Agents of S.H.I.E.L.D. apresenta seu trio invencível em Inside Voices.
Se você fosse invencível, qual seria sua primeira atitude? Esta é a pergunta que Agents levanta em Inside Voices, um episódio centralizado em apresentar diversas ações, em seus vários pequenos trios. O primeiro é o de Fitz, Simmons e Yo Yo, um trio que tem a certeza de que suas vidas permanecerão relativamente intactas no futuro – mas sem a noção do que isso representa tanto física quanto mentalmente. Do outro lado e em uma base nazista, temos Coulson, Talbot e Creel, em uma instigante tentativa de escapar das mãos de Hale e seu plano destrutivo. E por último, May, Daisy e Robin, o trio menos previsível e com maior carga emocional do episódio. E tudo funcionou bem, mas com ressalvas.
O que me incomoda um pouco é que estes personagens não parecem realmente ter conhecimento do futuro que os aguarda. Ir atrás da Robin, por exemplo, é uma atitude que se encaixa no loop temporal que ninguém está muito preocupado em quebrar, o que transforma o primeiro arco no futuro em algo bem questionável, de um ponto de vista prático. Logo, a noção de que nada do que está acontecendo irá funcionar e evitar a destruição do planeta permanece bem forte. Este não precisa ser um problema, necessariamente, mas como nunca tivemos uma definição mais clara dos eventos que irão acontecer enquanto os agentes estiverem presos no loop, um pouco mais de clareza faz falta.
Existe a sensação de que o trio FitzSimmons e Yo Yo serão responsáveis por quebrar esta sucessão de eventos pré-determinados e Mack pode terminar como o ‘cordeiro’ a ser sacrificado. Mack é um dos personagens que não chegou a aparecer no Farol, mas como mencionei anteriormente, para a série quebrar o padrão, ela precisará entregar alguns desvios do que vimos no futuro. Mack, contudo, ainda pode morrer, assim como Fitz, Yo Yo e Jemma. Para eles, a imagem de uma filha ou do destino cruel de Yo Yo é o suficiente para coloca-los em uma espécie de transe permeado por uma ilusão de invencibilidade. A arma dispara, mas o tiro não os acerta, o teste dos copos (cuidado, que para a mãe da Débora não funcionou muito bem), são elementos que ajudam a criar essa aura de poder, mas esta estabilidade precisará ser quebrada e a morte de um deles ou talvez o não nascimento de Deke possa significar a não destruição da Terra.
Algo que também não faz muito sentido, apesar de compreender o motivo, foi a viagem feita por Daisy e May para encontrarem Robin e sua mãe. É um ótimo momento porque mostra a vulnerabilidade de May, a mesma que a destruiu por ter matado a garotinha em Bahrein e que justificou o What If apresentado na quarta temporada, com o Framework. Ver a pequena Robin a chamando de mamãe, reproduzindo sua visão de que Flint a mandaria de volta e quão fragilizada a garotinha estava até encontrar com May, além da cena em que sua mãe testemunha o despertar da filha apenas para abraçar outra mulher, surtiram exatamente o efeito desejado. Foram cenas de partir o coração de uma maneira que apenas Agents consegue, após passar tanto tempo trabalhando uma May fria e distante.

Diferente do trio invencível citado acima, o trio composto por Coulson, Talbot e Creel não tem certeza alguma de vida garantida no futuro próximo, mas conseguiram criar uma pequena aventura bem mais interessante do que o esperado. Ter Coulson e Creel trabalhando juntos foi uma jogada inteligente, especialmente porque conseguiu conectar ambos os personagens a Talbot, que havia gritado por Coulson enquanto estava sendo levado por Hale. A tortura que o personagem sofreu nas mãos de Hale é o suficiente para que Coulson termine não se aliando a Hydra, independentemente deste movimento ser o “mais inteligente” para parar a nave que está vindo para o planeta, obviamente abarrotada de soldados invasores – se não o próprio titã louco. Mas este núcleo serviu basicamente para nos mostrar como a série está precisando de uma liderança mais segura, já que Daisy está muito envolvida emocionalmente para conseguir compreender o panorama maior.
E o time precisa muito do Coulson, uma resposta para a pergunta levantada pelo próprio agente/diretor nos episódios passados. Existe S.H.I.E.L.D. sem Philip Coulson? Bom, observando como todos estão totalmente espalhados e como isso está conduzindo cada pequeno núcleo mais próximo da destruição do planeta, então a resposta mais acertada seria não, não existe uma S.H.I.E.L.D. sem o Coulson. Robin diz que ele será o responsável por juntar todas as peças e até o momento estas peças estão sendo representadas pelo próprio time, completamente separado e precisando, urgente, de um ponto de união, que vem através da imagem do líder. Esta é uma temporada que está sendo construída para nos mostrar que não existe uma série sem este personagem, tão pouco sem a presença de Clark Gregg.
Inside Voices é um bom episódio de MAoS, mas que falha ao não conseguir mostrar verdadeiro avanço na trama central. Foi legar ver Ruth Negga mais uma vez, assim como Quinn, não apenas um flashback usando cenas da primeira temporada, mas é necessário que a história comece a apontar seu verdadeiro destino. Faltam seis episódios até que Agents termine sua temporada, talvez até mesmo a própria trajetória da série esteja no fim, caso não se provem verdadeiros os rumores, com pouco tempo em mãos seria interessante ver um traço melhor definido para nossos heróis e ainda temos várias perguntas que precisarão de um tempo especial para serem respondidas.
Easter eggs e outras informações
– A última vez que vimos o Gravitonium foi após o season finale da primeira temporada, com a S.H.I.E.L.D. recém caída e Raina entregando a caixa com o material para Quinn. Bom, agora já sabemos o que aconteceu.
– Isso também ajuda a explicar porque Creel estava ouvindo duas vozes em sua cabeça, a do Dr. Francis Hall e a do Ian Quinn.
– Quinn foi o homem que atirou na então Skye – hoje Daisy. Imagino que o reencontro será agridoce.
– A Robin viu o Coulson morrendo e bom, ele morreu aqui por um breve minuto. Certo?
– O episódio foi dirigido por Salli Richardson-Whitfield, a voz de Elisa Maza, da série animada Os Gárgulas.
– Onde estão Coulson e Talbot? O ambiente parece bem similar ao da base Providence, apresentada na primeira temporada e invadida pelo próprio Coronel Glenn Talbot.
– Foi também na cena final de Providence que Garret apresenta o Gravitonium confiscado para o Quinn, convencendo-o a participar de sua operação contra Coulson.
– Começa a contagem regressiva para Vingadores: Guerra Infinita. Apostas sobre o impacto em Agents of S.H.I.E.L.D.? A minha é: o time isolado em algum lugar em que, convenientemente, Thanos e sua tropa não podem ser vistos.















