Com um episódio mais lento do que o piloto, Outsiders mostra que não se perde quando o assunto é desenvolver personagens.
Quando o foco no protagonista Asa Farrel se desenvolve, percebemos que há um grupo que o apoia mesmo com toda a lei que o repreende naquele clã. O conflito dele com o novo chefe Big Foster pode render muito mais do esse velho tema clichê de vingança que parece prevalecer.
Isso porque Big Foster não tem, muito menos parece ter, poder para comandar aquela tribo, sua raiva não impulsiona tanto quanto no primeiro episódio. Não sei se é algo do ator ou do próprio personagem que parece estar em um conflito pessoal, a necessidade de governar a qualquer preço a força a tomar decisões pela opinião da própria família e perdendo assim sua autonomia.
O círculo “político” do clã também não parece confiar em Big Foster, todo aquele discurso de ter perdido o filho parece ser mais importante do que o luto que ele deveria guardar, a mesma coisa acontece quando ele comenta sobre a mãe, discursos nada convincentes e como aquele ali é uma família, a convivência é a chave para se revelar as verdadeiras intensões.
A prova de que Big Foster não sente nada pela própria família é quando o próprio filho Lil Foster tenta se provar como o guerreiro que colocará Asa para fora da comunidade. Tudo indica que ele será o primeiro a se rebelar contra o pai e unirá forças com Asa. Isso se o par amoroso entre Asa e Gwin não acontecer, o que eu duvido muito já que Gwin é mulher de Lil e isso desencadeará uma brutalidade maior por parte dos Fosters.
Mas ainda acredito em uma união de Asa e Lil Foster no futuro e enquanto esse plot se desenvolve, temos o núcleo da cidade. O policial Wade da continuidade às investigações sobre o homicídio e o que eu percebo é que Wade busca maneiras de evitar qualquer tipo de contato com o povo da montanha. Em uma das cenas inicias vemos ele buscando seu filho com a tia, o que talvez levante a suspeita que a mãe do garoto pode ter algum envolvimento com os Farrels.
E mais uma vez nos deparamos com elementos sobrenaturais nesse episódio, quando Hasil perde parte dos dedos por conta de Big Foster, Krake aparece com uma substancia estranha, para tratar suas mãos e a impressão de que dedos iriam brotar novamente foi instantânea, mas isso não aconteceu durante o episódio.
O vinho também ainda é um mistério, existe muito foco nas conversas do clã sobre magia, mas é imperceptível a olho nu, porém é retratado nas ações de forma sutil, ou em casos específicos, de forma brutal. O que importa é que esses elementos não diminuíram em nada a curiosidade dessa produção, seu desenvolvimento não foi comprometido.
É muito interessante ver o caminho que outsiders está traçando, são muitos acontecimentos ao mesmo tempo e não vejo a hora de todos esses elementos se cruzarem logo para enfim chegarmos ao clímax da mitologia da série.
O mais importante até então é que, mesmo com um ritmo mais lento, Outsiders cumpriu nesse episódio em manter essa dualidade da história como ponto chave e levemente vão abordando um universo até então desconhecido, sem perder a característica rústica da série.











