Enquanto o nome da série se refere aos contos de terror “baratos”, Penny Dreadful é tudo, menos isso. A Londres vitoriana de Vanessa Ives volta um pouco mais melancólica para depois abrir espaço para a esperança, onde o luto foi algo muito presente no episódio, as coisas começaram a ser encaminhadas de forma concisa e cheia de mistérios. Instigando quem retorna para mais uma temporada para saber o que será de Vanessa Ives, Sir Malcom, Ethan e Victor.
Life, for all its anguish, is ours, Miss Ives. It belongs to no other
– Lyle
Vanessa realmente seguiu seu rumo sozinha, inicialmente na casa abandonada do Sir Malcom, ela estava bastante emo gótica trevosa; a cena foi muito bonita, Eva Green conseguiu passar o sofrimento e monotonia de sua personagem, do jeito que só ela sabe. Ela parecia um tipo de animal acuado, isso claramente aponta que sem as pessoas que a amam ao seu redor ela fica extremamente perdida.
Foi uma ótima intro para a visita ao psiquiatra de Lyle, o diálogo travado conseguiu estabelecer em que pé Vanessa se encontra. Enquanto a psiquiatra é perspicaz e tudo que Ms. Ives falava ela rebatia, Vanessa também começou a analisá-la em mesmo ritmo e essa sequência ficou sensacional assim. Essas sessões vão ser uma experiência inspiradora para Vanessa lidar com seus demônios pessoais, ela tem tudo pra se adaptar a todas as situações com a ajuda da descendente de Joan.
A escolta do Ethan no US foi uma boa sequência, a trama poderia facilmente ter sido ignorada pelos produtores, mas escolheram bem em não pular esses fatos. O tiroteio no trem foi bem americano, a cena foi muito bem-feita e o massacre nos dois vagões foi impactante. O rapto do Lupus Dei já era dado como certo, obviamente ele não ia ficar no controle dos US Marshall ou dos britânicos, mas o que vai aguardá-lo pode ser ainda pior. O pai do werewolf não deve ser um tipo pacifico, mandar diversas gangues para “extraditar” o filho não é normal. Já tinha passado da hora desse arco da família Talbot ser desvendado.
A passagem do Sir Malcom na África também foi excelente, o episódio foi bem construído ao separar os personagens por localidades e mostrar o que se passa com cada um deles. A descrição da escravidão na África foi breve, mas notável. Sembene era um personagem de suporte muito bom e sua perda foi sentida, logicamente Sir Malcom ia ser o mais afetado por isso e não deixaram de dar ênfase no luto dele.
O assalto no beco não foi nada clichê, as cenas de luta foram muito boas e o conflito apesar de não ter tido motivos claros, teve uma ótima transição da melancolia de Sir Malcom para a adrenalina que ele tanto procurou na África em seus tempos de expedição. A proposta do índio americano não foi inesperada, só podia ser algo relacionado a Ethan, porém a forma como ele abordou Malcom Murray que fez toda a diferença.
Como sempre, Caliban não chegou perto de ser o auge do episódio. No entanto esse seu novo plot parece promissor, ao passo em que ele não perdeu a visão negativa sobre a humanidade, ele também não consegue se livrar dela. Ao se impor sobre o menino à beira da morte e impedir que outros se aproveitassem da situação, ele mostrou que tem uma natureza bem humana e não a monstruosa que ele pensa ter.
Esse debate da criatura sobre a sua monstruosidade é natural por ele não ser convencional, porém pode ficar cansativo. Tudo o que o personagem precisa é uma boa trama, nem ao menos precisam criar algo para os telespectadores gostarem dele, apenas um arco que seja coerente e mais prático. Ele relembrando sua vida antes de morrer pode vir a ser algo curioso para explorar em seu arco, esse flashback e as lembranças podem formar um plot digno da série.
Victor não poderia faltar em uma première, mas o grande destaque de sua nova trama foi a introdução do Dr. Jekyll. Aparentemente um indiano comum, a postura dele foi bem fria em seu percurso para encontrar Dr. Frankenstein, não dá mesmo para imaginar que ele convive com um monstro diariamente; a expectativa em ver o que a série fará quando o Mr. Hyde surgir é grande, espero que tenham grandes planos para esse plot. A história do médico e do monstro é fascinante, um dos clássicos mais incríveis e ricos para serem explorados, Penny Dreadful acertou muito em inserir mais esse personagem aclamado da literatura de terror gótica na série, ainda mais conectando-o ao Victor.
Além de Jekyll, o zoologista, Dr. Alexander Sweet, parece outra excelente adição. Nem que seja apenas no arco desse episódio, a abordagem dele a Vanessa foi curiosa, charmosa até. A química entre eles fluiu muito bem e se prosseguirem com essa trama talvez saia algo de bom. A animada que Vanessa deu foi perceptível, talvez pela psiquiatra, por Sweet ou até mesmo o conjunto de tudo. A fé perdida junto à partida de Ethan criou uma espécie de luto e letargia que a envolveu na solidão e foi incrível eles começarem o episódio assim para que depois ela pudesse se sentir melhor mais para o final, foi poético até.
O interessante é que todos os personagens estavam infelizes, o grupo é tão dependente um do outro que não é mais capaz de seguir individualmente e sozinho como o Chandler escreveu em sua carta. E, finalmente, vem a o fechamento do episódio e o grande plot twist com o retorno do Conde Drácula. A sequência toda foi fantástica, o suspense por trás do percursor daquele ataque violento e sequestro do secretário da nova psiquiatra de Ms. Ives foi conduzido com maestria.
Where do we begin, Victor?
– Jekyll
Todo o episódio sendo montado na ideia de luto foi brilhante, nada é mais frequente em Penny Dreadful do que a morte e as criaturas da noite, o luto é uma passagem natural nessa questão. Concluindo com o retorno do mestre dos vampiros liderando essa nova temporada que ao que tudo indica será extraordinária, Penny Dreadful continua mostrando como se faz uma série cheia de suspense, terror e personagens maravilhosos com um elenco incrível.
Penny for a Thought 1: essa alternância entre os vampiros e Lúcifer parece interessante. Na primeira temporada o foco no vampirismo, a segunda no Lúcifer e suas enviadas e na terceira novamente nos vampiros.
Penny for a Thought 2: Tennyson foi um barão e poeta inglês, além de algumas citações de sua obra, o mais importante sobre o fato foi a possibilidade de construírem um episódio envolto no clima de luto.















