Ninguém é o que parece.

Será que é uma boa comédia familiar vindo aí? A trama parece simples (e é).  Uma família, aparentemente comum e pelos seus trabalhos na Igreja, que é até abençoada com um halo iluminado enquanto jantam – com o próprio Jesus – num restaurante. Contudo, aquilo é só fachada, e todo mundo tem um segredo que esconde do seio familiar. Os pais estão em terapia há um ano, e pensam em se divorciar. O filho mais velho é anoréxico, a filha rouba o dinheiro que junta, a base de chantagens emocionais e dogmáticas, para a caridade, e o outro filho é gay.

Este último, por sua vez, é talvez o protagonista da série, já que o seu segredo escondido parece ser o “pior” de toda a família. A mãe nem consegue falar que o filho é homossexual, ainda insiste em testes sobre a sua sexualidade (tal como fez com ele para experimentar mamão) e o pai faz piadas homofóbicas, na tentativa de quebrar o gelo entre os dois. A falsa namorada dele também rende momentos engraçados no segundo episódio, enquanto a mãe impede que o filho conte para ela toda a verdade.

As atuações são caricatas, mas sem perder o brilho do apreço familiar entre as personagens. Elas estão no contexto da comédia que é entregue nos seus vinte minutos em tela. Não esperava que a série levantasse questões tão importantes, logo no primeiro dia de exibição, mas já conseguimos uma boa cena com a mãe falando sobre a família ser “normal”. Jodi, a agregada da família que completa o clã, é um alívio cômico engraçado e competente em fazer rir de suas patacoadas.

Matha Plimpton possui um timing de comédia invejável, e o resto dos atores que compõem sua família também não fica atrás, nos entregando cenas divertidas e com alto nível de vergonha alheia. Como por exemplo, todos levando o barco até o carro e a menina não ajudando porque não alcançava. Sério, eu rio por bobeira, e nessa tive até que parar o vídeo para me acalmar.

Parafraseando uma das falas da conversa mais incomum entre pai (vale dizer que é o Jay R. Ferguson de Mad Men) e filho numa jacuzzi – a sopa do diabo: será que vai funcionar esse estilo em todos os episódios? A comédia é rápida e todas as suas referências são visuais, ou seja, não fica aquela coisa batida, ou que pode passar sem perceber. F       ala de Jesus, ele está ali na mesa, fala de Will & Grace, vem a claque, o cenário e a abertura, e a melhor referência dos dois episódios de estreia: fala do Jimmy Kimmel, ele aparece fazendo uma cameo improvável.

Resumindo, a série é boa e os personagens são carismáticos. Agora, se ela nos entregar, a cada semana, episódios com essa dose de cinismo e sarcasmo, sabendo rir de si mesma, todos com essa identidade visual que construiu nos dois primeiros episódios com referências e sua edição rápida, e por vezes, trazendo até algumas cenas comoventes, ela tem tudo para ser um novo sucesso.

Eu gostei muito do que vi. E aí, o que acharam?

Os últimos conselhos do modelo no espelho:

– Aquela imagem de Nossa Senhora no vaso sanitário para evitar qualquer você-sabe-o-quê. Foi outro momento que tive que parar o vídeo para rir.

– A foto no espelho da festa a fantasia, onde eles foram de Justin Bieber e Selena Gomez: impagável.

– Melhor quote: “Então você ouve as músicas da Katy Perry porque você gosta e não porque ela é gostosa?”.

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