Em um formato tão livre como o de MasterChef, são inúmeras as possibilidades culinárias para que os candidatos possam brilhar. Dois anos atrás, o reality poderia ser classificado como diverso, mas muito voltado para a culinária “salgada”. Com a entrada da Pastry Chef Tosi, as dinâmicas mudaram e agora MasterChef ficou ainda mais completo. Não obstante mudar em quesitos culinários, o formato de três jurados começou a ser mexido e estão provando que as renovações no MasterChef são muito bem-vindas. Uma campeã retornando e um chef consagrado fazem o guest judge da vez.

Com o episódio menos interessante da temporada, os juízes foram o destaque ofuscando um pouco os candidatos e os desafios da vez. A culinária latina foi bem reforçada nessa primeira parte, mas ficou forçado chamar Claudia de fenomenal ou de chef profissional, ainda mais que ela tem um caminho muito longo para que isso se concretize. A sua Mystery Box foi uma boa surpresa, ela e Aaron Sanchez cozinhando lado a lado foram um show à parte, esse formato de “ensinar” cozinhando ao mesmo tempo engana bastante, mas entretém mais o telespectador indubitavelmente.

A prova dos ingredientes de Claudia foi melhor do que a de eliminação, porém dosaram consideravelmente o equilíbrio entre as qualidades e habilidades que as duas exigiram. As vantagens na Mystery Box não foram tão obvias já que muitos competidores foram bem sem sequer ter um pé na culinária latina, enquanto Alejandro e Andrea se equipararam a maioria. Já no teste da torta, a técnica dos candidatos foi posta em check e a avaliação foi um dos pontos altos do episódio.

Depois de um episódio mediano, a aula de Gordon sobre uma das proteínas de domínio mais difícil consegue superar todos os episódios dessa temporada. Cozinhar lagosta é um desafio a parte para os homecooks, mas quando tem uma vegetariana no challenge, fica difícil não indagar se ela estará apta para concluir o desafio. O chef Sanchez voltar para a bancada de judges foi uma pequena surpresa, com o novo formato ainda sendo estruturado é excelente prolongar uma participação tão especial quanto esta.

A masterclass de um chef faz bastante falta no formato americano, no MasterChef Australia é uma prática comum os chefs ensinarem algumas técnicas para os competidores, tanto que se conseguissem implementar isso na versão americana ficaria espetacular. Muitos candidatos colocariam a lagosta viva na água fervente, é um costume bastante disseminado na culinária, mas que evoluiu pela tamanha crueldade e pouca diferença que isso faz. A aula do chef Ramsay sobre aproveitar o máximo desse fruto do mar foi sensacional, ele fez tão rapidamente e impressionou bastante os pupilos por usar até mesmo a carne das pernas do crustáceo que muitos conseguiram aproveitar a lição pra se safarem da eliminação.

Shaun seria a escolha óbvia para ser safe, ele extraiu a lagosta de forma confiante – diferente da pose arrogante que costuma empossar – e se saiu bem. Outra pessoa que se assemelha a Shaun em sua autoconfiança é Andrea, mas dessa vez não se saiu nada bem e talvez esse fato a ajude mais à frente da competição; ser confiante, mas não exceder e subestimar os concorrentes. Brandi foi surpreendente, de longe a melhor nesse desafio e a que mais mereceu a imunidade.

Os progressos dos vegetarianos na competição são variados, é inevitável julgar que Hetal (da S06) foi a que mais encantou em todas as temporadas. Diamond não tem a determinação dela, mas depois desse desafio é possível que ela chegue longe e até cozinhe refeições com produtos vindo de animais melhores do que seus adversários, como Hetal foi capaz em diversos desafios.

Alejandro finalmente conseguiu algum destaque, a culinária dele pode ser tão rica e diferenciada por causa de suas origens e até agora ele não tinha sido um candidato a se olhar. No entanto, ter ido além da técnica do chef Ramsay e tirar proveito de absolutamente tudo da proteína foi insano; ele foi simples e coerente na avaliação dos chefs e essa confiança misturada com humildade é uma qualidade que funciona bastante na jornada do MasterChef que ao contrário do que deveria, não se trata apenas da culinária.

Nada mais justo do que o pressure test utilizar a carne que eles haviam previamente preparado. O tortellini de Gordon não era um prato simplório, além do crustáceo mais difícil de acertar, a pasta é um grande desafio para muitos cozinheiros. A massa fresca é uma combinação básica, mas a técnica não se compara a teoria. Depois da preparação da massa, ainda tinha o caldo de frutos do mar que era realmente bem trabalhoso.

Após a aula o highlight foi pra Lisa-Ann que não bastou deixar a massa por último, tinha que quase queimar as sobrancelhas de Gordon. Ela foi a escolha mais lógica pra deixar a competição nesse ponto, sua mente estava em outro planeta. Na preparação nenhum pareceu muito bom, mas a hora da avaliação foi certeira pra definir quem poderia ao menos chegar ao top 12.

Vários pratos foram desastrosos, Diana não teve o mínimo de técnica pra selar a massa e deixou o recheio vazar. Já Eric teve uma apresentação ruim, mas foi menos desastroso e compensou no sabor, coisa que Andrea superou nos dois quesitos. Nathan e sua apresentação continuam desleixadas, mas ele quase sempre compensa no sabor e dessa vez não foi diferente, mas comparando a Andrea não teve como achar inferior o prato dele. Por fim, Lisa-Ann e seu desastre ambulante foram previsíveis, apesar de que ela salgar a comida foi uma nova forma de superar sua péssima performance.

O desfecho não foi o esperado, Diana foi um pouco pior que Lisa-Ann na questão do sabor e ela realmente não teve nenhum destaque – positivo ou negativo – até agora. À saída de Lisa-Ann foi justa, ela não soube aproveitar suas raízes e trabalhou muito mal, talvez a execução a tenha prejudicado mais do que o prato em si e ela foi, de longe, a menos sensata na prova. Agora o top 15 está formado, mas ainda não é possível definir quem tem mais potencial nesse ponto. Todavia, a jornada dessa temporada tem sido realmente memorável.

White Apron 1: Nathan com o negócio sobre ser filho de pastor foi tão patético. Ele é tão tedioso.

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