Um episódio abarrotado e com o pé no acelerador.

The Flash é conhecida por ter um ritmo acelerado – com trocadilho e tudo mais, afinal é a série do “homem mais rápido do mundo”. O início de sua primeira temporada apresentou uma verdadeira festa de tramas e desenvolvimento rápido. Em seu oitavo episódio já existia um crossover intitulado ‘Flash Vs. Arrow’. Benção e maldição, este é o fator definitivo para The Flash. Funciona dependendo da abordagem escolhida, mas nem sempre é esta a melhor forma de conduzir a temporada. Muito ritmo para uns, desenvolvimento nenhum para outros, este poderia ser facilmente o resumo da segunda temporada até agora.

A impressão final é a de que os roteiristas, agora que não estão mais presos a Lendas do Amanhã, decidiram dar segmento e finalizar todas as tramas existentes desde o começo da temporada. O excesso de velocidade é algo característico da série e não estou fazendo uma piada ou referência ao fato dela ser baseada no Corredor Escarlate. Não, The Flash sempre conseguiu imprimir ritmo acelerado na condução de suas tramas, exceto para o desenvolvimento do vilão do ano – Saudades Zoom. Tivemos a finalização de vários arcos que estavam na geladeira e o primeiro deles é a de Francine, mãe de Wally e Iris. A até então desaparecida personagem voltou para encerrar sua história com a filha e abrir o caminho para a entrada do Wally, completando o espaço vago deixado por Patty – Imaginem o terror para os roteiristas ter que trabalhar com poucos personagens.

O problema em escolher um episódio com o nome “O retorno do Flash Reverso” para finalizar tramas paralelas é que o tema já complicado fica mais difícil ainda. Tudo foi jogado em quarenta minutos, da morte do Tartaruga ao desenvolvimento do óculos do Cisco. A série não nos deixou respirar por um minuto sequer. Foram explicações para a presença do Reverso, despedidas, revelação de identidade, negação, Barry sendo babaca (nada novo debaixo do sol). Foi como se a equipe tivesse transformado dois episódios em um só. É bom quando pensamos na possibilidade de não existirem capítulos totalmente desconexos com a trama principal e ao mesmo tempo é ruim, afinal, é o retorno do Reverso. Deveria ter existido um pouco mais de trabalho ali. Pelo menos o Flash conseguiu derrotar facilmente seu grande antagonista – Nem é tanta evolução assim se levarmos em consideração que aquele Eobard não é o mesmo homem mais rápido e maduro que conhecemos na primeira temporada, mas vale.

Lidar com linhas temporais e viagens no tempo não é algo simples, constantemente séries que tentam algo assim terminam por complicar mais ainda seu roteiro, especialmente depois de alguns anos e tantas outras histórias. O importante neste décimo primeiro episódio é entender que este Reverso, Eobard Thawne, pertence a um período em que ele ainda não decidiu matar a mãe do Barry, nunca interagiu com o time Flash e tão pouco conhecia a respeito de Harrison Wells. Existiu uma tentativa de amarrar tudo e dar um novo sentido para os eventos desenvolvidos na primeira temporada. Lá, no passado, imaginamos (e nos foi explicado) que o Reverso havia tomado a imagem de Wells por ter conhecimento da transformação do Barry em Flash, graças à explosão do reator. Neste é desenvolvida a teoria de que ele só o fez por ter informações a respeito da afinidade do cientista com o herói – É tudo culpa do Harry.

Como funciona então o sacrifício do Eddie na primeira temporada? Não valeu nada? Ele não deveria ter apagado a existência total de seus descendentes e consequentemente do Reverso no futuro? Sim e não. E é aqui que é preciso um pouco de abertura para não achar tudo extremamente ridículo. Para que o sacrifício do Eddie exista é necessário que o Reverso volte no tempo, mate a mãe do Barry, assuma a fisionomia do Harrison, toque o terror em Central City até chegar a sua destruição. Se o Reverso deixa de existir o que temos é um reboot de tudo, certo? Neste reboot o Eddie nasce de novo, chega à idade adulta e a história segue o padrão daquele “jornal” do futuro, em que a Iris casa com o Barry.

Neste novo futuro o Reverso volta para o passado e mata a mãe do Barry, dando segmento a tudo o que assistimos na primeira temporada até o season finale e o sacrifício do Eddie – É cíclico e fadado a repetição eterna (aquele ponto fixo na história que só quem assiste Doctor Who vai entender de verdade). Entenderam? A partir de então o Reverso com rosto do Harrison e conhecimento do time Flash, da identidade do Barry e tudo mais deixa de existir, mas a sua versão no futuro, antes de voltar para matar a mãe do Barry, ainda vive e foi essa que vimos aparecendo neste episódio. E eu tenho certeza que mesmo após utilizar tudo o que entendi, ainda existirá outro questionamento, dúvida e complicação. E é por isso meus amigos, que viagem no tempo é o último recurso de qualquer produção que pretende existir por mais de cento e vinte minutos. Você pode incluir diversas explicações, mas tudo vai funcionar da seguinte forma: “É assim que os roteiristas querem que funcione e é assim que irá funcionar, pelo menos até o próximo episódio centralizado em viagem no tempo e linha temporal”. ¯\_(シ)_/¯

E no meio de toda a salada cronológica ainda tivemos que lidar com a despedida da Patty, outra personagem que nasceu para criar um momento de amor e complicação para o personagem principal. Novamente a prova de que ninguém na cúpula da série sabe, de fato, como escrever para mulheres dentro do universo da DC CW (com exceção de Supergirl). Patty descobriu a identidade do Flash, ela é uma mulher inteligente, mas assistir ao Barry desmentindo, se comportando como um babaca e ainda por cima a deixando ir embora com direito a despedida (bem mais ou menos) em um trem, foi a gota d’água para um relacionamento que começou tão bem e cheio de promessas.

Já correndo o risco de me tornar repetitivo, digo que este é outro episódio de Flash que não é bom, mas também não é ruim. Trazer o Reverso agora foi uma maneira de encerrar a participação do vilão, algo desnecessário e que teria maior impacto lá na terceira, ou quarta temporada. E quando eu falo encerrar, tenham em mente que não foi de uma forma definitiva, porque isso não existe nos quadrinhos e dificilmente existirá nas séries baseadas. Dúvidas não sobram de que com certeza poderiam ter utilizado o tempo para melhor explorar o vilão atual – Quando isso vai acontecer, ninguém sabe. Enquanto The Flash se recusar a explorar a Terra-2 e seu antagonista principal em detrimento de momentos que apenas complicam mais ainda o status quo da série, eu continuarei não achando bom, ou ruim, apenas existente – Destino cruel.

Easter eggs e outras informações

– Petição para a compra de pesos de papel para o laboratório S.T.A.R. Não suporto mais ver papel voando toda vez que o Barry/Flash corre.

– Barry deixar de namorar a menina que ama só porque ela foi embora da cidade não faz sentido, especialmente agora que ela sabe sua identidade secreta. Namoro a distância para o Barry não seria problema algum, é o que nós humanos comuns chamamos de tempo no trânsito.

– Trama do Jay e da Caitlin só valeu pelo Hunter Zolomon, todo o restante poderia ter sido resolvido com uma frase só.

– The Reverse-Flash Returns não teria sido nada sem Harry e Cisco.

– Hunter Zolomon é o nome do segundo Flash Reverso. Sua missão principal é fazer do Flash um corredor melhor. Ele não é um velocista como o Reverso Eobard, ou o Barry, mas tem a habilidade de manipular o tempo e com isso aparenta supervelocidade. Seria então o título “O Flash Reverso Retorna” uma conexão com o Zolomon e Zoom?

– O Flash utilizou o seu poder de vibrar através de paredes, conforme ensinado por Harrison ‘Reverso’ Wells no episódio 17 da primeira temporada.

– Horário da quase morte da Tina McGee – 9:52 – Aquela suave menção aos novos 52.

– Os óculos do Cisco também são utilizados por sua contraparte nos quadrinhos.

– Durante o arco ‘Zero-hora: Uma crise no tempo’, Jay Garrick foi atacado por uma energia cronológica e envelheceu, assim como vários outros membros da Sociedade da Justiça, alguns ao ponto de morte, ou quase. Neste evento o universo da DC foi zerado e quase tudo que aconteceu corrigido, com exceção das mortes que ocorreram na linha do tempo. Ou seja, o que acontece fora da passagem normal do tempo não é afetado pelas forças da linha regular. Estes efeitos puderam ser observados neste episódio, em dois momentos: 1) Reverso não foi afetado por estar fora da linha regular 2) Cisco foi afetado por terem alterado diretamente a linha do tempo ao prenderem o Reverso e impedi-lo de cumprir o ponto fixo da história, a morte da mãe do Barry.

– Aparentemente o Flash que o Barry viu na primeira temporada, quando volta no tempo para salvar sua mãe, é o Barry que vimos neste episódio, com conhecimento da existência do Reverso e de que a morte de sua mãe é um ponto fixo impossível de ser alterado.

– Também vale dizer que este espaço fora da linha do tempo é onde Rip Hunter se escondeu no episódio piloto de Lendas do Amanhã, conhecida lá como Temporal Zone.

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