha um padrasto de alto escalão no exército, por que nunca lhe recorreu quando a cidade ficou, por várias vezes, prestes a sucumbir? Vimos que Stewart pode ter sido rigoroso com o enteado, porém, ainda assim se mostrou benevolente e honrado. Indo um pouco mais além, por que Diggle nunca mencionou sua história de vida e seus problemas familiares quando viu seus amigos envoltos em problemas parecidos? Enfim, uma narrativa criada a pressas que, por mais que se encaixe na história de vida de Diggle, deveria ter sido entregue muitas temporadas atrás, afinal, oportunidades foi o que não faltaram.
E a própria história criada para justificar o silêncio de Diggle não foi das melhores, pois parece ter sido algo que já vimos em várias outras produções. Um padrasto rígido e implacável que, no fundo, mostra ter um bom coração, e o pai idealizado como herói que, ao final de tudo, descobriu-se que não foi tão herói assim. Um desfecho um tanto quanto preguiçoso que talvez quebre a regra do antes tarde do que nunca.
No entanto, para não deixar o arco de John com o padrasto solto demais dentro do episódio, trataram logo de incluí-lo dentro da trama principal, com o Nono Círculo atrás de Stewart por conta de um projeto ultra-secreto supervisionado pelo Exército, ao mesmo tempo que também estava caçando o Projeto Arqueiro de Felicity, o que deixou a história um tanto sem foco em alguns momentos pois era difícil perceber o que era o mais essencial a ser feito ali.
Apesar do Nono Círculo ainda não ter mostrado seu verdadeiro potencial, isto é, seu grau de periculosidade, sinto que ainda veremos muito desta organização e que, no fim das contas, ela que deve estar por trás de tudo que acontecerá no futuro, devido à sua busca incessante pelo Projeto Arqueiro que, como vimos, evolui para um exército de robôs homicidas. Um sistema de vigilância que mata vigilantes. Uma jogada ousada e que confesso que me deixou curioso para saber como isto será desenvolvido e como o futuro time irá resolver.
Felicity passou vários episódios desenvolvendo esta revolucionária tecnologia e aqui precisou lidar com as consequências destas, mais um clichê batido que Arrow traz em Spartan: o bem que pode fazer o mal se caído em mãos erradas. Vimos a dona da Smoak Tech em muito falar de legado, algo que provavelmente não aconteceria se não tivéssemos acompanhando os últimos episódios de Felicity . E, se como telespectadores e fãs, sabemos que a personagem já tem sim um legado para deixar e que será para sempre lembrada não apenas em Arrow, mas como em todo o universo do Arrowverse, a mesma ainda se sente insuficiente por saber que pode contribuir de forma grandiosa para a sociedade, algo como se a própria tivesse antecipando sua despedida.
Não acredito que há tempo o suficiente para Felicity criar um novo legado que tanto busca, por isto, em breve deve se ver em frente ao Projeto Arqueiro novamente, principalmente com as claras intenções de Alena de não deixar a tecnologia morrer, assim, boa parte do arco da oitava temporada, tanto no presente quanto no futuro, deve ser com a equipe precisando lidar com a instável inteligência artificial, que, se não for bem controlada, pode ser tão perigosa quanto organizações seculares.
Já o Nono Círculo teve a explicação que eu sabia que teria e sabia que não me convenceria. Dante matou a mãe de Emiko para fazê-la focar no que mais importasse, seu futuro na organização. Se estivéssemos feito um pequeno exercício de lógica desde quando esse plot nos foi apresentando, chegaríamos a esta exata conclusão, porque cai na história de raízes que precisam ser arrancadas para se alcançar um objetivo maior. Se almeja o poder, tudo que lhe deixa fraco precisa ser descartado. Nem precisaria dizer que esse é mais um recurso narrativo batido que Spartan fez uso.
O confronto final de Emiko e Dante não respondeu o que mais precisa ser respondido nessa história: A necessidade de ter Emiko como líder do Nono Círculo. Eu ainda não consegui encontrar um motivo plausível para isso, e agora muito dificilmente a série nos explicará, haja a vista que com o descarte de Dante, muitos segredos do Círculo também sumirão. Agora, é bola para a frente e aceitar que Emiko é líder unicamente porque sim.

Por fim, tivemos os flashforwards lidando se relacionando diretamente com o que estávamos vendo no presente, o projeto Arqueiro e o aprofundamento na família Diggle. Como já disse, o arco da tecnologia de Felicity sendo usado para motivos vis pode ser muito interessante para a série e acredito que tudo que Oliver não enfrentará deverá ser resolvido por Mia, fechando mais um dos tantos círculos que Arrow está preocupada em fechar.
Já quanto aos Diggle, fiquei surpreso com o rumo escolhidos para eles, apesar de que, foi uma subversão de expectativas também esperada, se é que dá para entender este conceito. JJ cresceu em um lar saudável desde o nascimento (ou máximo que se pode dizer de um lar que tenha John e Lyla como pais), sendo assim, era de se esperar que tivesse um caminho endireitado quando adulto, ou, pelo mesmo motivo, era de se esperar que fosse contra a maré, enquanto Connor, filho de um criminoso condenado, virasse um homem íntegro. Dois irmãos que criaram uma rivalidade por conta de uma realidade bem diferente que tiveram em sua infância. Com certeza veremos mais disso, e JJ deve antagonizar o time muito em breve. Só não entendi muito bem qual a necessidade da gangue aqui apresentada usar o nome de Exterminadores. Sim, uma referência ao Exterminador clássico, mas por qual motivo? Estaria Arrow anunciando um retorno de Slade Wilson ou até mesmo de seu filho, que já vimos este ano, mas pouco foi aproveitado?
> A GUERRA DOS DEUSES EM AMERICAN GODS!
O saldo de Spartan é um episódio que chegou anos atrasado e um roteiro empobrecido por resoluções que buscam surpreender, mas acabam caindo no lugar-comum, se tornando uma hora cansativa para quem anseia um ritmo ágil e amarrado neste final de temporada.
Flechadas:
– Colocar o padrasto de John para se chamar Stewart é colocar mais lenha na fogueira em uma teoria que acho que nunca se concretizará, a do Lanterna Verde no universo principal de Arrow. Mas gostei do aceno.
– Agora que reparei que citei Oliver uma única vez no texto. Nosso protagonista precisa voltar a ser o centro das atenções, o que, felizmente, parece que acontecerá no próximo episódio.
– Onde está a abertura com a marca do Espartano?
– Roy voltará para a narrativa do presente episódio que vem. E sobre isso só quero uma resposta: O que houve com Thea?














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