Era noite. Frio. São Paulo. Milésimos de segundos após o término do crocantíssimo episódio da nossa série favorita das sextas-feiras, um senhor, velho conhecido do público brasileiro, arrematou, para as tardes da grade de sua emissora, mais um sucesso da sua queridinha Televisa. Os especuladores não ficaram surpresos com a notícia: TVD era, oficialmente, do SBT. E Silvio Santos queria mais, queria que Patrícia Abravanel dublasse a heroína Rayna, e que Damon, pasmem, ficasse a seu cargo. Não satisfeito, Señor Abravanel surpreendeu a todos ao anunciar que traria todo o elenco para o Brasil, para prestigiar a grande estreia. A série iria se iniciar do 7×20 e terminar ali mesmo. SiSi gostou só desse episódio, o resto ele disponibilizaria em plataforma online. Além disso, todo o elenco deveria ser tratado pelo nome do personagem, mais ou menos no esquema do que acontece com as suas novelas infantis. Rayna, a queridinha do patrão, já tinha local cativo garantido em um dos principais telejornais da casa. Estava tudo pronto, bastava uma assinatura. Silvio Santos perdeu as duas mãos em uma partida de xadrez.
Brincadeirinha. Respira. Sisi tá vivíssimo, com uma dorzinha aqui ou ali, mas inteiro. Mas percebam que no conto de terror que eu contei aí em cima o fato de SS perder as mãos foi bastante eficaz para evitar o circo que ele estava armando, certo? Uma solução temporária? Talvez, mas eficiente, afinal, funcionou. Esse episódio de TVD, no mesmo caminho, pode não ser a solução de todos os inúmeros problemas que a série vem passando, mas passou longe do gostinho de Rivotril® das últimas semanas, né não? Estava tudo descendo ladeira abaixo, de uma forma astronômica, quase que uma alegoria da atual fase de Dilma Rousseff, até que surge um episódio que conseguiu fazer até Matt ter um pouquinho da minha atenção (juro!). Mais do que isso, tivemos algo que eu não via desde, mais ou menos, o 7×03: um cliffhanger descente, que me deixou realmente curioso pelos próximos acontecimentos. Tá, OK, eu sei que é esse o papel do cliffhanger, então, os roteiristas não fizeram mais que a obrigação deles, mas meu povo, se antes a gente não tinha nem isso, vamos, junto comigo, de mãos dadas, fazer vistas grossas e curtir esse momento? #Partiu.
Inspiradíssimos nos acontecimentos de La Usurpadora, a equipe de Fogo de Lá Passion nos reservava uma grande surpresa para a reta final da temporada: Rayna Bracho havia sido trocada por sua irmã gêmea, Raynesma Martínez. Lembra dos dias de paz que a Raynesma tanto propagava que nunca havia vivido? Pois bem, Bracho, nos momentos de tédio, obrigava a irmã do bem a ficar em seu lugar e cumprir seu papel na série, enquanto se divertia, às custas de importantes magnatas, em grandes cassinos caribenhos. Ao descobrir que sua hermana estava prometendo por aí a sua última vida xamânica, Rayna retornou a Falls, para fazer valer seus últimos momentos nessas bandas e vingar toda a displicência de Raynesma. E qual é o recurso narrativo mais amado pelos criadores da paletta mexicana? Lá vendetta, é claro.
No meio de tanto vilão bosta com ares de “vilão mais temido de todos os tempos”, Rayna acabou não atingindo seu intento, mas fez muito mais pela história da série do que qualquer outro nessa temporada. Admitamos que as expectativas em relação a ela estavam tão baixas nos últimos dias que qualquer coisinha diferente que ela fizesse já seria o acontecimento do ano, mas, de qualquer modo, caros leitores, finalmente tivemos uma ameaça crível, que realmente nos deixasse apreensivos e curiosos pelo desfecho, sem apelar pelo já mais que batido e inútil recurso do “a sua vida está por um fio”. Durante todo o episódio, Raynesma já vinha dando pistas de que não seguiria à risca o plano de Damon, e cheguei a cogitar que, após toda a matança, Rayna fugiria para nunca mais voltar, enquanto BuenoBueno ficaria refém do Arsenal pela promessa de Damon. Mas estamos falando de Fogo de La Passion, chicos! A gente pediu samba e teve samba.
Já não bastava a sapucada que Damon deu em Enzo naquele papo sincero que eles tiveram sobre arcar com as consequências de suas decisões, mesmo que isso signifique o ódio de Bonnie – o que muito me lembrou aquele diálogo que Damon teve com Stefan na saudosa terceira temporada, logo após a morte de Elena: “Stefan: Sabe que ela o odiaria por isso, certo? / Damon: Sim, mas estaria viva pra me odiar. ” – tivemos Bracho deixando todo seu fardo para a bruxa mais azarada da história e, o melhor, por vingança a Damon e não à Bonnie, o que deixa tudo ainda mais interessante. Teremos mais drama? Sim! Mais mimimi? Sim! Mas, vem cá, o que você espera de uma novela mexicana? Sanidade mental e controle emocional? Papos saudáveis e relações bem resolvidas? Vai ter gritaria, e se reclamar, Plec mandou avisar que traz Elena de volta. Vai vendo.
E para consolidar de vez todo o dramalhão, tivemos la película de Matt Colunga e Penny Gamboa. Eu até poderia dizer que fiquei emocionado com os rumos do acontecimento, mas também, quem não ficaria, né non? Sente o drama da sinopse: recém promovido a Sargento do condado de Falls e recém noivo da senhorita Penny Gamboa, Sr. Colunga não poderia estar em melhor fase. No entanto, Stefan Acordeon, nobre e viúvo, proprietário de grandes terras da região, era assediado com constância por Penny, sem que isso implicasse na quebra de sua incolumidade pueril virginal. Em certa noite, ao perceber que Penny não havia voltado para casa, Matt adentra as terras de Stefan, a fim de pegar algum ato pecaminoso noturno entre os dois. Matt entrou no quarto e, sem pestanejar, tateou a parede em busca do interruptor. Com o acender das luzes, Matt atirou sem pestanejar, acertando Penny, que vestia um gracioso e empoeirado vestido da falecida esposa do senhor Acordeon, que dormia feito um anjo. Estava tudo acabado. Please, don’t stop the drama, TVD. Disso tudo, o que mais me surpreendeu, foi a incapacidade de Matt em perceber que Stefan não teve qualquer culpa com o ocorrido, embora o relatado não acrescente nada à história da série e aos próximos acontecimentos. Vocês acharam que foi muito drama? Percam 4 minutinhos da vida de vocês vendo A MELHOR CENA DE DRAMA EVER DA HISTÓRIA DAS CENAS DE DRAMA:
(Só faltou a menina paraplégica sair correndo por um milagre divino)
Dramas à parte, outra história promissora surgiu. Por óbvio que não deixaram de lado o toque de drama rotineiro que consagrou a série, com aquele papo de que o cofre “acaba com sua compaixão, empatia, capacidade de amaZzzZZz” – mais ou menos como estou me sentido com o WhatsApp bloqueado – mas não se limitou a saídas fáceis de roteiro, no estilo: uma promessa, uma dívida. De fato, há algum vilão destruidor de lares preso naquele cofre e que, provavelmente, dará as caras apenas na próxima temporada – após o processo seletivo de atores de 18 a 35 anos, a ser realizado na sede da Televisa, que você pode se inscrever clicando AQUI – e BonBon fez questão de garantir que ele não saísse da sede da Arsenal. Justo, coerente e a cara de Bonnie. Imagina deixar de viver em um cofre escuro e úmido, para passar o resto da vida em um museu de arte contemporânea e medieval. Preferia estar morto. Uma atitude distante da conveniência habitual que a série tinha se instalado. Ganhou uma estrelinha.
Enfim, só faltam dois episódios para o fim da temporada e não é muito prudente que eu me anime ou fique esperançoso com os rumos dos acontecimentos quando temos uma proporção de 1 bom episódio para 10 ruins. Mas antes isso do que 11 ruins, não é mesmo?
Até semana que vem!
P.S.1: Curiosidade do dia: Paul Wesley dirigiu este episódio e no próximo P.S eu vou explicar como isso contribuiu para os acontecimentos do episódio.
P.S.2:
P.S.3: Por mais que pareça, não eu não sou um aficionado pelo canal Televisa e suas produções. É apenas um momento, me deixa.
P.S.4: Falando nisso, quem está acompanhando a reta final da novela Tereza no SBT?
P.S.5: Enzo, na minha novela mexicana você o burrito.














