Crocodile Dundee 3: o melhor filme da trilogia Dundee.

Spoilers abaixo!

“Last Words” é um episódio estranho. Apresentado como qualquer outro da série, não foge do formato que ela estabeleceu no passado por causa dessa ocasião triste, mas também não ignora o aconteceu anteriormente e faz o personagem mais afetado por isso agir como um babaca durante cada segundo (como “The Playbook”, da temporada passada).

Não, o funeral de Marvin Eriksen cai num estranho meio termo, se espremendo entre a normalidade, os devaneios estilísticos da série, e a emoção, uma tristeza e desespero que vai se concentrando no decorrer do episódio e explode com aquele discurso que Marshall faz fora de igreja. Enquanto isso é uma das melhores coisas que Carter Bays e Craig Thomas já escreveram, não deixa de parecer bobo a primeira vista: Marshall teve grandes momentos com o seu pai, conversas ótimas e conselhos tão significantes quanto os que os outros receberam… Por que então dar tanta importância as suas últimas palavras? A sua fúria contra Deus é lógica, mas o foco dele e da série em algo tão pequeno, não. Principalmente depois dessa temporada e de como o relacionamento deles foi aprofundado… Não fez muito sentido.

Porém, como disse, isso foi a primeira vista.

Assisto todos os episódios da série na primeira exibição para tentar postar essas reviews o mais rápido o possível*, o que significa ter que aguentar comerciais e todo aquele protocolo que mantém o meio televisivo lucrativo. Episódios normais não são prejudicados por esse formato por serem construídos ao redor dele, mas “Last Words” não é um episódio comum. Tem o visual de um, tenta simular o espírito de um e possui as várias tentativas de humor (que nem sempre funcionaram) das boas, velhas e rotineiras histórias de HIMYM, só que em seu núcleo é sobre um homem que não sabe como lidar com a perda do seu melhor amigo. Apenas isso. Assim, se apóia muito nas emoções e em como elas se acumulam, como os pequenos momentos e detalhes levam àquele grande discurso. Ele existe em um ritmo diferente do da maioria dos programas da TV aberta, não possuindo o mesmo impacto ao ser visto da maneira normal.

Luto não é algo lógico ou fácil de lidar, principalmente em comédias. A série não pode ficar depressiva por causa do gênero ou muito divertida porque isso seria, além de mau gosto, ignorar que uma tragédia aconteceu. How I Met Your Mother acha uma solução apropriada para isso, mesmo que, justamente por ser estranha, não funcione muito bem em um modelo onde após uma cena emocional você precise cortar para um comercial de macarrão em lata. Não é um clássico instantâneo, mas pega pequenos pedaços de tudo que é belo na série e forma um dos momentos mais importantes da vida de um de seus melhores personagens com clareza e fidelidade aos relacionamentos que ele cultivou. Afinal de contas, amigos não são para isso? Para te animar nos momentos difíceis e sempre ter alguma coisa a mão para te ajudar durante eles? E enquanto a série seguir capturando esse sentimento tão bem quanto em “Last Words”, continuarei assistindo, amando e, é claro, criticando todos os vários erros que comete.

*O que é meio inútil já que sempre acabo postando elas mais tarde do que deveria.

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