Uma nova Litchfield.

Amigos, parem tudo o que estão fazendo, esqueçam a socialização do fim de semana, porque Orange Is The New Black voltou e está todinha no acervo da Netflix, só esperando o nosso binge!

E nossa querida empresa de streaming foi muito bem-sucedida na sua tentativa de abrir a quarta temporada com chave de ouro! Work That Body For Me (“Tudo Pelo Corpo”) cumpre com maestria o papel de uma premiere de apresentar o novo clima da temporada, mata a saudades de todas as nossas detentas favoritas, diverte na medida certa e, pra completar, como diria a nova diva dos cinéfilos Glorinha Pires, “tem bastante ação”!

Pela primeiríssima vez, a temporada começa exatamente onde a anterior nos deixou, sem tirar nenhum segundo do que aconteceu. E não poderia ser diferente. Precisávamos entender como os eventos da fuga em massa seriam resolvidos e que mudanças esse fenômeno acarretaria.

E que mudanças, hein? Além de bagunçar completamente a situação das centenas de novas detentas (visto que os poucos e incompetentes guardas da prisão estavam ocupados com outra coisa), ainda trouxe para o local a política de opressão da segurança máxima.

Eu confesso que sempre achei que esse lugar dava um pouco mais de folga do que deveria às condenadas, então acho justo que a série adicione uma certa rigidez ao ambiente, mas que dá a maior pena das nossas meninas, dá. Perder a liberdade e a comunicação com o mundo até que vai, mas acordar 3h30 da manhã? Não sobreviveria a 6 meses de tamanha tortura.

Novamente alheia ao que andou acontecendo (e ver a série fazendo isso é algo que me incomoda), Piper agora só quer saber de se sentir a nova chefona da prisão, e eu estou rindo demais desse deslumbramento e contando as horas para vê-la caindo do cavalo. Mas, para a sua sorte (ou azar, já que a tombo tour vai ser muito mais do alto), uma das aparentemente mais influentes entre as novas detentas conversou justamente com Flaca, que já tem um histórico com Piper, e agora trata nossa Katy Perry loira com o respeito devido a um Don Corleone.

A cena da nossa heroína se deslocando pelo bandejão da prisão depois de uma série de golpes de sorte que inflaram seu ego me lembrou muito aqueles filmes teen em que a protagonista atrapalhada dá a volta por cima, ahaza, fica popular e desfila pela escola like a boss (sim, eu vi Mean Girls recentemente, me deixem!). Sorri de orelha a orelha com o ótimo uso desse clichê.

A outra novidade que certamente mexerá com a temporada além da superlotação da prisão, é a presença da celebridade Judy King, uma claríssima referência (será que poderíamos dizer “homenagem”?) a Martha Stewart, celebridade americana – uma espécie de Ana Maria Braga, mas classuda e mulher de negócios -, que foi condenada e cumpriu 5 meses de prisão por fraude relacionada a ações na bolsa e posterior obstrução de justiça relativa ao seu crime. Stewart tornou-se uma sensação na prisão, dando-se bem com suas colegas e se transformando inclusive em um significativo canal de comunicação entre as presas e a administração, e chegou até a ganhar novos fãs pela maneira como ela supostamente lidou com o encarceramento.

O imenso carisma de Judy King e a facilidade com a qual ela conquistou Luschek mostraram que a personagem tende a ir pelo mesmo caminho. Poussey completamente catatônica ao vê-la (e constatando o fato de ter sido a única) foi um bônus divertido para garantir que a personagem marcasse presença na premiere.

Falando no núcleo negro, a melhor fala do episódio sem dúvida nenhuma foi de Black Cindy: “Estamos nos EUA, terra da liberdade, lar do racismo, e temos tanto direito de ser racistas quanto qualquer um!” E como não amar o fato de que a recém-convertida ao judaísmo agora vai ter uma muçulmana em seu cubículo? Entre Soso e o tema religião, minha expectativa para o núcleo negro está altíssima nesta temporada!

Mas, como o próprio título já indicava, as grandes estrelas do episódio foram mesmo Alex e Lolly, a maluquete que tem tudo para tomar o lugar de Crazy Eyes como a mais querida da temporada. O que parecia que acabaria em tragédia acabou rendendo os momentos mais engraçados da premiere, como a cena quase nonsense de Lolly derrubando sem pudor ou dificuldade o agressor de Alex e salvando a “amiga” da morte. Sim, vai ter Laurinha Prepon na quarta temporada, gente, que alegria!

As fotos de Alex-cadáver foram uma diversão à parte, com direito a parte 2, com as tetas de fora. E eu nem sei o nome da detenta horticultora que ajudou as duas por motivos de tédio, mas já a considero pacas. A antítese de tudo isso fica por conta da cena em que Alex se vê forçada a matar o capanga (realmente, apesar de ter sido uma bela surra, eu havia achado pouco pra levar à morte). Foi uma sequência digna de filme de terror em alguns momentos, e de um bom drama em outros. Continuo adorando Alex, e agora que ela tem Lolly como sua sidekick, não tem como dar errado! Deixem Piper longe das altas aventuras das duas, por favor, Jenji, nunca te pedi nada!

Work That Body For Me dificultou muito a tarefa de resistir ao binge da quarta temporada de Orange Is The New Black, mostrando-se um excelente episódio ao longo de todos os seus 56 minutos – que eu honestamente nem vi passarem. Como é bom poder contar com uma série desse nível e saber que ainda há mais 12 episódios para aproveitarmos cada minuto! Claramente, o dilema deste fim de semana será: devorar ou saborear, eis a questão!

Segredos da hortinha:

– Estou ansioso por um episódio centrado em Yoga Jones desde a primeira temporada. Agora vai, né? #EuAcredito

– Chang decidindo aproveitar o banho quente no chuveiro bom e o xampu enquanto as colegas farreiam no lago. Amor define o que essa mulher merece.

– Uma graça a história do namorico quase infantil de Crazy Eyes (e o talento absurdo de Uzo Aduba contribui imensamente para o deleite que foi assisti-la) e divertidíssimo vê-la se referindo a Kukudio tão rapidamente como “todos temos nossos ex, né, o que a gente pode fazer?”

– É impressionante ver que Donuts, o estuprador, parece legitimamente achar que não fez nada de mais e que Pennsy está sendo bitch com ele. O pior é que eu acho que deve ter muito homem assim por aí.

– A comparação entre o lago e o casamento foi uma sequência muito divertida e com texto muto afiado; apesar da competitividade absurda de Morello, acabou sendo legal vê-la ganhar a batalha no fim das contas, e isso só fez com que a posterior perda do véu partisse mais o meu coração em seguida.

– Sim, eu vi o nomezinho de Natasha Lyonne na abertura e já estou comemorando o sucesso absoluto da campanha #VoltaNicky! Agora é subir a hashtag imaginária #VoltaSophia o mais rapido possível.

– Queridos amigos, depois de duas temporadas completas e mais esta premiere, gostaria de anunciar que estou deixando a cobertura de Orange Is The New Black. Quero agradecer a todos vocês, que passaram esse tempo todo comigo e prestigiaram um pouco o que eu tinha a dizer sobre a série. Ler e escrever sobre ela tem sido uma das minhas maiores paixões graças não apenas à qualidade dela, mas também à força que vocês me dão aqui. Infelizmente, porém, a cobertura de séries da Netflix demanda um tempo e um ritmo que não consigo ter neste momento da vida, e pensando na melhor cobertura possível pra vocês, decidi passar o bastão. Novamente, agradeço demais a todos vocês, e deixo OITNB nas boas mãos do colaborador Fábio Kazim, mas é claro que estarei aqui comentando as reviews dele sempre que tiver chance. Um grande abraço a todos e, mais uma vez, muito obrigado!

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Guto Cristino
Guto Cristino é engenheiro químico, jornalista e administrador. Nessa salada toda, o tempero constante é a paixão por séries e por Christina Aguilera, sempre presentes em seu cada vez mais curto tempo livre. No Série Maníacos desde 2011, é especializado em cretinice televisiva, com foco em novelões e realities, mas garante que vê série boa de vez em quando.