Humanizando os personagens.
Chicago Med voltou do hiato com um episódio que busca humanizar os seus protagonistas. Além disso, tivemos uma discussão jurídica importante: uma pessoa deve ser obrigada e dar provas contra si mesmo?
Vamos aos casos:
1 – Trevor Woodsen – Adolescente suspeito de dirigir bêbado invade uma residência com seu carro e causa um pequeno incêndio.
Esse caso serviu apenas como pano de fundo para desenvolver a trama da prisão de Maggie e sabermos mais sobre o passado de Rhodes. Inclusive, achei descuidado por parte dos roteiristas não sabermos o que aconteceu com o policial que tentou apagar o incêndio causado pelo acidente, já que só o vimos dando entrada junto com o adolescente na Emergência.
Achei interessante CM voltar a trazer um tema polêmico em uma de suas tramas, logo que a questão envolvendo o bafômetro e a retirada de sangue, como no caso do episódio, causa muita divergência sobre a sua legalidade. Afinal, em vários países, inclusive no Brasil, as pessoas tem o direito de não produzir prova contra si mesmo, o que faria testes como esses, inconstitucional. Mas, mesmo assim, foram criadas leis que permitem tais ações, o que gera muita discussão nos tribunais.
Gostei de ver a maneira como os roteiristas não colocaram Maggie como uma mártir sem medo. Afinal, ela apenas seguiu as diretrizes do hospital, e demonstrou frustração ao notar que os advogados não conseguiriam evitar um possível processo por obstrução de investigação policial. Espero ver as consequências desse processo nos próximos episódios.
Apesar de ter gostado dessa parte da história, não gostei da revelação de Rhodes. Achei clichê saber da sua tentativa de comprar drogas com um amigo de um policial disfarçado, bem como que seu pai o salvou de um processo criminal, mesmo que não tenha evitado a punição do amigo. Acho que os roteiristas poderiam ser mais criativos.
2 – Jennifer Baker – mulher com câncer em estágio terminal que Will desobedeceu a sua ordem de não ressuscitação.
Confesso que essa trama do Will e o seu desejo de destruir sua carreira já me cansou.
Achei muito forçado vê-lo tentar, mais uma vez, se envolver no tratamento da paciente que está movendo um processo contra ele e o hospital. Se há um personagem que os roteiristas não conseguem acertar o tom é Will, pois tudo que ele faz é exagerado. No mundo real, uma pessoa com um comportamento tão “kamikaze” não teria conseguido se formar na faculdade, pois já teria feito coisas desse tipo durante o seu internato.
Apesar disso, achei orgânico o fato de Rhodes evitar que o pior dos irmãos Halstead fizesse uma besteira ao abordar sua paciente e contasse que ela estava sendo tratada com o placebo. De certa forma, parecia que ele tentava fazer por Will o que não fez pelo seu amigo que morreu de overdose.
3 – Grace – Bebê com hemorragia na retina e suspeita de abuso infantil.
Se Will é tratado como um maníaco, essa história serviu para humanizar a “santa” Nat. Finalmente vimos a doce pediatra mostrar que não é perfeita por, não só, errar um diagnóstico, mas fazê-lo por demonstrar preconceito contra a mãe da sua paciente.
Achei interessante ver que Nat, assim como a maioria das pessoas fariam, não percebeu o quanto a mãe de Grace estava preocupada e demonstrava carinho por sua filha, pois desaprovava a postura e escolhas de vida feitas por ela.
Outro ponto positivo dessa trama foi o comentário que Sharon fez sobre haver várias agências governamentais prontas para atender um caso de abuso infantil, mas nenhuma para ajudar uma mãe sem recursos com um bebê com uma doença séria. Como já falei em episódios anteriores, fico feliz quando os roteiristas usam uma história para fazer uma crítica ao sistema.
4 – Sr. Dietrich – homem atropelado com suspeita de tendências suicidas.
A trama envolvendo o sr. Dietrich se mostrou bastante irregular. A ideia de ter um paciente com suspeita de tentativa de suicídio é boa, mas a execução dessa trama foi problemática.
Mais uma vez, eu venho reclamar do fato que não gosto de ver o dr. Charles sem fazer nada na Emergência, pronto para diagnosticar um caso psiquiátrico. Acho que esse recurso já foi usado à exaustão. Além disso, imagino que deva ser antiético da parte do psiquiatra se intrometer em atendimentos de outros médicos sem informá-los de suas suspeitas.
Mesmo assim, Oliver Platt deu um show de interpretação ao nos dar sinais, desde a sua primeira cena o episódio, que havia algo de errado com o dr. Charles e que estava convicto do seu diagnóstico do paciente, pois se via no nele. Gostei de descobrir que ele sofre de depressão e quero ver mais dessa história.
Acho que é “chover no molhado”, mas gostei muito da participação de Reese nessa trama. As escolhas de Rachel DiPillo para interpretar a estudante medicina, com olhares sutis e sua linguagem corporal, são interessantes.
Gostei do episódio por ver que os roteiristas estão tentando aprofundar as características dos personagens, nos mostrando seus problemas, erros e falhas. Achei particularmente satisfatório ver que o Dr. Charles, o Mestre Jedi, não é perfeito e sofre de depressão. Apesar de achar que alguns personagens ainda estão sendo mal escritos, caso de Rhodes e Wil, acho que a série está fazendo um bom trabalho em não transformá-los em “super-heróis”.
Observações finais:
1 – Achei estranha a forma como Voight foi retratado nesse episódio. Quem assiste CPD sabe que ele não é o tipo de policial que obedece as regras, ainda mais quando se trata de um amigo.
2 – Eu tenho pena da Zoe. Ela é bonita, parece ser uma boa pessoa, mas não percebe que Will só a procura quando precisa de um favor.
3 – Gostei muito da médica do dr. Charles. Uma mulher que sabe que a melhor dupla de Chicago era Jordan e Pippen, sabe do que está falando.















