Arrow chega à marca de 150 episódios com um aceno à sua trajetória.

Já há algum tempo nos vem sendo prometido um momento especial de Arrow em que seria celebrado os 150 episódios da série, haja vista que é uma marca que poucas produções chegam, e, por isso, merece uma certa comemoração, por mais sutil que esta seja. Assim sendo, esta semana nos foi entregue Emerald Archer, um dos momentos mais diferenciados da série que não chegou a ser um grandioso evento, mas que nos ganha pelo saudosismo de pequenos momentos.

Acompanhamos no episódio a produção do documentário “Emerald Archer and the rise of vigilatism”, em seu título original, um filme que já vinha sendo desenvolvido ao longo dos anos, com a proliferação de vigilantes em Star City, mas que só ganha fôlego para sua finalização com a revelação de Oliver Queen como o Arqueiro Verde, estrela principal do projeto. Desculpa mais do que certeira para vermos em nossa tela antigos rostos, mesmo que por míseros segundos.

Para se costurar a vida do Arqueiro no antes e depois da revelação de sua identidade, o documentário utiliza de depoimentos de ambas as fases do vigilante, entrevistando pessoas que se sabia que tinham ou têm contato com o Arqueiro, escondendo ou não saber de sua identidade secreta. É com essa deixa que vemos o retorno de Quentin, Thea, Sara, Roy, Rory e Pecado que, em momentos distintos dos seis anos de linha temporal da série, analisam o cenário do vigilantismo e a atuação do Arqueiro Verde como o incansável defensor de Star City. Uma grande sacada para se revisitar esses rostos sem precisar recorrer para flashbacks, versões alternativas ou outros recursos narrativos já esgotados por Arrow e suas séries irmãs, mas que ainda deixou um gosto agridoce na boca pelo potencial desperdiçado, afinal, a história da série precisou seguir, com o documentário, e os personagens do passado, perdendo forças conforme o episódio avançava.

Enquanto víamos o Oliver Queen playboy se transformar no soturno Arqueiro Verde em rápidos flashes no documentário, os personagens ainda presentes na série iam para a frente das câmeras defender a importância do que Oliver estava fazendo para sua cidade, principalmente em um momento em que o povo relutava em aceitar o Arqueiro Verde como seu principal protetor. Foi aqui que tivemos uma das melhores linhas do episódio, com Felicity censurando o termo “vigilantes”, quando deviam ser chamados pelo o que de fato são, heróis. E isso é uma tecla que sempre irei bater. Foi-se o tempo de Oliver e todos os demais serem renegados pelo fato de buscarem a segurança de toda uma cidade, que os rejeita tanto a ponto de aprovar uma lei contra sua atuação. Algo que não presenciamos com Supergirl e Flash, por exemplo, que recebem grandes homenagens e honrarias. No que o trabalho de Oliver e sua equipe se diferencia destes?

Emerald Archer, aliás, não seria um documentário completo se não acompanhasse o Arqueiro em campo, e é aqui que conhecemos Quimera, um perigoso stalker de vigilantes que gostava de subjuga-los e colecionar suas máscaras (e que nada tem a ver com as Aves de Rapina, como cheguei a comentar na review passada). E é quando Emiko é sequestrada que Oliver reúne Diggle, Felicity, Dinah, Curtis e René, a última formação do Team Arrow, a fim de resgatá-la e parar as investidas do maníaco de uma vez por todas.

Quimera se mostrou um vilão empolgante pelo pouco tempo que esteve em tela, e pode muito bem provocar certo barulho se tiver participações recorrentes, afinal sua motivação é muito mais interessante e bem delineada do que a de Diaz, por exemplo. Mas aqui, tendo que dividir espaço com vários outros nomes, acabou por ser um tanto quanto desvalorizado. Um nome promissor para um momento em quem ninguém queria vê-lo, afinal, o grande trunfo aqui era a exibição do documentário e a homenagem à série em si.

Mesmo sendo aquém do ideal, Quimera fez o suficiente para fazer com que a governadora Pollard mordesse a língua e aceitasse que o Team Arrow é mais do que um monte de criminosos fantasiados correndo pela cidade. E mesmo ainda lhe faltando palavras para afirmar com todas as letras que são heróis e indispensáveis, Pollard reconheceu que sem eles, provavelmente estaria morta e a cidade em mais uma batalha perdida. No entanto, é cedo demais para afirmar em até que ponto vai sua benevolência, principalmente por ter colocado não só Oliver e Dinah, mas todos os outros sob suas asas e olhares atentos. Agora, todos são colabores do departamento policial da cidade, e, claro, muito mais fáceis de serem monitorados. Quanto tempo para perceberem que liberdade demais também pode ser sua prisão?

Com Oliver ocupado com uma equipe de filmagem em seu encalço e um vilão para capturar, sobrou para Felicity lidar com os problemas familiares da vez. Willian voltou. Consternado, aborrecido e um tanto quanto rebelde, o rapaz (já que não gosta mais de ser chamado de garoto) cantou de galo para cima da madrasta e escondeu até o último segundo que sua vida escolar estava indo pior que mal, afinal, era inexistente. Uma grande surpresa afinal Willian, apesar de já ter tido seus momentos infantis no passado, começou a ter uma atitude mais madura conforme vinha se esbarrando na perigosa vida que sua família levava, isso sem contar que em nada bate com o Willian do futuro que estamos conhecendo nos flashforwards. Resta-nos esperar que ele volte para seu caminho de origem e entre nos eixos de vez, pois todos sabemos que não leva jeito para levar a vida desvirtuada que seu pai teve.

O resultado de todo o drama de Willian é que Felicity acabou apenas servindo para isto. Um tratamento desnecessário, em um episódio comemorativo, para uma personagem que tem sido um dos grandes pilares da série desde seus primórdios. Se os produtores estavam prometendo uma “carta de amor” à série, falharam neste quesito. Uma vez que, por mais que doam a muitos lerem isto, Felicity sempre foi e sempre será parte essencial de Arrow.

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Emerald Archer veio com uma premissa fabulosa e uma homenagem tímida, porém válida. No entanto, termina com o sentimento de potencial desperdiçado, pelo vilão, pelos depoimentos rápidos demais, pelo filme em si, que precisou dividir espaço com outras tantas tramas. Quem sabe se o episódio todo fosse puramente documental não teríamos tido a grande experiência de Arrow neste sétimo ano?

Flechadas:

– Depois de uns episódios sumida, Maya (ou Mia?) retorna juntamente com Connor Hawke, a versão adulta do filho de Diggle que nos foi apresentada lá em Legends Of Tomorrow. E continuo não confiando nessa moça.

– Diggle cobrando confiança e união de Oliver na mesma temporada em que negou ajuda à Felicity e começou a trabalhar com Diaz…

– Salvo engano, na conversa entre Zoe e Willian foi plantada a primeira semente do jovem ser gay. Será que a série começara a trabalhar isto agora ou deixará esse traço de sua personalidade apenas o Willian do futuro?

– Helena Bertinelli foi citada aqui. Será que a veremos em um futuro próximo? Na trama de Aves de Rapina, talvez?

– O narrador do documentário é Kelsey Grammer, ator conhecido por seus trabalhos de dublagem.

– Barry Allen não está entre meus personagens favoritos do Arrowverse, mas confesso que achei seu depoimento uma das melhores tiradas do episódio.

– Quem eu tenho que subornar para ter “Emerald Archer and the rise of vigilatism” na íntegra em minhas mãos?

REVISÃO GERAL
Nota:
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