O que você faria se tivesse uma segunda chance?

Parafraseando Vinicius Fernandes que, em sua primeira review sobre Shadowhunters, disse que “todos merecem uma segunda chance, até mesmo mundanos”, eu diria que: todos merecem uma segunda chance, até mesmo Second Chance.

Em Second Chance, o nosso novo Frankenstein, o velho agente do FBI Jimmy Pritchard que, ao morrer, tem seu corpo ressuscitado e rejuvenescido pela empresa de tecnologia Lookinglass, dos irmãos gêmeos e bilionários Maria e Otto Goodwin, tem a chance de consertar os erros do passado; ajudar no processo de cura do câncer de Maria Goodwin aka Padma Lahari/Revange; refazer a relação com os seus filhos e ao mesmo tempo colaborar em importantes investigações policiais.

Em meu “modus operandi”, sempre concedo a todas as séries iniciantes a oportunidade dos três primeiros episódios. Acredito que dois episódios sejam o suficiente para uma série estreante apresentar seus personagens e as suas principais possibilidades. Já o terceiro episódio, esse sim, tem a obrigação de desenrolar as tramas; mostrar um pouco da mitologia da série; informar ao telespectador se a trama será procedural ou não e nos presentear com pitadas do seu arco central. Espero que SC consiga sobreviver ao teste dos três primeiros episódios.

A abertura de “One more notch” foi bem bacana e gostei de ver o novo xerife Pritchard sendo acordado pelo velho xerife Pritchard com um grande tapa na cara. Não sei se esses sonhos se tornarão uma constante, mas seria interessante ver mais encontros entre as duas versões do xerife. Foi muito estranha a forma como os dois presos foram introduzidos na história e tudo ficou achatado entre uma micro cena de dois rapazes vestidos de laranja, junto a dois corpos e ao discurso de caçada humana da chefa do Duval. Não conto a cena do noticiário porque ela só serviu de mote para Jimmy querer entrar em ação, mas fiquei pensando se não teria sido mais interessante terem criado a cena do blecaute e a fuga dos presos no episódio anterior. Tudo isso faria mais sentido se já tivéssemos algum tipo de informação sobre as ocorrências (blecaute, apagões…) do dia em que o xerife “voltou a vida”.

Os motivos para o xerife Jimmy iniciar a sua caçada particular à dupla de criminosos também não me convenceram muito, contudo, foi bastante charmosa a sequência de negociação entre Jimmy e Maria e vi até algumas faíscas saindo dali! Já não posso dizer a mesma coisa da cena em que o xerife interroga o preso no hospital e sinto que o novo Jimmy está andando por cima de velhas pegadas e repetindo métodos de um passado recente, mas a pior parte disso tudo é que talvez ele arraste o seu filho Duval para esse mar de erros –  lembro que o Duval omitiu para a sua chefa importantes informações sobre o incidente na ponte e sobre a Lookinglass; seria uma boa reviravolta em SC se o correto Duval começasse a agir fora da lei.

Do outro lado da história estava o Otto e a sua passividade que tanto me irrita, a sequência dos tasers foi a única relevante envolvendo o rapaz e em todas as outras cenas o gêmeo apareceu reclamando de algo, espionando a irmã ou querendo confinar Jimmy na mansão Lookinglass. Assim fica difícil de te defender! Espero que resolvam dar mais importância ao personagem (aliás, a todos os demais personagens) e que ele se torne o ponto de desequilíbrio nessa trama toda.  Já imaginaram um Otto surtado de ciúmes?

Gostei do uso dos flashbacks para mostrar um pouco da relação de Jimmy com seu filho ainda criança, curti bastante o simbolismo de mais um entalhe no balcão do bar para mais uma prisão efetuada pelo nosso xerife e claro que no final do episódio os presos foram detidos pela dupla Pritchard; claro que a criancinha Lisa foi resgatada e que o Duval omitiu novamente para seus superiores a presença de Jimmy durante as suas investigações – vai se complicar todo lá na frente!

O episódio não foi excelente e também não foi ruim, a série é que precisa melhorar, explorar um pouco mais a complexidade dramática que envolve os irmãos gêmeos; a doença de Maria Goodwin; a misantropia de Otto; a presença de um terceiro elemento entre os gêmeos e a simbiose sustentada pelos Goodwin – esse seria um bom caminho para tornar tudo mais interessante. Há também a necessidade de apresentar mais algumas camadas do Duval (que nomezinho estranho!), da Gracie e da Helen (o que elas estão fazendo na série?). SC precisa entregar muito mais da sua mitologia, com uma certa urgência, para não perder o frescor de uma série que trata de uma premissa tão complexa e interessante quanto a de um Frankestein a la Mary Shelley, só que no século XXI, as voltas com grandes tecnologias e investigações policiais, eu vejo um bom potencial nesse procedural (É, meu povo, estamos falando de mais um procedural!), contudo, não se pode correr demais com a história a ser contada (vide primeiro episódio) e também não se pode esconder o jogo demais (vide segundo episódio), ou seja, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come!

Até a próxima chance!

2nd Chance 1: Blecaute? Gente, juro que não vi nenhum blecaute no primeiro episódio na hora que o xerife foi ressuscitado. E olha que eu assisti o primeiro episódio duas vezes. Pessoal, vamos melhorar!

2nd Chance 2: Como é bom ver a Padma Lahari/Revenge viva outra vez!

2nd Chance 3: Já quero um tablet igual ao da criancinha Lisa.

2nd Chance 4: O que foi aquela cena final do Duval pegando o copo usado pelo xerife para checar as suas digitais? Vi a Caitlin Snow utilizando esse mesmo artificio no retorno de The Flash e achei ridículo e óbvio demais.

2nd Chance 5: Sinto o cheiro de treta no ar! Após a exibição de apenas dois episódios a Fox moveu SC das noites de quarta-feira e a empurrou para o limbo das séries: as noites de sexta-feira.

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