Começam as despedidas que suavizam os péssimos rumos que The Good Wife traça para si.

Enquanto assistia o episódio dessa semana da boa esposa, pensava em como algumas decisões foram tomadas no percurso que levou ao iminente fim. Quando os Kings resolveram finalmente sair da zona de conforto do show e quebrarem a ligação entre a firma e Alicia, traçaram um plano de rivalidades entre a nova firma e o antigo emprego da protagonista. Isso, contudo, precisou ser revisto quando Josh Charles resolveu sair e uma reunificação de firmas parecia coerente. Porém, no retorno para a última temporada, os criadores mudaram de ideia novamente e apresentaram a promissora perspectiva de uma Alicia independente.

Foi aí que as coisas começaram a ficar confusas… Não pela decisão, é claro. Acho que para começar uma última temporada, a ideia de seguir com uma protagonista agindo por si mesma num mundo tomado por coletivos era sensacional. Mais do que isso: conhecer o lado nada glamoroso da advocacia pública era uma perspectiva nunca experimentada pelo show e que redimia a personagem do lugar comum de forma brilhante. Mas, existiam outros contratos em vigência – não só o de Julianna – e quanto mais se dedicavam a ela nesse plot individual, mais tornavam a permanência do núcleo da firma irrelevante para a série. Daí, nada mais “responsável” a fazer se não fazer Alicia retornar para seu velho cenário. Sendo assim, impossível não se perguntar porque raios então algumas decisões marcantes são tomadas se não se poderá arcar com elas no futuro?

Deve ter sido a primeira vez depois de muito tempo que um episódio de TGW me levou a algum lugar próximo da emoção nessa derradeira temporada. A dramaturgia do show – que nunca foi complexa na sua espinha – se entregou a um sistema gelatinoso de escolhas e acabou tendo que apelar pro inevitável: a nossa ligação emocional com os personagens. Assim, Party foi um episódio de celebração das relações pessoais de Alicia, o que infelizmente também inclui Jason, que é um símbolo cabal da falta de originalidade dessa equipe que assumiu a criação dos Kings depois que eles foram brincar de zumbi.

Foram 42 minutos dignos, ao menos. O episódio se passou quase todo no apartamento de Alicia, no meio de uma festa de casamento para Howard e Jackie, reunindo o elenco praticamente inteiro e antecipando algumas despedidas que não poderiam se encaixar nas próximas duas últimas semanas, que provavelmente se passarão em torno do julgamento de Peter e do destino amoroso de Alicia. E exatamente por isso – por ser esse um episódio que reúne bons personagens do show – é que acredito que funcionará melhor para mim como Series Finale… Já deixei de ser otimista sobre uma finale realmente poderosa há muito tempo.

Foi um episódio de detalhes. Detalhes que fizeram a diferença e tornaram a experiência divertida e reconfortante. Alguns clássicos do roteiro do show estavam lá, como a confusão com as flores sendo o aspecto “técnico” que ornamentava a trivialidade das cenas e o problema trazido por Zack, que serviu como perspectiva espelhada entre o passado e o presente do casal Florrick. Isso foi bem bacana, porque no fim das contas, as lições sobre casamento dadas pela noiva do filho pródigo ironizaram com a super importância dedicada à instituição. Infelizmente, nenhuma lição aprendida por Alicia nos últimos episódios reverbera nela numa direção que não seja aquela onde está Jason.

Vou dizer mais uma vez: não tenho problema nenhum com Alicia balançando a roseira e também não sou viúva de Will. Minha implicância com Jason tem uma razão muito simples: ele foi encomendado pelos roteiristas com o único propósito de preencher a temporada final com alguma espécie de expectativa amorosa. Isso porque, aparentemente, Alicia precisa continuar se definindo através de um homem. Se ele já estivesse no show, vivendo uma consistente construção de latências, tudo bem. Mas, esse “romance sem o qual Alicia não vive sem” foi bombeado aos 45 do segundo tempo, numa desesperada tentativa de nos convencer de sua importância. E sinceramente? Estou cagando pro Jason. Prefiro Alicia seduzindo e manipulando os homens, do que ficando toda sentida porque o namorado lhe deu um presente insensível. Aquilo parecia um dramalhote saído de uma série teen.

Apesar de saber que o último episódio provavelmente focará na decisão dela entre ficar ou não ao lado de Peter na sua iminente condenação, abstraí a previsibilidade da questão e me deliciei com Marissa e sua carinha feliz que me faz querer sorrir o tempo todo, com Grace aparecendo por alguns instantes e com Veronica lacrando com as melhores tiradas. Owen não fez ou disse quase nada, infelizmente. Diane estava lá, exibindo a ideia da firma só de mulheres como um trunfo que a temporada nem de longe soube usar e Cary deu as caras entregue a mais um plot inútil: o da enésima vez em que Peter é acusado de alguma coisa. Está difícil, senhores… Está difícil. Forte e emocional mesmo, por incrível que pareça, só mesmo os abraços que Marissa deu na sua acidental mentora.

Feitas as despedidas, temos um penúltimo episódio vindo pela frente com a missão de preparar o terreno para o mínimo clímax. Eu, se fosse você que está lendo isso, não me animaria muito. A não ser que Shonda Rhimes invada a sala de roteiristas e providencie uma tragédia chocante, vamos terminar em frente a TV entediados e sonolentos, sonhando com um tempo em que criadores de programas de TV ainda se importavam com suas criações.

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