Vikings vem se mostrando uma série capaz de fazer inúmeras referências a outros produtos de sua época. Quer um exemplo? Se a ideia de Rollo já parecia chupinhada de Game of Thrones, a surpresa do líquido inflamável e as flechas com fogo subsequentes só nos levaram de volta à batalha do Água Negra. Nesse caso específico, por ser uma série calcada (leeeeevemente) na realidade, eu procurei bastante para verificar se esse plano nórdico de defesa realmente existiu e foi o próprio George R.R. Martin quem se inspirou, como ele gosta de fazer em inúmeros plots de sua história. Contudo não encontrei nada sobre o assunto, me levando a crer que Martin realmente é o autor original da ideia. Além disso, nesse episódio temos uma suruba imaginária vinda diretamente de Sense8! Quem gostou da série da Netflix deve ter visto semelhanças, apesar das diferenças entre as cenas.

Mas falando um pouco melhor sobre a batalha: que frustração. Rollo conseguiu, com duas casas de madeira, praticamente, impedir toda uma horda de nórdicos de avançarem em direção a Paris. Sério, eu fiquei frustrado tanto por Ragnar, quanto por Lagertha, e a inclemência que Rollo mostra ao batalhar contra seu antigo povo dá um pouco de raiva. Essa batalha também foi importante para deixar duas coisas bem claras: 1- Ragnar não é mais o mesmo e nunca vai se recuperar do ferimento que ele adquiriu em sua primeira tentativa de invasão a Paris. Isso é fundamental, pois conseguimos entender melhor os eventos que irão desenrolar em sua queda. 2 – Rollo REALMENTE é mais sagaz do que muitas pessoas o dão crédito, e sua decisão de sair da sombra de seu irmão se mostrou acertada em termos de reconhecimento.

Entre mortos e feridos, houve um salvamento específico, na água, que me parece um perdão. Honestamente, se depois desse evento os dois personagens não se acertarem, essa relação já virou uma enrolação desnecessária. Aliás, que cena linda, com a câmera por cima do ombro de Ragnar enquanto enxergamos o mesmo que o lendário rei escandinavo.

Já a cena do Sense8 me parece uma referência ao fato de que todos os personagens em questão estão conectados por sua proximidade aos seus deuses. Harbard, aliás, (que em outras culturas também pode ser chamado de Zeus, Odin, Boto cor-de-rosa, e tantas outras entidades em diversas culturas diferentes), se mostra um aproveitador-mor, e começamos a entender melhor o modus operandi do bardo.

Falando um pouco mais sobre o núcleo inglês, esse desenrolar dos fatos me parece um pouco estranho pelo seguinte motivo: Não existem motivos! Não está nem um pouco claro qual é a motivação do príncipe Wigstan para iniciar os planos em questão. É apenas um personagem que veio de lugar nenhum e vai para lugar algum. O curioso é que justamente Wigstan foi um príncipe da Mércia que abdicou do seu trono por uma vida de religião, contudo ao tentar incluir esse acontecimento ao mesmo tempo em que Ecbert assume controle da Mércia os roteiristas acabaram deixando o cenário um pouco estranho, ainda que os fatos sejam reais, mas cronologicamente incorretos.

Enfim, esse episódio foi para redimir quem estava achando a série chata! Teve guerra, sexo, intrigas, e até um pouco de chatice. Vikings parece ter entrado em um ótimo ritmo nessa temporada, e aguardamos ansiosos pelos próximos capítulos.

*Nem pro Erlendur morrer, né?

*Agora a gente sabe porque o Ecbert mandou o seu filho para Roma. A glória é DELE.

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