Archer segue com um início calmo de sua sexta temporada, porém longe de decepcionar.

Archer nunca tentou ser dramédia. Longe disso. A série sempre firmou o pé na comédia, na sátira e da ironia de forma intensa e não arredou desse território mesmo quando lidava com temas pesados, como golpe de Estado, terrorismo e chacinas. Na verdade, grande parte do humor derivou exatamente da quebra de expectativas e do choque pela cara-de-pau de não ter medo algum de brincar com temas mais pesados. No entanto, houve um momento em sua segunda temporada, em que Archer optou por ousar e ter coragem e abraçou o drama advindo do tema do câncer. Até hoje, essa é a minha sequência favorita da série, pois, se por alguns momentos ficou o medo de que os roteiristas errassem a mão nas pitadas sentimentais, na verdade, eles atingiram um nível de qualidade inesperado e acalentador. Ao fim da quinta temporada, tivemos a belíssima cena em que Sterling descobre que é o pai do filho de Lana, na season première do sexto ano vimos o telefonema de Sato e agora foi a vez de AJ trazer mais coração para a série.

Não que esses momentos emocionais venham a tornar a experiência de assistir Archer menor. De forma alguma. O roteiro de Three to Tango foi exemplar ao insistir na questão de quem seriam os guardiões legais de AJ caso os pais dela morressem. Com esse questionamento como condutor e link dos plots, acompanhamos 20 minutos de pura histeria. Tivemos Mallory, Cheryl, Cyril, Gillette, Pam e Krieger reunidos no cuidado da garotinha enquanto os pais dela estavam numa missão. E que decisão inteligente foi essa. Afinal, depois de Sterling levantar pela primeira vez o questionamento, somos levados automaticamente a Mallory incapaz de manter a neta no carrinho de beb;. Gillette fuma um cigarro numa tragada só “na frente da criança”; Cyril traz racionalismo para a questão, mas se isenta sequer de comentar a possibilidade de ser o guardião; Cheryl provavelmente estava excitada demais com Mallory a sufocando; Pam se preocupava mais em soltar o barro na privada do que procurar o bebê e, claro, Krieger é Krieger e isso por isso só é uma arma do destino contra quaisquer possibilidades paternas do mesmo. O plot do pessoal do escritório da ISIS tomou pouco tempo de tela, no entanto foi histérico, ágil e engraçado, ressaltando a capacidade absurda dos roteiristas e diretores da série de trabalharem o elenco e a galeria de personagens maravilhosos que têm em mãos.

Em Buenos Aires, acompanhamos Lana, Sterling e um velho conhecido: Conway Stern, o agente vira casaca que teve o braço arrancado por Lana lá no terceiro episódio da primeira temporada. Esse plot teve um dos momentos mais incríveis da série, destacando-se principalmente o quebra-pau entre os dois rapazes ao som do tango argentino, com direito a Lana ignorando tudo e fazendo chá e o quebra-pau 2.0 de Sterling com os militares argentinos enquanto os outros dois estavam trancados dentro da limusine. Ao final de tudo, Stern provou novamente ser um nato agente duplo, um boneco de desmonte que a Senhora Kane usa para esquartejar em parcelas e nosso protagonista levou não mais uma facada nas costas, mas uma boa quantidade de tiros. E eis que emerge uma linda cena entre os pais de AJ e a beleza é resultado até dessa percepção em retrospecto dos sentimentos do agente em relação a sua filha. A repetição frequente do questionamento quanto a quem seriam os guardiões da garotinha, na verdade, não era pra irritar, mas uma preocupação real do agente. Por isso, a hesitação de Lana em contar por receio de magoar os sentimentos do pai a garota tinha fundamento e foi triste ver o olhar e a voz decepcionados e abatidos de Sterling ao saber que ele não teria o direito à guarda da filha caso a Kane morresse e, mesmo tentando achar uma saída atrás da idade dos pais dela, o agente sequer era a segunda opção. Mas, claro que Archer em questão de segundos revira o drama e coloca escrotice no ar, com o protagonista mirando a conquista da irmã de Lana.

Archer segue com um início calmo de sua sexta temporada, porém longe de decepcionar, ao fazer ótimo uso de todas as qualidades que mostrou ao longo dos anos.

Artigo anteriorGalavant 1×05/06: Completely Mad… Alena/Dungeons and Dragon Lady
Próximo artigoAmerican Horror Story: Freak Show 4×12: Show Stoppers