Option Two oferece uma invasão alienígena e mais problemas internos, enquanto Agents of S.H.I.E.L.D. se lembra de Avengers: Infinity War.

Ou o mais próximo que a Marvel TV consegue reconhecer (hoje em dia) a respeito de sua noção de universo unificado com o cinema – que convenhamos, nunca existiu de verdade quando consideramos filmes e séries, e não apenas as produções televisivas. Mas, já estamos no quinto ano de Agents of S.H.I.E.L.D. e reclamar a respeito da série e seus formidáveis personagens sendo esnobados, mais uma vez, é tão três temporadas atrás, não é? Deixando de lado o pequeno momento de reconhecimento de que algo estava acontecendo em Nova York, o que temos é um episódio tenso, cheio de momentos dignos de um filme de terror B e mais problemas para o time de agentes, enquanto eles lutam para fugir da destruição do planeta Terra – e conversam sobre o multiverso.

Qual caminho Agents deveria seguir após o final de sua quinta temporada – caso ela não seja cancelada pela ABC? Option Two parece disposta a desenvolver este caminho, com conversas de dimensões e universos paralelos. Mas muito mais do que um ensaio do potencial para temporadas futuras e possíveis crossovers – vem aí a unificação Marvel e FOX – o décimo nono episódio da série já expõe o grande vilão da temporada, assim como o possível destino da humanidade.

Cercados por uma nave alienígena que casualmente entrou na atmosfera, se aproveitando da invasão feita por Thanos e seus asseclas, imagino, nossos agentes precisam lidar com criaturas capazes de “drenar” toda a luz, garantindo um episódio bem próximo de um filme de terror B. Isolados e com problemas internos, o episódio é bem simples e não se desvia muito da proposta deste arco, que é lidar com a divisão interna do time, permeados pelas decisões que cada personagem precisará tomar no não tão distante futuro.

Decisões tem sido o grande mote deste arco e de certa maneira de toda a quinta temporada de Agents of S.H.I.E.L.D. Cada personagem tem lidado com eventos responsáveis por forçar a maturidade da escolha certa. Só que em um mundo pintado de cinza, não existem decisões corretas. Yo-Yo, no episódio anterior, decidiu ceifar a vida de Ruby, em um movimento que faz sentido quando pensamos no potencial da destruição de um planeta, mas que opera basicamente como uma vingança entrelaçada por uma causa nobre. Em Option Two ela é confrontada pela reprimenda do time, julgando a decisão de Daisy como a errada e a reação do Mack como exagerada. Mas o que Yo-Yo não conseguiu enxergar, é que sua visão do futuro é limitada por sua própria visão. Confuso, não é?

Ao confiar unicamente em si mesma, na versão que ela conheceu no futuro desolado, Yo-Yo terminou não conseguindo enxergar todo o potencial de transformação e da ciência por trás do loop temporal, exaustivamente explicado por FitzSimmons. Matar Ruby foi uma escolha que pode ser julgada como a adequada, até certo ponto, mas que se transforma em assassinato puro e simples quando Talbot é aquele que recebe a infusão total de gravitonium. A partir deste momento a escolha que ela julgou ser a correta se torna exatamente aquilo que a personagem temia ou melhor, que Mack tentou evitar. Basear suas atitudes no futuro é muito arriscado, especialmente quando suas ações podem ser responsáveis pela destruição que você quer evitar. E essa é uma lição que Yo-Yo está aprendendo através da perda de sua humanidade, algo que já estava em voga desde sua aventura no futuro. A fala de May para a personagem é certeira. Não é a atitude em si, se ela é correta ou não, é a percepção de cada um a respeito da pessoa que agiu.

Por outro lado, a série também está vendendo a divisão da S.H.I.E.L.D. como a culpada pela destruição do mundo. Este é um caminho que casa perfeitamente com a ideia de ter Coulson como o responsável pela salvação, afinal ele ficará responsável por colocar as peças juntas. Qual peças exatamente? Estamos falando do time, atualmente fragmentado pelo período em que Daisy ficou como líder e FitzSimmons mais Yo-Yo se rebelaram? Ou estamos falando das peças da mente de Talbot? Com apenas mais dois episódios até o último da temporada (que não seja da série), ainda temos um pouco de tempo para descobrir quais peças Robin estava mencionando. Até o momento, porém, algumas coisas parecem caminhar para o fim iminente.

Já no front científico, FitzSimmons oferece uma ferramenta para medição do sucesso ou fracasso da missão, a existência do Deke. Claro, ainda estamos falando de um loop temporal que poderá ser quebrado pela morte de um dos dois, mas conseguir uma “ampulheta” humana para o evento ajuda a criar um laço afetivo com um personagem que obviamente não irá durar mais do que uma temporada, mesmo que a série retorne para outra. A parte boa então vem através das interações do neto e do vovô (com objeções). São linhas de diálogo cômicas que deixam o clima mais leve, mesmo quando o mundo ao redor está pronto para desabar – ou quebrar no meio, você decide.

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Option Two termina com Talbot assumindo a função de ameaça, a nova identidade do Graviton e criando um vilão mais próximo de casa, após a “saída” abrupta de Ruby. O caminho já está fechado e falta pouco tempo para que os agentes tomem a última e derradeira decisão, a do sacrifício. Enquanto ninguém demonstra estar disposto a abrir mão de algo para o bem do futuro e cada núcleo assume ter conhecimento suficiente para parar o apocalipse, Agents continuará com sua missão sem esperança de sucesso. O bom é que neste meio termo nós aproveitamos o resultado, torcendo para que nossos favoritos não sejam a peça que quebra a repetição.

Easter eggs e outras informações

– A única “menção” a Vingadores Guerra Infinita veio com o diálogo entre a Daisy e o Candyman: “Você viu o que está acontecendo em Nova York?”. Bom, não é spoiler, já que a informação está estampada desde o primeiro trailer, mas uma nave misteriosa apareceu em flutuando NY.

– Será que a série está querendo criar outra web-série com o agente Davies? Não sei vocês, mas eu fiquei interessado.

– Bom, agora é um SPOILER grande de Guerra Infinita, então passe para o próximo ou pare de ler tudo, caso você não tenha assistido: com a vitória do Thanos, metade da galáxia foi apagada. Será que teremos algum reflexo em Agents of S.H.I.E.L.D.? Acredito que não, mas vamos ficar atentos no próximo episódio.

– Coulson e May escolhendo as opções de apocalipse. “Você sempre espera todo o menu”.

– Esta não é a primeira vez que os Marauders apareceram no MCU. Em Thor Mundo Sombrio o deus do trovão os derrotou em na Batalha de Vanaheim, logo na cena de abertura do filme.

– Não sei vocês, mas eu apostei que a conexão com Guerra Infinita seria de zero a quase nada. E bom, não me decepcionei. É melhor não criar expectativas, não é mesmo?

REVISÃO GERAL
Nota:
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