O início do fim.
Após o grandioso episódio passado, o qual reintroduzira Chuck em Supernatural como Deus, era natural que tivéssemos um episódio pautado mais em diálogos. Esse episódio ainda não foi a finale e eu já esperava que não tivéssemos tantos episódios bombásticos em sequência. Deixem as surpresas e acontecimentos incríveis para a finale. Vamos construir toda a tensão e clima para chegar lá.
Assim como em histórias políticas ou de guerra, criar alianças é importantíssimo para conseguir força suficiente para derrotar o inimigo. Não se vence uma batalha sozinho, então nada mais justo do que seguir a estratégia adotada da última vez. Deus derrotou A Escuridão com a ajuda de Lúcifer na primeira vez. Dean querer adotar novamente essa estratégia é o mais sensato a se fazer… Porém, como Chuck dissera, todos esses anos só deve ter piorado Lúcifer. Será que foi mesmo uma boa ideia?
O episódio foi bastante introdutório, mesmo estando na reta final da temporada. Ele também foi usado para amarrar algumas pontas soltas lá da oitava temporada, como Kevin Tran, Metatron e a tábua dos anjos. Finalmente o espírito do jovem profeta foi levado para o Céu, dando um fim um tanto quanto inesperado para seu personagem, mas acredito que agradou a todos pelo carinho que temos por ele e pelo modo como ele morreu. Em relação à Metatron e a tábua dos anjos, uma história alongada demais e que não era mais interessante ser abordada, eles também tiveram um fim, aparentemente. Após a redenção do escriba no episódio anterior, Metatron teve papel fundamental no episódio dessa semana e se despede da série do lado certo da força, além de deixar a tábua dos anjos transcrita para algum feitiço ser usado futuramente.
Com uma justificativa bem rasa do motivo de não ter sido encontrado por Crowley no passado, um novo profeta surgiu, só que com uma interessante ligação com Amara. A neblina é como se fosse o poder de Deus dela e isso concedeu todo o conhecimento para Donatello. Sua introdução na história foi boa, colocando-o a par dessa bagunça gigantesca que é o universo dos Winchesters e deixando uma brecha para seu retorno, o qual com certeza acontecerá. Funcionando como um alívio cômico devido ao seu ceticismo, as piadas e situações foram divertidas, com o trocadilho de seu nome relacionado ao escultor e a Tartaruga Ninja sendo a melhor, talvez.
Em relação a Chuck, Supernatural ainda trabalha na ideia de aceitação dele ser Deus. O episódio anterior foi basicamente sobre isso, porém, Dean e Sam não presenciaram aqueles eventos, então Chuck teve que enfrentar novamente questionamentos sobre suas atitudes no passado. Enquanto Sam estava mais para um fanboy, Dean guardava amargura e rancor pela ausência de Deus nesse tempo todo. Chuck novamente explicou que ele intervia no passado, sim, mas depois de um tempo resolveu deixar as pessoas trilharem seus próprios caminhos, sem sua intervenção direta. Vale citar também que Chuck negou ter transformado em estátua de sal a mulher de Ló (peguei certo a referência?) e também disse que não há problema em não acreditar nele, já que o livre arbítrio estava incluído no “kit”. Acho que essa interpretação vale também para a “vida real”. Fiquem tranquilos, pimpolhos. Se você faz o bem, mesmo não acreditando em Deus, ele se lembrará disso.
Sobre o plano suicida de Deus, realmente não entendo como ele achava que isso poderia dar certo. Está claro que, apesar do problema de Amara ser com ele, ela quer compensar o tempo perdido. Ela jamais pararia por aí e se aquietaria. Ela vai destruir tudo e quer manter Dean consigo. Ela quer que ele seja parte dela, ou como ela disse no episódio de forma bastante estranha, ela o quer “dentro dela”. Não sei o que isso poderia significar. Talvez não seja de um jeito físico e sim espiritual. Como tudo seria destruído e não haveria nada, apenas A Escuridão (literalmente), então só restaria ela e Dean (não em forma física também) para passarem a eternidade juntos. Sinistro, meus amigos!
Agora com Lúcifer como aliado, como será que as coisas vão prosseguir? Novamente, não vejo isso terminando bem, pois apesar do arcanjo ter sido torturado por Amara, sua oposição clara é contra Deus. Eu vejo se formarem três lados nessa batalha final: Deus e seu plano suicida, Amara contra Deus e Lúcifer agindo por conta própria e conforme seus interesses. Anotem o que eu lhes digo: algo pode dar muito errado ainda com esse vilão dormindo no quarto ao lado.
Começando a construir sua reta final, Supernatural nos entregou um bom episódio, com boas interpretações, fim de antigos arcos e personagens, introdução de um novo profeta e uma improvável parceria entre Chuck e Lúcifer. Agora só nos resta esperar pelo melhor e nos preparar para o pior.
OBS.: Lúcifer chama Sam, Metatron e Donatello de Larry, Curly e Moe, sendo uma referência clara aos Três Patetas.
OBS.2: Com a notícia fresquinha (porém um pouco previsível) de que Jeremy Carver está deixando o comando criativo da série após 4 temporadas e os veteranos Robert Singer e Andrew Dabb dividirão o posto de showrunner a partir da 12ª temporada, vejo Supernatural caminhando para seu digno fim, dadas as circunstâncias da trama também. São pessoas que conhecem a história da série e estão trabalhando nela há muito tempo, inclusive Singer é produtor da mesma desde a 1ª temporada. Se você olhar o histórico da série sob o comando de Carver, Singer e Dabb foram pessoas de confiança dele durante todo o período, então provavelmente o tom da série não irá mudar drasticamente.















