Vixen chega para elevar a tensão, naquele que eu considero o melhor episódio desta temporada de Arrow.
Muita coisa aconteceu durante Taken, mas uma representou bem todo o ar da semana para as séries da DC CW. Muito trabalho e esforço em aparar arestas da trama e entregar o máximo de cada personagem secundário, sem atrapalhar o desenvolvimento do principal. Infelizmente John Constantine estava no inferno, mas por sorte a existência de Vixen cumpriu bem o papel de casar magia e ação de forma a finalmente termos a equipe do Arqueiro subjugando o vilão, Damien Dahrk. Mesmo algumas falas superficiais e algumas cenas cheias de clichê não conseguiram colocar para baixo um dos pontos mais altos da atual temporada da série do Arqueiro Verde.
Sem esse colar eu sou apenas uma fashion designer que vive com seu pai adotivo”
Para situar os telespectadores que não tiveram contato com a animação Vixen, a série acabou inserindo algumas falas bem fraquinhas para a competente, mas ainda crua no quesito super-herói, Megalyn Echikunwoke. Não é nada extremamente grave, ao contrário, quando levamos em consideração a bagunça que Arrow e Flash fizeram para introduzir a Mulher-Gavião e o Gavião Negro, eu até agradeço o fato de não terem feito pior. O que realmente importa é que a personagem conseguiu traduzir bem a presença de magia dentro do episódio. Já estava ficando extremamente cansativo ver Dahrk utilizando sempre o mesmo padrão para anular os esforços do Arqueiro e equipe. Se o que precisavam era alguém com domínio sobre o fantástico para vencer, que bom que o fizeram através de uma cena competente como a da Vixen utilizando vários espíritos animais para quebrar o totem místico. E quando Damien percebeu que estava sem poderes, eu ri. Então se a derrocada do vilão me trouxe satisfação, significa que a construção da cena foi boa. Não posso dizer o oposto.
Quem também apareceu para concluir tramas foi Malcolm. Willa Holland é uma atriz competente e excede as expectativas quando está atuando ao lado de Jon Barrowman, que de tão talentoso eleva a carga dramática de qualquer interação com o time Arrow. Por isso, o discurso entre pai e filha conseguiu fechar com chave de ouro a trama de dois personagens que começou lá no final da segunda temporada da série. Ambos passaram por muito juntos, mas apenas porque Thea conseguia ver características de redenção para o pai. Hoje, após o sequestro de uma criança, em uma atitude completamente egoísta, Thea pôde se desfazer das amarras deste relacionamento abusivo, um processo lento que já havia começado a ganhar um esboço após a morte de Sara. Neste momento, porém, apenas o retorno do próprio Robert Queen através das mãos de Malcolm será capaz de garantir ao personagem mais um perdão. Espero.

Agora chegou a hora de comentar a respeito da história de Oliver e Felicity dentro de Taken. Durante toda a trama do episódio anterior eu falei que não existiam motivos para que Oliver escondesse da noiva a existência do filho, além de ter falado a respeito da minha incapacidade de ver na hacker um comportamento oposto ao que ela havia demonstrado para a mãe. E não é que o roteiro conseguiu me fazer compreender toda a revolta da personagem e entender exatamente quão decepcionada ela ficou? Posso estar nadando contra a correnteza, mas achei muito madura a atitude de ambos, tanto Oliver quanto Felicity. O homem que fez o que achava certo pelo filho e a mulher que decidiu sair (andando) de um relacionamento em que ela não era digna de confiança. Se ninguém, absolutamente ninguém, soubesse da existência de William, eu acho que a Felicity não teria saído, especialmente após a conversa entre ela e Samantha. Do jeito que tudo aconteceu ela precisaria ser totalmente fria e desligada de emoções humanas para continuar ao lado de alguém que não a considerou nem mesmo após a revelação da paternidade. Tudo bem que ele não contou para ninguém e essas pessoas descobriram, mas não teria sido esse o sinal de que uma hora tudo iria explodir e que a noiva descobriria? E explodiu. Felicity descobriu da pior forma possível.
É complicadíssimo tirar o crédito de um e colocar totalmente no outro. Analisando friamente existiram exageros de ambas as partes. Felicity ao querer participar na decisão de criação do William, e Oliver, que após tantos discursos de confiança e fazer o que é certo, escolheu novamente deixar a mulher que ama do lado de fora. Todo mundo ali teve motivos plausíveis para agir da maneira que agiram. Não me incomodo com a presença de casais dentro de séries, na verdade, Arrow está fazendo aquilo que pedimos por muito tempo. O problema é que assim como Lois & Clark, a série perdeu muito da tensão e emoção quando uniu o casal principal e atendeu o desejo de quem torcia por isso. O erro começou na hora de criar histórias interessantes após o enlace. Arrow pode ter escorregado ao negligenciar o restante de seu elenco, mas construiu um casal muito forte de protagonistas. E eu gostei e continuo gostando da trajetória dos dois. Talvez o erro não seja manter o foco em cima do casal, mas sim a presença de tantos coadjuvantes. Será que se não existissem Thea e Laurel, por exemplo, reclamaríamos tanto do destaque dado a Felicity?
Tudo bem, colocar a personagem para voltar a andar no momento em que ela decide abandonar o Oliver foi um pouco forçado demais, mas estamos lidando com magia, poderes paranormais, amuletos místicos. Acho que uma cena de impacto emocional através de uma ferramenta clichê é o mínimo que a série já fez com seu roteiro. O resumo da história é que desde o primeiro episódio dessa temporada o casal está fora de sintonia. Oliver queria “brincar de casinha”, Felicity queria continuar a vida de vigilante. Ele estava feliz. Ela não. Acontece que a proposta de ser um herói não é a de lutar para sempre, mas lutar hoje para não precisar lutar amanhã. Se como casal eles não estavam funcionando da maneira esperada enquanto pessoas comuns, o heroísmo acabou sendo utilizado para completar uma lacuna. Oliver e Felicity nunca tiveram uma chance de realmente testar os limites do relacionamento. Enquanto tiros chovem, homens com poderes aparecem e tantas outras coisas, não sobra espaço para que um conheça o outro da maneira que eles precisavam. Que o tempo faça bem para todas as partes envolvidas – Especialmente para produtores e roteiristas.
Outra personagem que agiu perfeitamente e garantiu um momento breve, mas ótimo, foi Laurel. Este décimo quinto episódio foi tão cheio e abarrotado de elementos fantásticos, que um abraço e uma cena enquanto Oliver discursava a respeito da posição de pais e filhos, com Lance e Laurel jantando juntos, já foi o suficiente para garantir um momento de intimidade que faz falta dentro de produções do gênero. É bom ver que essas pessoas humanas continuam sendo humanas depois de seus atos heroicos. Existe uma profundidade muito grande quando conseguimos tirar a capa e ainda se importar e compreender porque eles lutam. Supergirl o faz através de jogos de tabuleiro, comida e maratona de séries. Flash constrói sua intimidade com encontros familiares e doses de café no bar local. Arrow quase não permite espaço para tal. Quando o faz, somos bombardeados por informações complexas demais. Isso quando essas folgas não soam como obrigação.
Ou seja, muita coisa aconteceu durante este episódio de Arrow, mas muita coisa mesmo. E o melhor é perceber que mesmo abarrotado, não existiram momentos em que a força foi perdida, ou que o foco desapareceu. Foram diálogos, ação, a inclusão de uma personagem carismática e com uma função dentro do episódio, um padrão que só havia garantido satisfação lá na introdução de Constantine. A barra ainda não está limpa, mas algo interessante nasceu através de Taken. Uma fagulha que eu estou disposto a perseguir e torcendo para que ela termine em um grande incêndio. O Arqueiro Verde está precisando de algo que realmente force um ritmo diferente. Viver de vilões caricatos, mas sem um objetivo interessante, ou um texto às vezes perdido, não está conseguindo conquistar bons frutos para a série. Pouco a pouco a história está perdida e foi bom perceber que através de Vixen, a primeira heroína negra da DC Comics, ela conseguiu encontrar um norte.
Easter eggs e outras informações
– Existe um filme estrelado por Liam Neeson, em que sua filha é sequestrada e ele faz o possível e impossível para regatá-la. O nome do filme é Taken.
– Nos quadrinhos o filho do Oliver atende pelo nome Connor e não William. Connor fez seu debut em Legends of Tomorrow, no episódio de número 5, Fail-Safe, além de ter maior destaque em Star City 2046.
– Veja que interessante, as mesmas falas que a Felicity usou neste episódio, foram utilizadas pela personagem para romper o relacionamento com o Oliver durante o crossover com o Flash. O motivo? Exatamente o mesmo, só que alterado pela viagem no tempo feita pelo Corredor Escarlate, que apagou a descoberta da hacker.
– Constantine já esteve no inferno antes e é recorrente tê-lo visitando os poços de lava e enxofre na nona arte.
– Para quem não sabe, Vixen já teve um encontro com o Arqueiro Verde e o Flash, durante a animação homônima da CW Seed, serviço de streaming do canal CW. Foi exatamente por isso que Oliver fez menção a um “encontro animado”.
– Vixen é a primeira personagem negra criada pela DC Comics e teve seu debut em Action Comics #521, de 1981. A personagem já participou da Liga da Justiça, Esquadrão Suicida, Birds of Prey e Xeque-Mate. Seus poderes derivam do amuleto criado por Anansi, a Aranha, deus africano e que já até apareceu na animação Super Choque.
– Para quem não acompanha The Flash: durante o episódio dessa semana Lyla e Diggle fizeram uma visita ao Corredor Escarlate, em Central City. Lyla agora é a diretora da ARGUS e foi solicitar a ajuda do Flash para recapturar o Rei Tubarão, que estava sendo mantido preso pela Amanda Waller. E sabe o que é mais interessante? Diggle reclamou do capacete para o Cisco Ramon e o cara prometeu um upgrade. Pode comemorar.
– Arrow volta com episódios inéditos no dia 23 de março.














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