Iniciada a fase 3 de Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D.

Todo o MCU (Universo cinematográfico da Marvel) é dividido em fases. A primeira começou com Homem de Ferro e Incrível Hulk, como um aquecimento para Vingadores. Agents teve seu nascimento durante o início da segunda fase, nos eventos pós-invasão alienígena de Vingadores e da tecnologia extremis de Homem de Ferro 3, assuntos que permearam os primeiros episódios da série. Assim como os filmes, MAoS também segue uma cartilha de fases, que determina o tom e ritmo de cada ano. Passamos pelo crescimento dos agentes, a queda da agência e o descobrimento dos inumanos, o novo terreno ainda é inexplorado, mas deverá ser de extrema satisfação.

A verdade é que MAoS sempre se apresentou como uma série em constante situação de mudança. Não é espanto entender que ‘Laws of Nature’ trata exatamente de mais um aspecto evolutivo do seriado. As metáforas utilizadas através das cápsulas terrígenas exemplificam não apenas o que os novos inumanos e a equipe de Guerreiros Secretos liderados pela Daisy precisarão lidar, mas como o terreno pode facilmente se movimentar sobre os pés dos personagens, que a qualquer momento podem ser engolidos pelo trem bala Agents of S.H.I.E.L.D.

Quando Skye deixa de ser Skye e passa, para todos os companheiros, a ser tratada pelo nome dado pelos pais, Daisy, fica bem simples perceber que a transição fácil está sendo utilizada para mostrar que somente agora ela realmente pertence, sua antiga identidade era uma sombra. Não seria exagero dizer que Agents of S.H.I.E.L.D., apesar de ser sobre um grupo, desenvolve-se basicamente ao redor de Daisy e Coulson. E veja que interessante, todos conseguiram com extrema facilidade chamar Skye pelo seu verdadeiro nome, exceto Coulson, afinal, Daisy é o nome que o pai biológico da garota escolheu, para o pai adotivo ela ainda é a hacker deslumbrada do episódio piloto. Mas a dificuldade em se adaptar precisará ser contornada o mais rápido possível, a natureza é implacável.

Se na temporada passada Fitz nos levou para um local sombrio devido a sua situação psicológica, nesta também somos conduzidos pela ótima dinâmica que os roteiristas escolheram para o personagem, além do excelente trabalho de  Iain De Caestecker. O aspecto da série mudou bastante, é praticamente uma nova abordagem, que por mim já deveria ter abandonado o S.H.I.E.L.D. e aceitado Secret Warriors como novo nome, porém uma coisa permaneceu nos conectando ao ar espião que foi, no começo, a proposta central de MAoS. As aventuras de um novo Fitz, não mais fragilizado e muito mais controlado, demonstraram o elo entre a nova dinâmica e a antiga, se aproximando bem mais de um thriller de espionagem, algo que a caçada aos inumanos dificilmente conseguirá reproduzir, mesmo com a agência rival.

Falando agora de Bobbi e Hunter, meus sentimentos ainda permanecem conflitantes. A história de “eu não consigo mais fazer isso” havia sido criada não para o relacionamento amoroso dos dois, mas como uma preparação para a série derivada que acompanharia ambos em missões separadas de MAoS. Contudo a luz verde não veio e eles ficaram (a luz verde veio, mas só agora e para depois). Sendo assim, empurraram a frase como algo conectado ao namoro conturbado, mas eu não sei se quero Bobbi e Hunter desenvolvendo mais do relacionamento se isso for prejudicar a dinâmica da série, que não permite por enquanto um avanço no terreno amoroso, não encaixa. Também não sei se quero que eles mudem um com o outro, já que o lado Sr. & Sra. Smith foi o que os tornou tão mais interessantes e rentáveis para a Marvel, aqui as cenas no vestiário pareciam de outra série. Mas é importante ficar de olho nos dois, é deste arco que Most Wanted deverá surgir.

Alguns meses atrás eu escrevi um texto discutindo a respeito da falta de personagens LGBTI nas produções da Marvel Estúdios. Joey não é apenas o primeiro inumano a ser recrutado por Daisy, Mack e Hunter, ele é o primeiro personagem gay a surgir em TODO o universo Marvel criado para a TV e cinema (já que são interligados). Em uma tacada Agents decidiu explorar um personagem latino, gay assumido e inumano, trazendo com ele todas as conexões possíveis a respeito da temática de inclusão, aceitação e transformação. É sim para ficar orgulhoso, mas espero que não se esqueçam de sua existência até o final da temporada. Porém, a inclusão começou e eu fiquei sim feliz por ter acontecido primeiro em Agents of S.H.I.E.L.D. Que ela comece a transbordar para as outras produções da casa e que não derreta com Joey. Como eu já havia falado são novos tempos.

Falando no primeiro recrutamento de Daisy, gostei bastante da dinâmica apresentada neste episódio. Mack e Daisy estão exatamente da forma como eu queria, em sintonia. Ambos têm voz ativa dentro da missão, apesar de já ter ficado claro quem é realmente a chefe ali. O melhor é que a partir da interação do Coulson com os dois, você percebe que existe uma cumplicidade e um respeito muito grande. Mack foi na temporada passada o que mais teve problemas em aceitar pessoas com poderes e artefatos alienígenas, o que lhe garantiu o posto atual dentro da organização da S.H.I.E.L.D. Logo, vê-lo trabalhando ao lado da Daisy e servindo como segunda voz é válido, já que deveremos acompanhar os dois agindo como time isolado de Bobbi, May, Hunter e Coulson, por mais tempo.

Quem está um pouco perdido é Coulson, sem seu braço direito e esquerdo, um deles a May, a única interação próxima ao que já tivemos entre ele e a agente carrancuda foi com Rosalind. É interessante ver que do elenco original, apenas Coulson, Daisy e Fitz tiveram real peso neste retorno. Com May de “férias”, Jemma fora da galáxia e Ward planejando seu retorno, o que melhor se destacou foi mesmo Fitz.

Laws of Nature não é apenas o nome, mas toda a aura da série, que vem constantemente evoluindo e se adaptando a natureza instável do universo da Marvel. Um dos pontos que mais gostei foi a forma com que ele não nos deixou ter nenhum sentimento de calma e tranquilidade. É algo que não poderemos nos apegar nunca, até porque, logo teremos a inclusão de um novo lado para o MCU, o místico, de Doutor Estranho. Esta se torna então a força de MAoS, saber se adaptar, conseguir ir além do esperado e entregar não apenas um episódio, mas uma fase diferente em cada temporada. Se antes estávamos atrelados aos filmes, agora os roteiristas demonstram um controle nunca antes explorado dentro da série. O material é novo, corajoso e ousado. Levar uma personagem para outro planeta não é algo simples de ser feito e o roteiro precisará de muita audácia para lidar com seu retorno e as consequências. E sabe qual é a melhor parte? MAoS já provou ser capaz de impor mudanças significativas em seus personagens. Ninguém aqui é o mesmo de dois anos atrás e isso é ótimo.

Easter Eggs e outras informações

– O presidente dos Estados Unidos que apareceu na série pela primeira vez em dois anos é interpretado pelo mesmo ator de Homem de Ferro 3. Nem preciso dizer que lá ele também é o presidente, né? E se vocês não se lembram, ele foi resgatado pelo Homem de Ferro, o lado que apoiará o governo em Guerra Civil. Já dá para ter uma ideia de como as coisas funcionarão para os nossos agentes, certo?

– Na sala do Coulson é possível ver o machado que Mack usou para cortar sua mão, pendurado na parede.

– Por várias vezes a líder da nova agência de controle a ameaças extraterrestres deu a entender que sua identidade é, no mínimo, baseada em Abigail Brand, a líder da S.W.O.R.D., ou como é conhecida no Brasil, E.S.P.A.D.A. (Equipe de Supervisão, Pesquisa, Avaliação e Defesa Alienígena). Nos quadrinhos a agência fica alocada em uma base na atmosfera da terra.

– Joey também é o primeiro dobrador de metal do MCU.

– A respeito do paradeiro da Jemma, meu chute é: Hala, planeta natal dos Kree, ou talvez a lua de Hala, que poderia ser aquele planeta grandão ao fundo. Não quero entrar em mais divagações, já que na próxima semana teremos a visita do sexto asgardiano que mais gosto para explicar um pouco mais sobre do monólito.

– Jemma ‘Guardiã da Galáxia’, gostei. Ah, vale dizer que as gravações de Guardiões da Galáxia Vol 2 já vão começar, o que transformaria a participação de um dos membros do elenco na série algo viável economicamente e em termos de agenda. Será que teremos Jemma cruzando o caminho de um dos guardiões? Quem sabe o Rocket? Imagina voltar para a Terra e dizer que encontrou um guaxinim falante? Mas para não secar o orçamento da série eu acho que prefiro o Peter Quill dando uma forcinha para a Simmons.

– Lash, o ser monstruoso que deu trabalho para Daisy, Lincoln e Mack é um inumano extremista. Ele surgiu no novo lançamento de ‘Inhumans’ para os quadrinhos e procura criaturas que passaram pela transição e atingiram a “perfeição”, fortes, capazes e com potencial. Aqueles que não atendem os requisitos estipulados por ele, morrem. Parece que cinco inumanos não conseguiram.

– Foram mencionados Vingadores, Vingadores: Era de Ultron e Homem Formiga, através das referências à: Invasão alienígena, destruição de Sokovia e as partículas Pym.

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