Archer voltou e está tão ótima como sempre.

A quinta temporada de Archer foi um dos grandes espetáculos de 2014. Conseguiu reiniciar a trama, dar tilt no sistema, virar tudo ao avesso e, no final, surpreendeu por reconhecer que continuar naquele desenvolvimento narrativo tão diferente do que tínhamos nos habituado se esgotaria e colocou todo mundo de volta ao amparo da lei. E eis que chega o sexto ano da série, com todo hype e expectativas consideráveis. Não, não tivemos revoluções narrativas, implosões de trama e inversão de personagens. O que vimos foi a série retomar às suas raízes e suas fórmulas e, mesmo que não tenha conseguido explodir nossas cabeças, entregou uma première sólida, engraçada e que deixou aquele gostinho bom de “Ei, gente, voltei, agora aguenta o vício que serão as próximas 12 semanas de sua vida”.

Na última season finale, descobrimos que Sterling seria o pai da filha de Lana. Quando vi que o nome do episódio de retorno seria “The Holdout” (um ato de recusa ou resistência a algo), eu já imaginei que veríamos de cara a falta de instinto paterno do protagonista. E advinha o que vimos? Exatamente isso. Como eu amo o fato de Sterling ter sofrido algumas pequenas mudanças ao longo dos anos e ter tido alguns relapsos emocionais (vide plot do câncer, um de meus favoritos até hoje), mas meu coração bate mais forte é quando o personagem assume sua veia egoísta, maliciosa, desrespeitosa e cheia de negligências. No final do episódio, ele admite que quer fazer parte da vida da garota, no entanto segundos depois ignora uma conversa sobre sua função de pai com Lana, porque ele quer falar, mas não quer ouvir. Que saudade eu estava dessa canalhice canastra do agente.

Aliás, Sterling foi o grande nome do episódio. Depois do trabalho de elenco que foi o quinto ano, foi muito bom ver os roteiristas quebrando a lógica anterior até mesmo na distribuição do elenco na trama. E que plot simples, mas hilário foi esse do militar japonês preso na ilha por várias décadas. Foi uma bela surpresa. Archer usou o humor mais básico e construções clichês e, mesmo assim, sucedeu muito bem por saber aplicar fluidamente na história. Particularmente, ri freneticamente no momento em que Sterling usou a tecnologia para jogar diversos fatos sobre a derrota japonesa na cara de Sato e quando houve a perseguição na floresta. Mas não tenho como tirar da cena em que Sato liga para sua esposa o troféu de melhor do episódio: agridoce e dramaticamente cômica, foi uma demonstração da força de direção e roteiro da série.

Claro que, com uma galeria de personagens tão épica, ácida e afiada, Mallory, Lana, Cyril, Pam, Cheryl, Gillette e Krieger estavam lá lidando com a nova situação de suas vidas: de volta à legalidade. Diante disso, não havia melhor forma de celebrar o retorno do que a cena destruidoramente hilária de Mallory tendo orgasmos vendo a ISIS completamente branca, tecnológica e vinda do futuro, para ter seus sonhos e delírios desmoronados por Cheryl. Sério, foi uma das trolladas mais épicas da história da humanidade. Palmas para nossa cantora country favorita. E, MELDELS, que emoção foi rever Pam, depois de ter roubado a quinta temporada quase toda para si. E é torcer para que ela não seja deixada de lado pelos roteiristas, que a desenvolveram tão bem, principalmente em sua interação com Sterling. Torço também para que deem mais espaço para Lana e Cyril nessa temporada, principalmente se colocarem o último interagindo com Cheryl.

E é isso: Archer retornou forte como sempre, provando que está envelhecendo muito bem e, mais, deixando claro que não precisa implodir sua trama continuamente para ser esquizofrenicamente engraçada.

P.S.: E, aí, vocês acham que as prostitutas no chuveiro eram mulheres ou não?

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