The Mentalist continua com sua ótima retomada apresentando um episódio sólido e com o desenvolvimento do único arco da temporada.

Spoilers Abaixo:

É fato que The Mentalist nunca teve a pretensão de ter um storyline complexo ou arcos muito longos, exceto o de Red John, por motivos óbvios. Durante a primeira temporada, isso não fez falta, uma vez que a fórmula da série se mostrava interessante e bem diversificada. Já na segunda, perdeu-se um pouco do toque e, com episódios previsíveis e sem sal, deixou de empolgar, tornando-se apenas mais uma série policial. Os roteiristas então sentiram falta de um maior desenvolvimento de um arco dramático, e o criaram para essa terceira temporada, voltando a tornar a série interessante.

Nesse episódio investigamos a morte de Celia, uma ex-drogada, que procurou reabilitação na Mentalize, de Bret Stiles, empresa já mencionada no final da segunda temporada. Mais uma vez, as coisas por lá se mostram obscuras, o que dificulta a investigação da CBI. Enquanto isso, Jane recebe informações sobre o paradeiro de Kristina, que ligou para um programa de rádio. Participando também da investigação da Mentalize, Jane descobre que Stiles possui informações sobre Kristina e Red John, o que interliga os dois casos.

Como sempre, a ideia em torno do episódio é descobrir um assassino. Mas, diferente do que vinha ocorrendo, dessa vez Jane não faz suas palhaçadinhas escondendo de toda a agência um conhecimento que ele possui. Pelo contrário, volta a utilizar de seus jogos mentais, pouco explicados anteriormente, e que voltaram a ser apresentados de maneira convincente, fazendo o espectador realmente acreditar no que vê, e não da maneira quase sobrenatural que víamos ultimamente. Além disso, o próprio caso tem um desenvolvimento interessante, já que não tenta nos enrolar em nenhum momento e consegue mostrar diretamente suas intenções, sem que a equipe se enfie em becos sem saída para nos últimos minutos Jane salvar o dia. Aqui o que vemos é uma investigação focada e interessante, já que volta a envolver a Mentalize, que protagonizou um dos bons episódios da temporada passada.

Já que citei a organização de Stiles, aproveito para apontar um ponto frágil no roteiro de The Blood on His Hands. Desesperado para não tornar as duas tramas do episódio muito soltas, o roteiro tenta interligá-las envolvendo Stiles na história de Red John, o que soa forçado e de certa forma até sem sentido. Como Bret sabe coisas sobre um serial killer? É bem verdade que ele deve ter um maior envolvimento com a série e com o caso em breve, já que deve conhecer ou ter maiores informações sobre o assassino, mas independente disso aqui a maneira como Stiles e sua Mentalize são envolvidos com Red John é equivocada e sem propósito, mesmo que isso seja corrigido em breve.

O que realmente parece ter recuperado o foco é o Assassino Vermelho. Em três episódios o assunto foi abordado duas vezes, o que não é comum em The Mentalist. Imagino que os roteiristas, preocupados em evitar que a série caia na mesmice, tenham preparado para essa temporada um desenvolvimento mais aprofundado do arco, o que ocorre de maneira inteligente. Só acredito que não se pode deixar essa temporada acabar sem que o caso encontre seu desfecho. Afinal, Jane nunca esteve tão próximo de Red John, e espera-se que o roteiro não procure voltar a enrolar o espectador com arcos desenvolvendo-se a passos de tartaruga.

Outro ponto em que The Mentalist não parece se empenhar em trabalhar é o desenvolvimento de seus coadjuvantes. Apesar de entender o tamanho da diferença entre a figura de Jane e os personagens secundários, seria interessante abordar temas interessantes para eles, sem que a história principal seja prejudicada. Mais uma vez, Cho é um alívio cômico para a série, e ele tem funcionado muito bem dessa forma desde a primeira temporada. Por outro lado, Rigsby aparece com um novo affair, o que desagrada Van Pelt. Clichê, sem profundidade, mas aceitável. Não digo o mesmo para a desnecessária citação ao pai da ruiva, que, apesar de não atrapalhar, não acrescenta absolutamente nada no desenvolvimento do episódio.

Apresentando um episódio com um bom caso, mas com algumas falhas que arranharam a imagem, The Mentalist vai mostrando que o estilo da primeira temporada será retomado, o que pode fazer a série voltar a ser o que já foi: uma ótima diversão.

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