Uma levada bem diferente do piloto.
Passada a curiosidade inicial, é tempo de refletirmos friamente se a série vai ser ou não capaz de cativar seu público. Dois episódios ainda é pouco para fazermos uma análise detalhada se a série vai ou não flopar, mas dá para traçar um panorama um pouco melhor que em relação à semana passada. Como já foi dito e redito, a audiência da série alcançou índices altíssimos, mas se alguém ficou eufórico com isso teve que pisar no freio do contentamento, pois esta semana a audiência não chegou a despencar, mas teve uma drástica queda de mais de trinta por cento. Se estes números são preocupantes ou não, a coluna de análise de audiência feita pelo Gabriel poderá explicar e argumentar melhor, o que nos interessa aqui é saber se a série tem gás para manter este número de público ou não.
O fato é que muitos botaram “n” defeitos na série no episódio anterior, e ela mal começou a já tem alguns haters de plantão com um olho gordo maior que do Fernando Caruso, e sinceramente, não vejo na série, até o momento, motivo para tamanha desconfiança. Não é a série mais genial do mundo, em nenhum aspecto que possa ser analisada, isso é fato, mas também ela não tem pretensão de ser mais que um entretenimento fácil, e nesse sentido ela é sim muito bem sucedida. Houve um tremendo hype de divulgação? Claro que houve, mas em nenhum momento, pelo que eu acompanhei, a imensa divulgação pretendeu vender uma ideia diferente do que foi mostrada até aqui (pelo menos eu não vi isso) e por isso não me decepcionei com a série como um todo. Se alguém imaginava que Agents of S.H.I.E.L.D. seria um Avengers 2.0 (não digo que foram todos, nem sequer a maioria, mas que teve gente, teve), estava equivocado ou não prestou atenção no material de divulgação, pois desde o começo nos foi informado que a série focaria nos agentes sem super poderes da S.H.I.E.L.D.
Mas deixando de lado o papel de advogado do diabo e falando do episódio em si, que é o que nos interessa, a pegada deste foi bem diferente do anterior, e para quem não curtiu muito o piloto, pode encarar como uma coisa boa. Toda a comicidade que está presente nos últimos filmes e se fez presente no piloto não apareceu com a mesma frequência aqui, ou então simplesmente não funcionou, pois ri muito menos neste episódio que no anterior. Confesso que gosto dos alívios cômicos e senti falta disso nesse episódio, além do “caso semanal” não ser tão interessante quanto o anterior (e não que o caso do Mike tenha sido dos melhores). A proposta continuou sendo muito mais o relacionamento e entrosamento da equipe do que o caso em si, que continuou se apoiando fortemente na mitologia criada nos filmes anteriores (com destaque para a trama central do filme Capitão América- O Primeiro Vingador, e do próprio Avengers, já que parte da trama é continuação do arco do Capitão). Aqui a trama era sobre um dispositivo com traços de Tesseract, que parece ter relação com o Caveira Vermelha, remetendo assim à trama do Capitão América, mas o artefato em si foi pouco explorado.
O roteiro do episódio focou mais nos conflitos entre os integrantes da equipe, e com a chegada de um inimigo comum, todos se juntam (como peças de quebra-cabeças, né Skye?) e resolvem suas diferenças trabalhando em conjunto com o que cada um tem de melhor para salvarem suas peles. A trama na realidade foi um pouco clichê e para quem acompanhou Os Vingadores, ficou quase que impossível não associar ao mesmo problema vivido pelos integrantes do grupo formado por Homem de Ferro, Capitão América, Thor e companhia, tornando assim o arco um pouco maçante. Ainda assim eu ainda consigo me divertir com o brucutu que não entende a linguagem do nerd, a hacker que diz a coisa errada na hora errada, e todas aquelas brigas que a gente sabe que terminarão em abraços e churrascada na piscina.
As cenas de ação continuam bem coreografadas, assim como os efeitos especiais, e o avião voando pelo menos não fica ao fundo de um croma-key tosco, como em muitas séries. Por ser uma história que querendo ou não se utiliza do universo de super-heróis, portanto, um universo fantástico, até relevo algumas licenças poéticas, como as armas hi-tech convenientemente ocultas até o exato momento de precisar usá-las (e convenientemente precisam!) ou mesmo um bote que não salvou ninguém do Titanic cobrir um rombo no casco do avião em queda livre, mas se MaCGyver podia tampar um vazamento de ácido sulfúrico usando barras de chocolate (e não estou inventando isso, se alguém duvidar é só conferir o piloto), a Skye pode muito bem utilizar desta artimanha, por mais inverossímil que pareça.
Não tem como encerrar esta review sem falar da participação mais que especial de Samuel L. Jackson com um impagável Nick Fury fazendo jus ao nome, no que quase pode ser considerada a cena pós-créditos da série, que rendeu uma piadinha ao final por parte do Coulson que eu ri. Não desejo que ele se torne fixo da série, pois poderia desgastar o personagem, entretanto, algumas participações avulsas que nem essa serão muito mais que bem vindas. Antes de a série estrear, o ator já tinha demonstrado interesse em fazer participações esporádicas, mesmo que apenas vocalmente (como o Charlie nas Panteras), e é bom ver como ele aproveitou bem sua participação, mesmo que só como uma ponta.
Apesar de apresentar uma leve queda de qualidade em relação ao piloto, eu ainda estou empolgado com a série e estou torcendo para que ela vingue (sem trocadilho) nesta fall season. Assim como os fãs de Sleepy Hollow encaram a série como um divertimento sem compromisso, eu espero o mesmo da MAoS, e enquanto ela me proporcionar isso, continuarei acompanhando firme e forte enquanto ela durar.
Em tempo 1: Já estou vendo o drama mexicano quando Skye abraçar de vez a causa SHIELD e ficar dividida entre o governo ou seu grupo Maré Crescente. Será que ela ir para o grupo faz parte de um plano para ela espioná-los de dentro. A mensagem de texto indica que sim.
Em tempo 2: “Um Asgardiano me esfaqueou com um cetro Chitauri”. Phil sobre ser atingido em campo.
Em tempo 3: “Era um martelo”. Phil sobre o último 084.
Em tempo 4: “Então não faça Fitz-Simmons fazerem modificações como uma… Merda de aquário”. Nick furioso sobre as modificações no avião.
Em tempo 5: “Cancelem o aquário”. Phil sobre a declaração acima.
Em tempo 6: Por que os robozinhos do Fitz têm os nomes dos sete anões?















