Após um excelente episódio, Lie to Me consegue manter um bom nível, mas sem a qualidade do anterior.

Spoilers Abaixo:

Regularidade é um quesito importantíssimo para qualquer série, de qualquer gênero. Se ela não existe, a produção vai perdendo audiência de forma irrecuperável, uma vez que um episódio muito abaixo de média faz o espectador se irritar com a série, e são poucos os que têm paciência para aguentar até o fim da temporada antes de largar de vez. Lie to Me sofre de uma irregularidade crônica desde sua primeira temporada, e Rebound não me deixa mentir, com um plot bacana, mas um pouco mal aproveitado.

O episódio gira em torno da história de Noah, filho de Lily, que desconfia do novo namorado da mãe, George Parker. O garoto vai então com a mãe ao Lightman Group para pedir uma investigação sobre ele, contra a vontade de Lily. Cabe então a Cal e sua equipe descobrir o que significa o dinheiro encontrado na mala do rapaz, e o que ele esconde. Descobre-se então que George não só esconde muitas coisas, como tem uma série de casamentos anteriores, todos com duração de seis meses. Esses relacionamentos são todos para ajudar um advogado de divórcios.

Diferente do outro episódio exibido na mesma noite, Funhouse, esse não consegue prender a atenção do espectador da mesma forma. O plot é realmente inteligente, e fugindo da mesmice que já cansei de citar em meus textos. O problema é que o desenvolvimento do roteiro falha em alguns pontos, principalmente no andamento da investigação. Ao contrário do episódio anterior, aqui os roteiristas não tiveram o cuidado de conduzir a trama de maneira sólida e consistente. Pelo contrário, a história parece não querer desenvolver uma velocidade constante, alternando entre momentos de aceleração e outros de lentidão, cansando o público.

Além da inconsistência, o roteiro ainda nos oferece um desfecho pouco adequado, soando até um pouco largado, como se os roteiristas quisessem acabar logo com o episódio. Como já expliquei acima, nos minutos finais a série parece querer acelerar demais, e conclui o caso com uma previsível e sem sal cena, em que Parker é preso por Wallowski. Lie to Me muitas vezes sofre do mal de não conseguir concluir seus casos de maneira satisfatória. Não é a primeira vez que sinto que os roteiristas tem um pouco de afobação nesses momentos. Apesar disso, a série não é a única que tem esse problema. Diversas produções policiais tem a mesma dificuldade, tornando seus episódios inconstantes dentro deles próprios.

Apesar de o episódio trazer alguns defeitos, o roteiro tem suas qualidades. A ideia de trazer personagens que representem algum desafio para Lightman sempre foi interessante para a série, e Parker tem essa característica. Sua relação com Noah é exatemente o pivô dessa personalidade, que se altera conforme a necessidade. Pessoas assim são extremamente difíceis de lidar, e nem mesmo o Dr. Lightman foi capaz de lê-lo de maneira tão fácil como faz com outras pessoas. É importante para uma série com a proposta de Lie to Me trazer personagens interessantes. O que seria de House se os pacientes fossem bidimensionais e mal desenvolvidos, por exemplo? Se Lie to Me se salvar do cancelamento, tem que aprender essa lição.

Já que falei de personagens, aproveito para comentar sobre a relação entre eles em Rebound. Numa das primeiras reviews da temporada, disse que Wallowski tinha sido uma excelente adição para a série, e que a personagem faria muito mais que o Reynolds. O problema é que a policial não é aproveitada como o agente do FBI. Em alguns episódios ela aparece e quase nunca tem participação ativa, principalmente após Dirty Loyal, centrado nela. Talvez os roteiristas tenham se convencido que é melhor focar-se apenas no Lightman Group e deixar terceiros de fora, o que faz bastante sentido, desde que Wallowski sumisse de vez, sem fazer pontas em começos de episódios e dando pequenas lições de moral.

Já que Lie to Me dificilmente escapará do cancelamento, e teremos apenas mais três episódios até o fim da temporada/série, já é hora de começar a traçar o rumo final da trama e dos personagens. E pelo andar da carruagem, a série não terá um desfecho adequado. É verdade que a FOX não teve respeito algum pela série, lançando sua terceira temporada sem divulgação nenhuma, apressada pelo cancelamento precoce de Lone Star. Com isso, os episódios foram gravados com uma certa correria, e os roteiristas não terão a oportunidade de finalizar a série de maneira satisfatória, o que é uma pena para qualquer série.

Desesperada por audiência, Lie to Me consegue manter um bom nível nos dois episódios exibidos em sequência, mas não consegue atrair seu público. É uma pena ver uma boa ideia indo pelo ralo dessa forma.

No twitter: @GabrielOliveira

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