O poder da lealdade em seu mais elevado grau.

Live To Fight foi um belo episódio de Suits, mostrando que de fato este bloco de seis episódios nessa mid season promete! Digo isto, levando em conta não apenas o ritmo acelerado (no bom sentido do termo), como também a coesão demonstrada. Diversos plots passados ressurgiram aqui, de forma bem entremeada com o arco da investigação sobre a fraude. Todos nossos personagens não apenas se envolveram com a fraude na qualidade de cúmplices, mas de fato tiveram sua parcela de sacrifício pessoal e afetivo.

Tal sacrifício foi maior no caso de Donna, que justamente recebeu a ênfase do episódio.  Com direito a um flashback com uma adorável Little Donna – que teve que abrir mão da carreira artística, em função da bancarrota de seu pai.  Por mais super-heroína que Donna seja, seu pai sempre foi sua kriptonita. E agora, Anita Gibbs desenterra um caso ocorrido sete anos atrás a fim de coagir Donna a entregar Harvey.

Promotores com atitudes antiéticas e implacáveis não são propriamente uma novidade. Mas o ímpeto da promotora Gibbs é notável. Ela está vindo com tudo para cima da Pearson Specter Litt. Sabiamente, Jessica se precaveu, trazendo à cena novamente Jeff Malone – de quem ela abriu mão no passado exatamente para preservar o segredo. Dentre os grandes diálogos do episódio, o embate entre Mike e Jeff em torno da troca das cartas (de Jessica e de Rachel) foi um dos mais profundos e reflexivos. Sim, pois Jessica antagonizou bastante com Mike ao longo destes anos e de fato esteve perto de jogá-lo aos leões em alguns momentos. Mas – como Jeff faz questão de deixar explícito – Jessica também soube confiar e valorizar o menino prodígio que abrigara em sua firma.

Outro grande diálogo ocorreu entre Donna e Rachel, na qual as duas, sempre tão companheiras, descarregaram a tensão do momento em uma troca de acusações, só que não. Neste episódio, o texto voltou a acenar com a alternativa de entregar Harvey e Jessica (não apenas para Mike, mas agora também com Donna). Perceba-se que o texto, apenas como forma de reafirmar a lealdade entre todas as peças desta verdadeira “família” formada por nossas personagens.

A série optou acertadamente por não alongar o mistério do responsável pela fraude e… Eu estava totalmente certo! Sheila Sazs, a burocrata mais adorável de Harvard, retornou às suas suspeitas sobre Mike Ross e foi a responsável pela denúncia feita à Promotoria. Totalmente verossímil a solução apresentada e, lamentavelmente, motivada por um erro de Gretchen, ao solicitar à Revista da Ordem que fizesse uma matéria sobre a ascensão meteórica de Mike a partner.

Retornamos aqui à lealdade. A motivação de Sheila é tão cegamente racional quanto inspirada por sua lealdade ao bom nome de Harvard. É interessante que a “X-9” de Mike não seja motivada por vingança ou por motivos de vantagem pessoal (como, por exemplo, poderia ocorrer com Claire ou Logan Sanders), senão por motivos nobres, à sua maneira. Inevitável nos compadecermos de Louis diante da constatação que a lealdade de sua amada à sua instituição é maior que a ele.

E Jack Soloff? Cadê? Enviou a viola no saco assim tão fácil? Bastante conveniente, mas aquela chantagem meio torta do Mike episódio passado não pode ter colado assim! Creio que teremos novos movimentos do antagonista da vez nas semanas seguintes.

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