Uma gota de esperança em um mar de contradições.
Eis que TVD adentra em uma fase bastante comum em quase todas as temporadas da série, uma espécie de limbo que intermedeia a busca de um fim para a história que contava, ao mesmo tempo em que tenta introduzir um recomeço para os protagonistas, sem, contudo, desvincular as duas metades do todo. Foi assim com a introdução de Kai, na temporada passada, e está sendo assim com a chegada daquela que promete ser a bitch que você quer odiar. Ela tem uma espada, gente. Nós vamos amar odiá-la, vai por mim. Pois bem, para essa transição soar coerente, os roteiristas entenderam que, de alguma forma, a vilã deveria já ter tido alguma relação com as atuais tentativas de vilões, usando o xis em Beau como o pretexto para tanto. Funcionou, trouxeram a vingadora de volta (eu preciso dizer o tanto que eu me segurei pra não fazer qualquer piadinha infame com a música do Carnaval desse ano?), mas esqueceram-se de deixar o principal motivo catalisador de tanta raiva reprimida: Julian.
Entre matar ou aprisionar o algoz de seu pai em uma pedra com direito a loppings infinitos de dias ruins, Rayna decidiu pelo segundo, o que apenas não se perpetuou graças à magia dos hereges que retiraram Julian daí. Então, dentro dessa dinâmica, quem por direito e merecidamente devia ter dado cabo da vida de Julian? Mesmo que Stefan tivesse os mais diversos motivos infanticidas de se vingar de Julian, a fins de enredo, a morte do personagem foi totalmente anticlímax. Longe de uma situação de perigo, Stefan resolveu enumerar tudo que Julian já o causou e, de uma maneira que poderia ter sido usada há vários episódios, terminou com uma situação que já não interessava tanto. O máximo que Julian fazia a essa altura, era controlar um bando de arruaceiros, em uma cidade largada à própria falta de sorte. Se a cargo de Rayna – e a revenge por ter matado o próprio pai – o plot, certamente, teria proporcionado o impacto que merecia e, ainda, atribuiria à personagem mais uma caçada bem sucedida. É a velha máxima de TVD: tudo aos protagonistas, boa sorte ao demais.
De qualquer forma, Rayna, enfim, trouxe a novidade que a série precisava, afastando, em seu tempo de exibição, todas aquelas cenas que sabíamos que não daria em nada, por sabermos o futuro da série. Primeiramente, devemos considerar que a dona da espada faiscante no asfalto mudou, consideravelmente, seu modus operandi: depois de ter tido sua espada roubada, não tem mais esse papo de ir pra dentro da phoenix, agora é dá-lhe apunhalada e taca-lhe fogo pra não deixar resquícios. Mundo prisão é assunto da 6ª temporada, minha gente. Aliás, não serão mais do que dois episódios para que Mary, Nora e Valerie tomem o mesmo destino de Beau. Então, in memorian, a eles, os hereges, o Verbena de Ouro de piores vilões da história desse Diário. Por outro lado, como tem sido com certa constância, nem tudo fez muita lógica nos flashbacks da vilã: usando-se da possibilidade de criar o necessário para fazer aquilo que foi dito uma verdade, uma espécie de clã/tribo foi introduzida na história apenas para justificar o fato de nenhuma magia funcionar em Rayna e o fato dela ter vários e vários anos de vida. São informações que são inseridas apenas a fim de justificar o quão a nova vilã é “fodástica”, mas que se sustentam apenas enquanto são necessárias ao enredo. Ou você acha que vamos ouvir falar de bruxos-vampiros daqui pra frente? GreenPeace pira com mais essa extinção.
Por fim, tivemos o resto, ou seja, tudo aquilo que foi debatido na review passada, uma sequência de situações com final pré-determinado. De verdade, chega a ser cômico e, ao mesmo tempo, um desafio à boa memória do público, colocar Stefan reproduzindo frases do tipo “Tudo ficará bem com você e os bebês, Caroline”. Cê jura? Porque a intenção não é que Caroline acredite naquilo, mas, sim, que nos agarremos, junto com ela, na confiança com que Stefan disse aquelas palavras. Mas não temos qualquer apreensão em relação a isso. E quanto à Bonnie e os infindáveis questionamentos sobre o porquê de Damon e Stefan estarem de mal um do outro, sendo que, no final das contas, não tivemos nem um chororô dela, pelo menos até ele descobrir que foi apenas uma visão. Perda de tempo. Repito, repito o que não precisava ser repetido, mas que se não for dito, acaba restringindo a review à Rayna. E a cota de caracteres mínimos do texto, como que fica? Tá, isso não existe, mas querer criar momentos de tensão com os batimentos cardíacos alterados, ou com o bisturi voando e impedindo o parto, ou com a aproximação de Rayna ao hospital, também não existe, ou ao menos não deveria existir numa série que quer ser levada a sério, no melhor sentido da palavra.
P.S.1: Krystal, com K, de Kenga.
P.S.2: Uma garrafa de whisky e Damon ainda se lembrava do nome da garota. Más notícias, Elena, mas acho que tem uma cabeça nessa galhada que cresceu aí.
P.S.3: Eis que estou em um ritual satânico e várias pessoas começam a se apunhalar para me darem seus anos de vida. Depois de uns oito mortos, eu digo, com voz trêmula e um tom arrependido, que “não era isso que eu queria”. Rayna, vem cá, toma um paracetaloka.
P.S.4: Gente, o Beau gostava de cantar. Deu dó, mas eu ri.
P.S.5: Se alguém entrar na minha cabeça em momentos de tensão, só pra me acalmar, a conta é certa: tô lascado.
P.S.6: Eu ainda não superei aquela barriga de grávida da Caroline. Tão natural quanto à luz do dia.
P.S.7: Stefan apunhalado. Damon de boa. Voltamos a nossa programação normal.















