Are you running for president?
Estamos com sorte, pessoal. Duas semanas, dois episódios melhores. Merecemos mais? Sim. Acho que isso seja possível? Sim, mesmo que intercalado com aquela semana em que a gente pensa “Onde é que eu fui amarrar meu burro?”. O fato é que Pencils down levou os enredos que estavam sendo até então preparados e articulados para frente. Tem temperos novos, tem gente nova, tem personagem ressuscitado… Tem coisas legais para falar, então vamos lá que hoje não vai ser só a reclamação de sempre.
O episódio foi completamente voltado para o início da corrida presidencial. Do lado republicano, nenhuma grande novidade, mas muito desenvolvimento. O grande gatilho usado no episódio foi a preparação para o primeiro debate entre os candidatos. Temos Mellie sofrendo as duras penas de ser uma mulher que não reconhece seus privilégios e não entende o poder da vulnerabilidade quando o assunto é ser amado. Muito mais do que um candidato competente e com o foco nas causas certas, se o presidente não tiver a “cara da gente” a coisa desanda. E Mellie não é a “cara da gente”, é o busto perfeito do 1%, é a definição de elite. Olivia, em uma tentativa de recuperar essa imagem, mete os burros n’água com a ação Getty’s Burger em que Mellie é pega em uma mentira deslavada. Temos Hollis que, sendo Hollis, leva tudo na maior onda: preparação para debate é para os fracos, vou ficar aqui de boas, atirando e defumando um bacon na própria arma.
E aí temos Susan. A gente já conhece quem ela é politicamente, não precisamos vê-la treinar os argumentos e descobrir a sua persona pública. O povo já sabe o que esperar dela e isso já é razão suficiente para amá-la ou odiá-la. O que tinha que ser desenrolado era o triângulo Susan-David-Liz. Já expressei mais de uma vez o meu desprezo por essa história baseada em uma dinâmica de intimidação tão Ensino Médio. Mas achei que a resolução foi ótima: Susan se deu conta que ela não precisa ser a tonta que chora largada por qualquer um da mesma maneira que ela percebeu que não precisa manter um vício só por causa de uma memória do passado. Liz acaba sendo largada por alguém que ela considera aquém do seu nível e sente a dor de ter se apegado. E David… ah, David. Nunca ouviu falar em “é melhor um pássaro na mão do que dois voando”? Agora vai ter que correr atrás do prejuízo, queridão.
As boas novidades vieram do lado democrata da corrida. Até então, tínhamos apenas Vargas, o herói nacional do momento, que mal sabíamos ter um irmão do lado negro da força para que ele pudesse ser o bom Jedi. Ver o irmão de Vargas dar um discurso inflamado para a equipe de campanha e ainda assim ter a mente estratégica ao procurar os segredos do oponente me fez sorrir ao pensar que Cyrus vai ter que pular miudinho para continuar nessa. Ah, e o oponente? Ninguém menos do que Edison, o ex-namorado senador de Olivia. E essa nem foi a maior surpresa.
A maior surpresa foi descobrir que o plano de Jake ao noivar com Vanessa tem a ver com a corrida presidencial e com Edison, já que ele foi o candidato escolhido para representar Papa Pope e seus motivos escusos na Casa Branca. Bom saber que a série ainda quer manter a figura de Rowan como o sedutor infalível, que consegue corromper até o mais bonzinho dos namorados de sua filha. A boa notícia dessa história toda é que Olivia finalmente montou o quebra-cabeça e agora vai poder deixar sua obsessão com Jake para trás e focar em ganhar a nomeação de candidato à presidência do partido republicano para Mellie.
Uma de suas estratégias para isso é trocar favores com o Vargas do mal. Segredos de Edison por segredos de Susan… Mas algo me diz que os termos mal pre-determinados deixaram Olivia no prejuízo. Veremos.
Ser fã de Scandal é… reclamar muito quando a série faz cagada, mas reconhecer quando faz uma boa jogada. É amar a montanha russa, a inconsistência, os altos e baixos. Poderia ser diferente? Sim. Mas a gente tem que trabalhar com o que tem. E essa semana valeu a pena.






















