“Are we there yet?” – Hastings Ruckle

Spoilers abaixo:

“Nope. We’re getting there. Slowly but surely, we’re getting there.” – Coach Taylor

“Kingdom” foi o retorno de Friday Night Lights à forma depois de dar um passo em falso na semana passada. Sim, muitos de seus méritos foram baseados em algumas das típicas forças da série, como o senso de união, o jogo vibrante, as variadas interações inusitadas que por mais simples que sejam atingem um ponto emocional, diversos personagens tentando conter eventos que saíram de controle… E enquanto a série não foi tão bem sucedida no passado em recuperar conscientemente sua identidade (na maioria das vezes, aconteceu por acidente), aqui, senti muito mais fundação para essas tentativas, com a primeira grande viagem dos Lions e, por consequência, a entrada em um ambiente inimigo que a série poderia se sentir intimidade em abordar.

Nessa premissa, o foco mudou para aqueles personagens e uma análise mais profunda do que eles passaram, o que pretendem atingir, e do quanto precisam uns dos outros para isso. Uma cena em particular, escrita de maneira realista e lindamente executada pelo grupo de atores, foi a na qual os jogadores se encontram, cada um nas sacadas de seus respectivos quartos, somente para conversar, enquanto o Coach Taylor ouve tudo sem ser notado.  Simbolizou tão bem aquele grupo de pessoas e como eles se tornaram uma família, que fez até os momentos estranhos que introduziram eles na quarta temporada valerem a pena. É raro quando séries têm cenas de tamanha qualidade e significado que melhoram outras retroativamente, e essa faz parte desse seleto grupo sem precisar de artifícios, somente usando da simplicidade comum nas temporadas iniciais da série.

O que, aliás, é o ponto principal do episódio. Há um clima de cumprir tabela espalhado por toda a trama futebolística desse ano pois a série não está fazendo rodeios em construir o caminho dos Lions para a final, o que como disse antes, é algo com o qual não tenho problemas por ser apenas uma maneira de exemplificar o espírito da série em sua reta final. A única coisa que poderia acontecer e agir como uma âncora seria a previsibilidade, uma tentativa grandiosa que acabaria soando batida. Felizmente, os roteiristas estão sendo capazes de trabalhar os grandes temas em pequena escala e afastar a simplicidade do previsível, tornando-a apenas familiar. O jogo está recheado disso, afinal, estava claro que os Lions venceriam e mesmo assim fiquei vidrado torcendo pro time, completamente envolvido na tática “é tudo ou nada” do Coach e emocionado pelos pequenos momentos dos personagens que transpareceram ali, com Hastings abandonando o estereótipo e se tornando alguém real, com Buddy Jr. percebendo o que o futebol pode fazer por ele, com Vince liderando a virada e etc.

Estou realmente feliz com a hora pois ela pegou esse grupo de personagens e o transformou em algo real. No ano passado, pensei que gostaria dessas pessoas e me interessaria por suas histórias, mas que eles nunca atingiriam o nível de Jason Street, Smash e tantos outros grandes personagens que fizeram nós nos apaixonarmos por essa fantástica série pra começo de conversa. Agora? Vince, Jess, Luke, Becky e outros… Estou completamente convencido, e ao mesmo tempo, sinto que suas histórias (e dos antigos que certamente irão voltar no clima de temporada final) estão se aproximando de um fim natural. É difícil admitir (foi com tantas séries, será com várias outras) mas é hora de se despedir de Dillon, e a saída do lar detalhada em “Kingdom” foi a maior prova disso.

Outras observações:

– A Tami devia ter rodado uns DVDs da quarta temporada de The Wire durante a sessão de comida chinesa e vinho. Ia colocar aquela professora no clima certo pra melhorar East Dillon High.

– Quer dizer que todo o ponto de mandar Julie para a faculdade e envolvê-la com o TA foi matar tempo até o retorno dela pra casa? Muito entediante e previsível para uma história que, mesmo não sendo o ponto alto da temporada ou até mesmo da personagem, eu estava apreciando (mais pelos temas secundários do que pela execução em si).

– Uma das coisas que FNL quase sempre trata bem é inconsequência, e dessa vez não deixou por menos com os garotos e suas marcas em forma de L. Assim, uma olhada nostálgica para o braço por algum dos personagens se junta a música da abertura tocando na última cena e o “segunda, terça, quarta, quinta e sexta” do piloto na minha lista de coisas que provavelmente acontecerão no tão aguardado series finale.

E se quiser compartilhar críticas, dúvidas, sugestões ou o seu lance favorito do jogo: @mateusb

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