Sobre a importância dos sistemas de distribuição para bons filmes de gênero.

Primeira vez que discuto sobre o cinema estadunidense aqui e não havia uma alternativa melhor do que começar desse jeito. Se tem algo que americano sabe fazer é filme de gênero. É mais do que algo que está no sangue dos cineastas do país, é uma bagagem que vem sendo carregada desde os anos 30, quando o surgimento do som fez proliferar os westerns, as comédias, os filmes de gangster, os de horror e os musicais.

Foi o início da era dourada de Hollywood, que sempre teve um pé no espírito caseiro e o outro no conservador. O oásis do cinema americano nasceu da conveniência, como um refúgio para os cineastas que queriam fugir do alcance geográfico das patentes do Edison Trust. Muitas fantasias foram desenvolvidas nessa época e todas elas tinham aquele mesmo feel, muito porque eram geralmente sempre estreladas pelas mesmas pessoas e montadas da mesma forma.

E não me levem a mal, pois embora hoje qualquer referência ao lugar tenha uma conotação depreciativa, assumir que Hollywood não foi responsável por demonstrações genuínas de brilhantismo é ingênuo. Não tenho o menor interesse de me perder no assunto, mas o que acabou acontecendo foi que a capacidade que os americanos tinham de criar histórias de gênero cheias de personalidade deu um saltinho para o cinema independente. O irônico disso tudo é que como eu mencionei ali em cima, a turminha hollywoodiana representava o movimento independente na época.

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O apetite do povo por imagens violentas e sexuais ficou insaciável na década de 70. Enquanto a agora colossal Hollywood tentava dar voltas a essas demandas temáticas, alguns cineastas americanos se deixaram seduzir pelo cinema estrangeiro e tentaram incorporar a sua ousadia criativa nos gêneros já conhecidos pelas massas. Lynch, Scorsese e Coppola são bons exemplos. Já dos anos 90 pra cá, veio ainda outra tendência: grandes estúdios comprando pequenos estúdios para distribuir filmes independentes. É aquela velha história dos arrasa-quarteirões existirem para financiar os filmes menores.

Com a chegada do digital (das primeiras camcorders prosumer às DSLRS), a oportunidade de ser um cineasta chegou a todos. Mas a coisa continuou não sendo tão simples. O circuito independente é bastante relevante para a indústria e é uma das engrenagens por trás de todo o sistema de festivais (como você pode acompanhar na excelente coluna do Aaron), mas o lucro dos filmes produzidos depende muito das suas nomeações para premiações como o Óscar. Caso contrário, uma boa parte desses filmes sequer chegaria aos cinemas brasileiros, por exemplo.

Partindo daí, os estúdios financiam os mesmos filmes de novo e de novo para garantirem o seu lugar e consequentemente fazerem a produção se pagar. Faz sentido. A idade vem e a gente acaba entendendo que o cinema se tornou mais uma fonte de renda do que uma forma de arte, no cenário geral. Se muito dinheiro é gasto fazendo o filme, muito dinheiro tem de ser ganho. É compreensível e lógico. Só que algumas das fórmulas desse cinema proto-independente já se tornaram caricatas há muito tempo e ainda continuam presentes em quase todas as produções (especialmente as que saem do Reino Unido). Você acaba tendo situações como a de Boyhood: Da Infância à Juventude, que por mais fantástico que fosse, não parecia caber na entrega de estatuetas da Academia justamente por ir contra a noção que Hollywood instalou acerca do cinema independente.

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O problema disso tudo é que o sistema de estúdios falhou, mas ele ainda está aqui. Pior, ele não vai embora tão cedo. Mesmo com o império que empresas como a Netflix estão construindo, os filmes originais financiados ainda são produzidos e estrelados pelas mesmas pessoas que você encontraria em Hollywood. Se o propósito básico do cinema independente era escapar do sistema de estúdios e das suas restrições criativas, as esperanças se perdem um pouco quando é o contrário que vem acontecendo. Algumas das palavras mais poderosas e sábias que já ouvi de qualquer artista foram ditas por Coppola em Francis Ford Coppola – O Apocalipse de um Cineasta. Se você já viu o documentário, você está familiar com os obstáculos que Coppola enfrentou para manter a sua visão pessoal em Apocalypse Now e com o ódio que ele nutre por toda a noção de profissionalismo que nasceu na indústria.

No meio dessa confusão toda… 

você tem artistas independentes como Kelly Reichardt e Shane Carruth, os gênios por trás de O Atalho e Cores do Destino, respectivamente. E o histórico dos dois não poderia ser mais pertinente.

Reichardt distribuiu alguns dos seus títulos, incluindo O Atalho, pela Oscilloscope Laboratories. Para quem não conhece a distribuidora, a companhia foi fundada pelo falecido Adam Yauch, que além de cineasta e empresário era um dos membros fundadores dos Beastie Boys. O repertório da Oscilloscope, além de extenso, é bastante refinado, contando com grandes filmes como Samsara, O Abraço da Serpente e até Que Horas Ela Volta?. Apesar do filme ter sido concebido com a produção de diversos estúdios, Reichardt manteve a sua visão pessoal ao dirigir e montar o filme, além de convidar o seu parceiro de longa data Jonathan Raymond para escrever o roteiro.

No caso do brilhante Carruth, a história é mais interessante ainda. Carruth entrou na indústria com um pé na porta ao digirir, escrever, montar, compor, produzir e atuar no mirabolante Primer, que fez com apenas 7 mil dólares (detalhe que está longe de ser tão impressionante quanto o próprio conteúdo, mas que hoje é obrigatório mencionar). Além de abocanhar o Grande Prêmio do Júri em Sundance em 2004 e mais alguns, Primer ainda é considerado por muitos o filme definitivo sobre viagens no tempo graças à sua complexidade e compromisso científico. Não é de se admirar: antes de se tornar um artista, Carruth se graduou em Matemática e desenvolveu softwares de simulação de voo. Carruth voltou a distribuir o seu próprio trabalho com Cores do Destino por acreditar que a distribuição faz parte da contextualização de um filme.

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Também vejo a distribuição como uma preocupação criativa importante. Se pegarmos um caso como o da A24 e a estratégia equivocada que usaram para promover A Bruxa (como um filme aterrorizante e com uma vibe sensacionalista à lá Atividade Paranormal para convocar as massas), é complicado discordar. O público odiou o mesmo filme que os cinéfilos amaram e isto não teria acontecido se a campanha não fosse tão… ambígua. E se O Atalho fosse exposto como um filme de ação e Cores do Destino como um romance? Poderia ter acontecido. Me surpreende que não tenha.

O ponto é que ambos os filmes se expressam dentro dos seus gêneros, um western e uma ficção científica, mas nos mais diferentes moldes. O Atalho é pacato e cirúrgico, uma reflexão sobre a sobrevivência nas estradas de terra da América. O filme de Reichardt segue um grupo de viajantes que atravessam o deserto tendo como guia o duvidável Stephen Meek, que curiosamente é o mais próximo que temos de uma figura clássica de um velho-oeste. Não há trocas de tiros entre caubóis e índios, não há xerifes perseguindo bandidos. A luta é contra a fome, a sede e a paranoia. Cores do Destino, por sua vez, também tem uma pegada especial dentro do seu gênero. O filme opta por seguir as vítimas de um organismo parasita que tem diversos estágios de vida. Não quero entregar muito pois, como noutros filme de Carruth, a interpretação individual dos acontecimentos é uma parte essencial da experiência.

O Atalho faz algumas contribuições sutis ao gênero, enquanto desfruta de algumas características que ficaria dificil de não encontrar noutro western. Os gerais enormes para mostrar a vastidão da América estão lá, mas aqui eles servem para te fazer entender o tamanho da encrenca em que os personagens se meteram. Afinal de contas, o cenário é quase que um personagem neste filme. Mais do que a ameaça de ‘selvagens’, o que os homens mais temem é se perder no deserto. O plano mais legal do longa provavelmente é o geralzão em que todos os personagens saem do quadro e depois surgem lá no horizonte, ainda no mesmo quadro. Foi uma maneira brilhante de esboçar a distância da sua jornada e mais do que apenas apontar isto geograficamente, também situou o tom do filme inteiro.

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Reichardt também ilustra bem o desespero com as suas cenas noturnas. Um dos maiores problemas da fotografia noturna é que ela tradicionalmente nunca parece natural. A iluminação artificial é difícil de convencer e mais ainda de motivar, enquanto uma iluminação natural dentro do quadro é complicado de controlar. Aqui, Reichardt escolhe o caminho mais óbvio (e, ao mesmo tempo, ousado) e mostra as noites como elas são: escuras. E essa escuridão só acrescenta para o sentimento de paranoia e tensão do filme.

Como a minimalista que é, Reichardt faz de tudo para conseguir incorporar elementos da sua história nos visuais do filme. Como ele desenvolve a personagem de Michelle Williams através do seu figurino, por exemplo. Enquanto as outras esposas vestem-se com cores vivas e saltitantes, sempre chamando atenção, as vestes de Emily quase que servem como uma camuflagem para o deserto. O mesmo vale para Meek e o pouco de vermelho que tem entre as suas roupas. No caso de Meek, o personagem traja uma cor fortíssima, mas a esconde debaixo duma tonalidade tão morta quanto as do guarda-roupa de Emily.

Aliás, está aí algo que ela sabe fazer muito bem, talvez melhor do que Carruth: saber quando ser convencional ou não. Apesar da montagem e o roteiro estarem muito interessados em terem as suas próprias identidades, o filme ainda segue alguns princípios da tipologia narrativa clássica para não afastar o espectador do filme. O índio surge pela primeira vez precisamente na faixa dos trinta minutos, por exemplo. A montagem é que te faz sentir que isso acontece tão mais tarde. A resolução (ou a falta dela) também poderia ter sido drasticamente afetada pela montagem caso Reichardt quisesse. Não em termos de história, mas em termos de tom e num filme como esse isto já diz muito. Eu pessoalmente preferia que o filme acabasse no plano anterior. Quem não viu o filme pode ir se preparando para outro Blow Up – Depois Daquele Beijo.

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O Atalho trabalha com composições minimalistas para refletir as preocupações e motivações comuns dos seus personagens. Com isto, o filme não só cria um mundo que realmente parece cheio de riscos e ameaças, como também o torna muito mais palpável num tempo cínico em que nos tornamos mais resistentes à ideia de caubóis lendários vagando pelo velho-oeste. O modelo de distribuição do filme foi importantíssimo, pois com a exceção do cartaz que traz Emily com uma espingarda na mão, ele jamais foi vendido com base nos seus pontuais momentos de ação. O ritmo do filme é semelhante ao de A Bruxa, mas a distribuidora de Reichardt teve a coragem de expor O Atalho pelo que ele é. Se compararmos os trailers oficiais dos dois, por exemplo, o que eu quero dizer fica ainda mais óbvio.

O western é um dos gêneros veteranos do cinema e é sempre reconfortante ver alguém quebrando alguns dos seus tropes. É importantíssimo repensar alguns dos seus fundamentos narrativos para que o gênero ganhe a sua relevância novamente. Já a ficção científica sempre foi muito restringida pelo classicismo popular. É fácil aceitar a história de um lobo solitário perseguindo bandidos no velho-oeste porque o período historico foi genuíno e ao mesmo tempo tão distante que a suspensão de descrença está disposta a cobrir a ideia. No caso de uma fantasia com ideias científicas, a conversa é outra.

O gênero só veio se popularizar no final dos anos 80/começo dos 90 e os que melhor funcionaram, como Matrix ou O Exterminador do Futuro, não só incorporaram convenções dos westerns como também se encaixaram em mundos mais semelhantes ao nosso. Além disto, estamos falando de um tempo pré-advento da informática. Quanto mais certas pareciam algumas das possibilidades, maior era a probabilidade de sucesso das novas ficções. Um estudo de caso interessante seria procurar saber o quão mais aceitável a temática da clonagem se tornou após a concepção/nascimento da ovelha Dolly, por exemplo.

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Neste sentido, Cores do Destino tem uma filosofia muito interessante. Se em Primer Carruth já tinha feito o sci-fi clássico com a intenção de promover discussão e ideias, aqui ele se permite fazer algo maior: um estudo de linguagem. O filme larga a véia mais comum da ficção científica e se inspira em autores como Tarkovski. Stalker e Solaris tinham premissas que se casavam com uma abordagem tradicional, mas o russo investiu numa camada poética e conseguiu criar filmes que levantam mais dúvidas do que conceitos pré-definidos. E para fazer isto, é preciso muito mais do que ajustar bem um roteiro, é preciso experimentar com a linguagem do cinema. Algo que, dado o quão ‘padronizado’ o seu filme de estreia foi, eu não sabia que Carruth era capaz de fazer.

Um dos aspectos mais importantes para a história de Kris e Jeff é o design de som espetacular pelo qual o próprio Carruth, junto de Pete Horner e Johnny Marshall, é responsável. Não é de se admirar, já que foi justamente esta a categoria que o filme venceu em Sundance. Ele também não tenta esconder o seu amor pela coisa, já que um dos personagens do próprio filme passa uma boa parte do seu tempo de tela fazendo equalizações. As pistas de áudio de Cores do Destino são deliciosamente complexas. As sinfonias se juntam aos efeitos de som e tudo acaba soando tão vívido e especial que você não sabe o que está ouvindo e ao mesmo tempo é capaz de distinguir cada som.

A música composta por Carruth acompanha o espectador durante quase todo o longa, mas ela não está lá para ser didática. Ela causa estranheza. É ela que tece o clima de sonho que é tão abundante no filme. Os melhores cineastas são aqueles que conseguem suceder dentro das exceções. Se o uso integral de uma trilha-sonora é algo que vem prejudicando a linguagem, é incrível que um cineasta consiga o fazer de um jeito que funcione. Quando o silêncio é necessário, ele chega. Quando ele deixa de ser preciso, vai embora. É o timing que Carruth demonstra que faz com que o filme nunca deixe de parecer um sonho lúcido.

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Ao mesmo tempo, quando Jeff entra num bar, a reverberação e a voz abafada do personagem refletem com perfeição o que é conversar num lugar cheio, te trazendo de volta para o mundano, te puxando do sonho. Carruth usa o som como uma ferramenta fundamental da sua poesia, fazendo algumas rimas sonoras belíssimas, como quando o barulho das tiras de papel em que Jeff está mexendo é seguido pelo soprar do vento e você não sabe em que ponto um parou para surgir o outro. A sonoplastia na fantástica sequência da decomposição dos porcos no lago não só cumpre o papel de te situar num ambiente submarino como também realça a beleza que pode existir em algo tão mórbido.

Há quem argumente que a cinematografia é que cria esta atmosfera, mas eu discordo e com prazer. Até porque muito dela não é inédita e Carruth não tenta disfarçar a sua inspiração em Malick. Um dos meus pequenos experimentos antes de escrever este texto foi importar o filme para um software de edição de vídeo e exportar uma versão em preto e branco. Posso dizer que mesmo os momentos mais surrealistas e visualmente inventivos ainda se mantêm impressionantes, mesmo sem o contraste entre as cores pasteis e as fortes. Por mais que a paleta impressione (e por mais que isto vá contra o título do filme), ela não é o indispensável aqui. Eu diria que até mesmo algumas decisões de montagem menores, como os jumpcuts que Carruth usa para assinalar a inquietude dos personagens, são mais obrigatórios.

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O que preservou o sentimento original, e que vai continuar preservando independentemente de quantas vezes eu reveja esse filme, foi o som. Porque ele é fantástico. Enquanto as imagens contam uma história sensível e emocional de ‘menino conhece menina’, o som está lá para adicionar a estranheza e te lembrar de que há uma larva repugnante deslizando por dentro das pessoas. E isso resulta num filme belíssimo e inesquecível.

Os efeitos sonoros de Cores do Destino mesclam o fantástico com o trivial e o que surge é uma ficção científica peculiarmente poética, que desta vez (ao contrário de Primer) pede que o espectador sinta primeiro e pense depois. Nas mãos de outro cineasta, talvez Cores do Destino fosse apenas uma faixa de som ambiente em loop com melodrama musical por baixo, mas não é o que acontece. A distribuição independente do filme permitiu que Carruth o segmentasse para os que conheciam a sua estilística. O próprio material de divulgação do filme, ainda que apelasse bastante para o lado romântico, denunciou bem que algo estranho unia os seus protagonistas. O diretor entendeu a importância que o dinheiro, mesmo que apenas em imagem, tem por trás da arte, chegando até ao ponto de recusar dizer o quanto Cores custou para não repetir a fama que Primer ganhou com a gimmick do baixo orçamento.

O novo filme de Carruth se chamará Oceano Moderno e trará grandes astros (Anne Hathaway, Keanu Reeves, Daniel Radcliffe, Chloe Grace Moretz, Tom Holland, Asa Butterfield e Jeff Goldblum) para contar uma história sobre a expedição internacional de produtos e as vidas dos envolvidos. Parece maluquice, não é? Carruth com um elenco dessa proporção. Será o primeiro filme de Carruth a ser distribuído por uma corporação exterior, no caso a FilmNation (que deve aproveitar o elenco semi-celestial para vender o filme para uma audiência maior). Embora isto tenha me preocupado inicialmente, fiquei um pouco mais tranquilo quando conheci o histórico de filmes distribuídos pela empresa. Além disto, estamos falando de Shane Carruth.

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Sobre o novo título na filmografia de Reichardt, Certas Mulheres, o mistério é menor. O longa segue a vida de várias mulheres (Laura Dern, Michelle Williams, Kristen Stewart e Lily Gladstone) e estreou esse ano em Sundance. Com alguma sorte, o filme chamará a atenção da mídia e do público para a fantástica cineasta que Reichardt é. É sempre legal ter um bom filme com a Michelle Williams, que eu pessoalmente adoro. Como a Reichardt dirige extremamente bem as suas atrizes, Certas Mulheres deve ser um daqueles filmes que vem fazendo as pessoas mudarem de ideia sobre o talento da Kristen Stewart. Os direitos de distribuição foram comprados pela SPWA, e como a Sony tem o costume de investir bastante em filmes menores, Reichardt deve ganhar alguma (merecida) popularidade.

Muita gente acha que o maior problema da indústria está na produção, mas eu acho que os que chegam depois dela tão grandes quanto. Fazer um filme não é tão difícil quanto vender um. E para se promover um filme nos dias de hoje… bem, acho que todos sabemos os aspectos que têm de ser garantidos. Se filmes como O Atalho e Cores do Destino fossem distribuídos por grandes companhias, muito provavelmente seriam promovidos da forma errada, uma vez que em essência já não se encaixem nos parâmetros. Felizmente Reichardt e Carruth conseguiram escapar das diretrizes dos seus gêneros e as pessoas que entraram em contato com os seus filmes foram precisamente as que eles estavam procurando.

Ainda bem que eu fui um dos sortudos.

Enquanto isso, no indecifrável epílogo da mente… 

– Tem vídeo novo do Tony Zhou! O tema é um pouco mais aberto, mas a abordagem ficou espetacular como sempre e os filmes que ele usa como exemplo são dos mais acessíveis possíveis. O cara acompanha o DP/30, é muito bom gosto pra uma pessoa só.

– Eu sei que ficou parecendo que eu tenho algo contra a A24, mas eu acho a empresa brilhante. Fazia algum tempo que um filme não me deixava tão ansioso quanto Swiss Army Man. Aliás, tudo indica que esse ano será magnífico. Tem filme vindo do Jim Jarmusch, do Farhadi, do Herzog e até dos Dardenne.

– Não sei se as conferências TED são muito populares no Brasil, mas eu tenho o costumo de acompanhar o evento. Uma das mais legais que conheço é essa em que o Taika Waititi fala sobre a arte da criatividade. A conferência é bem divertida e O Que Fazemos nas Sombras é uma das comédias mais legais que já vi na minha vida. Recomendo muito, o cara é o Edgar Wright da Nova Zelândia.

– No clima de Cannes, fui ver o meu primeiro filme do Jacques Audiard, que levou a Palma de Ouro com Dheepan: O Refúgio ano passado. Que surpresa! O filme é maravilhoso e me fez ficar ainda mais apaixonado pelo Tahar Rahim. Recomendo muito para quem gosta do clássico drama de crime mas que está com vontade de ver algo com uma pegada um pouco diferente dentro do gênero.

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