Assim como aconteceu com Joss Whedon depois de seu primeiro Vingadores, os irmãos Anthony e Joe Russo teriam que se esforçar muito para superar as expectativas após o excelente Capitão América: O Soldado Invernal. Se Whedon falhou ou não com a Era de Ultron não cabe a esse texto decidir, mas a comparação com o segundo filme dos Vingadores é inevitável, pois por mais que elenco e equipe insistam que não, Capitão América: Guerra Civil funciona, sim, como um Vingadores 2.5.
Não que isso seja ruim. Os elementos que tornaram os filmes da superequipe tão bem-sucedidos estão presentes aqui, das lutas entre os heróis ao humor que corta a ação extravagante, mas são tantos personagens que, apesar de ter seu nome no título, Capitão América é obrigado a dividir espaço com, pelo menos, mais onze heróis. O que muda agora é o que está em jogo: um acidente internacional envolvendo os super-heróis dá início ao conflito central da trama, que coloca colegas de equipe contra si mesmos numa batalha muito mais ideológica e emocional do que física.
De um lado, Homem de Ferro encabeça a turma que concorda com os 117 países que assinaram o Tratado de Sokóvia, um documento que limita o poder de ação dos Vingadores, agora comandados por um painel das Nações Unidas. Do outro, Capitão América e aqueles que acreditam que o Tratado fere as liberdades dos heróis e pode transformar a equipe em ferramenta política.
Aos poucos, os roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely levantam questões sobre responsabilidade, liberdade, segurança e confiança. E mesmo sem uma ameaça global a ser evitada pelos Vingadores, esse é o mais tenso dos filmes do universo cinematográfico da Marvel (MCU) até agora. Guerra Civil é o 13º longa do MCU, o que significa que seus personagens já estão delineados o suficiente para que Markus e McFeely consigam partir direto para a história que precisa ser contada. O grande trunfo está em, mesmo assim, preferir focar nos personagens a focar na ação.
Ideologias, sentimentos, atitudes e suas consequências: tudo serve ao propósito maior de contar uma boa história. Assim, quando Tony Stark e Steve Rogers assumem seus lados na rixa, é difícil torcer para que a discussão acabe em briga. Ninguém quer ver os dois amigos lutando, e isso só acontece porque o público já conhece esses personagens há tantos anos.
Mas o que funciona como vantagem também serve de obstáculo para o filme. Responsável por dar início à terceira fase do MCU, apresentar o Pantera Negra e o Homem-Aranha e continuar o arco do Soldado Invernal, além de desenvolver a lógica de todos os envolvidos na questão do subtítulo, Guerra Civil ameaça cansar-nos o tempo todo.
A sorte é que, vindos de comédias de grandes elencos como Arrested Development e Community, os Russo conseguem equilibrar todo esse universo de informações de maneira segura, até mesmo nos momentos mais tensos. Aproveitando cada aspecto da melhor maneira possível – diálogos, ação, edição –, as duas horas e meia de duração não parecem tão longas assim.
Capitão América: Guerra Civil é um excelente filme. Seu maior problema é ser grande demais: mesmo acertando todas as tarefas que precisavam ser cumpridas, ainda fica a sensação de que elas poderiam ser melhor exploradas em filmes diferentes. São tantos personagens em jogo que, inevitavelmente, alguns ficam com menos destaque, por mais que a equipe se esforce para que todos tenham seus próprios arcos. O mesmo acontece com os temas levantados, que não são tão bem desenvolvidos como foram os do filme anterior. Consequências, talvez, de este ser só mais um capítulo no grande esquema da Marvel.
Nada disso, no entanto, tira o mérito dos diretores, roteiristas e do gigantesco elenco. Esse é um filme que merece ser visto na melhor tela de cinema e mais de uma vez, para que seja possível absorver tudo que nos é apresentado, das cenas de ação incríveis (a cena do aeroporto, em particular, é muito maior e melhor do que parece) ao drama que ameaça acabar com os Vingadores que o mundo passou a amar em 2012.
Nessa quinta-feira dia 28 de abril, não perca o segundo texto sobre Guerra Civil com spoilers aqui no Série Maníacos em que vamos mergulhar de cabeça no filme. É hora de analisar os personagens, seus arcos, saber mais sobre Pantera Negra, Homem-Aranha e sobre como fica o MCU a partir de agora. Presta atenção no site e nas nossas redes sociais. Ah, e bom filme!















