Um elenco forte é o segredo de uma série médica de sucesso.

Após um episódio irregular, os roteiristas de Chicago Med decidiram diversificar o foco. Assim, tivemos Choi e Sarah como destaques das melhores tramas de “Reunion”.

Vamos aos casos:

1 – Adolescente admitida com problema respiratório e histórico de doença rara.

O caso de Michelle foi um dos mais pesados de CM até o momento. Imaginar que é possível uma adolescente criar, mesmo que de forma inconsciente, uma doença e sintomas para ser o foco de atenção do seu pai é algo assustador. Ainda mais preocupante é o fato que tal situação pode ser parcialmente causada pelo pai, mesmo que involuntariamente.

Eu achei interessante a discussão sobre os limites éticos que um médico tem que respeitar ao tratar um paciente. Afinal, o que o dr. Charles e Will fizeram, por mais que possa ser considerado justificável, desrespeitou o direito de privacidade da paciente bem como poderia prejudicar a posição de Nat por ser a médica responsável pelo caso.

Acredito, no entanto, que o tom da trama tenha sido um pouco exagerado. Já que o pai demonstrava uma postura demasiadamente agressiva, e todo o “circo” criado com a presença dos seguranças, e posteriormente policiais, pudesse ter sido evitado se houvesse uma tentativa mais insistente de diálogo com ele.

Outro ponto negativo nessa trama foi a ideia de que um pai tão preocupado com a saúde de sua filha, ainda mais depois da perda da esposa para o câncer, confiar em um diagnóstico feito pela internet sem a confirmação posterior de um médico.

2 – Suboficial da marinha com suspeita de câncer no cólon.

Gostei de ver que os roteiristas decidiram continuar a fazer críticas ao sistema de saúde americano com o caso do senhor Mason. Afinal, é uma ironia absurda um país que se orgulha de gastar bilhões de dólares em suas forças armadas, ter hospitais para veteranos incapazes de providenciar uma tomografia em tempo hábil para diagnosticar câncer em um militar aposentado.

Gostei da sutileza que os roteiristas tiveram para nos fazer perceber que a dra. Glass, que atendeu o sr. Mason no hospital dos veteranos, havia “orientado” ele a procurar outro hospital, pois sabia que sua vida poderia estar correndo risco. Achei que houve uma química interessante entre ela e Choi, e espero voltar a vê-la no futuro.

3 – Príncipe árabe vai ao Chicago Med para sofrer uma cirurgia cardíaca com um cirurgião excêntrico.

Essa trama, que deve ser desenvolvida nos próximos episódios, só serviu para apresentar o dr. Downey, um renomado cirurgião cardíaco com hábitos inusitados.

Não precisa ser nenhum gênio para saber que a sua abordagem, por mais diferente que tenha sido, aconteceu porque ele tem interesse em fazer de Rhodes seu aprendiz. Até o momento não achei a ideia muito empolgante, mas Gregg Henry é um bom ator, então estou dando um voto de confiança para essa trama.

Não sei se é implicância minha, mas notei um tom de inveja ao ver Zanetti perguntar a Rhodes o que Downey queria com ele. Será o fim do “casal perfeito” de CM?

3 – Estudante universitária bêbada.

A trama envolvendo Amy, a estudante bêbada trazida por sua melhor amiga, foi uma grata surpresa. Em princípio, eu pensei que a doença seria tratada de forma secundária em relação aos problemas no relacionamento de Sarah e Joey.

Contrariando essa minha impressão, essa história serviu para mostrar o quanto Sarah está se desenvolvendo rapidamente, e tem todo o potencial para se tornar uma grande médica. Fiquei com a impressão que a forma como ela chegou ao diagnóstico da doença de Lyme foi inspirada na série House. Afinal, ela faz diversos exames e só depois de descobrir que sua paciente estava mentindo, fato que ocorria sempre em House, ela tem uma epifania ao ver a picada de aranha que Joey recebeu e finalmente conseguiu achar a resposta.

Também gostei de ver a forma como Rhodes a ajudou a encontrar o caminho para diagnosticar a sua paciente, parece que ele está se tornando um mentor para ela.

Apesar do tom um pouco exagerado na trama de Michelle, gostei do restante do episódio. Acredito que os roteiristas tiveram uma excelente ideia de desviar o foco de Rhodes, com seu drama familiar, e acertaram ao explorar o passado de Choi e dar uma chance de vermos a evolução de Sarah. Confesso que estou admirado com a postura da produção de fazer uso de uma série tão mainstream para criticar ao sistema de saúde americano.

Observações finais:

1 – Achei impressionante Nat retornar ao trabalho após um mês do nascimento do seu filho. Gostei de ver como os roteiristas trataram a sua preocupação com Owen e o sentimento de culpa que ela tem por ter retornado tão cedo. Imagino o quanto deve ser difícil para uma mãe deixar o seu bebê em casa após o primeiro mês do seu nascimento.

2 – Eu fico imaginando o número de likes que April deve receber diariamente no seu Tinder genérico. Isso é para o Severide aprender a não pisar na bola.

3 – Confesso que estou bem satisfeito com o relacionamento de Sarah e Joey. Por mais que eles tenham tido seus problemas, eles formam o melhor casal da série até agora.

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