Quais os melhores minutos que a televisão nos presenteou em 2015?
Dentre as inúmeras tradições de final de ano (passas na farofa da sua avó, presente inútil no amigo oculto do escritório, especial do Roberto Carlos, reclamações contra o especial do Roberto Carlos, etc.), chegou uma das mais crocantes e saborosas destas tradições. Com vocês, a SérieManíacos’ list com Os Melhores Episódios de 2015!
Aqui o que importa não é necessariamente a qualidade da série, dos atores, do roteiro, da direção. Ou melhor, nada disso, só, mas a capacidade de entrelaçar todos estes pontos em uma unidade temporal de quarenta minutos (ou vinte, ou sessenta, ou noventa… rs) que nos deixam admirados, inquietos, pensativos, incomodados, apaixonados: enfim, emocionados. Afinal, all we need sempre é de um episódio daqueles! De chutar bundas. De lavar a égua. De derrubar forninhos.
Novamente, apresentaremos os Top 10 Episódios do primeiro semestre (estreados de janeiro a junho de 2015) e, daqui a poucos dias, os Top 10 do segundo semestre (estreados de julho a dezembro).
Neste ano, nossa base de votação se expandiu. Além do nosso tradicional time de reviewers, contamos com o voto de nosso amado time de leitores do grupo Agents of Podmaníacos no Telegram [se você não conhece o Agents, ouça urgentemente o Podmaníacos e venha para o lado safado da força!].
Se outrora, setembro era o período reservado para as melhores estreias televisivas, atualmente esta afirmação não poderia ser mais mentirosa. Afinal, as melhores estreias dos canais de televisão (e de streaming) estão cada vez mais se deslocando para a primeira metade do ano, nos períodos de midseason e summerseason. A prova mais concreta disso está justamente aí abaixo!!!
E os melhores episódios de 2015 (parte I) foram…
10. Agents of S.H.I.E.L.D. 2×21/22: SOS Por Vinicius Fernandes

Agents of S.H.I.E.L.D. nunca foi levada muito a sério pelos fãs de HQ’s e super-heróis. Ela tinha um enredo fraco e até o final da primeira temporada ainda não tinha abordado uma temática interessante que prendesse os telespectadores. Mas isso se modificou a partir da segunda temporada e se consolidou com mais força quando finalmente abordou os Inumanos em sua trama.
O final da segunda temporada (SOS), dividido em duas partes cumpriu muito bem o seu papel como season finale ao inseri-los numa batalha sangrenta. Os recém-chegados Inumanos, sob a liderança da doentia Jiaying, a mãe de Skye, entraram em conflito com a SHIELD e a equipe de Coulson. O episódio contou com ótimas sequências de combate, em especial a que envolveu a morte de Gordon e a luta entre Skye e Alisha, a inumana capaz de se replicar. Mas a cena mais impactante foi o ato final entre Skye, seu pai e Jiaying. A líder dos Inumanos estava claramente insana e disposta a tudo para punir os humanos com a névoa do cristal terrigenesis, até mesmo matar sua filha. O desfecho desse drama familiar já era esperado, mas mesmo assim foi muito emocionante e serviu de crescimento para a personagem Skye. O season finale trouxe graves consequências para a terceira temporada, além de dois dos cliffhangers mais chocantes da série até o momento: a névoa se espalhou no mar e Jemma foi sugada pela pedra misteriosa. Agents of SHIELD cresceu, e muito, até então, e é uma pena não vê-la ser aproveitada pelos filmes da Marvel também. O jeito é torcer para que isso venha a acontecer algum dia!
9. Veep 4×05: Convention Por Filipe Degani

Em sua quarta temporada, Veep alçou Selina Meyer à presidência, fazendo da personagem de Julia Louis-Dreyfus a presidenta mais trapalhada do mundo das séries. O mote de Veep é bem simples: a eterna busca de Selina por relevância paralela ao constante fracasso que ela impõe a tudo o que toca. Pelas insondáveis coincidências do destino (e das democracias), ela ocupa cargo mais poderoso do mundo, o que apenas serve para amplificar sua falta de carisma, sua incompetência intelectual e relacional e sua real irrelevância. Convention foi, entretanto, um episódio emblemático da temporada, pois levou o desespero de Selina ao clímax: no caso, tratava-se de encontrar um substituto para ser seu companheiro da chapa à reeleição, às vésperas da Convenção Democrata.
Tudo atinge seu momento fucking máximo quando Amy Brookheimer explode catarticamente, jogando no ventilador todos os abusos e ideias roubadas que teve que aturar e se demite, batendo porta. A solução vem com Tom James, outrora Dr. House: um vice carismático, humilde, estrategista (tudo aquilo que Selina obstinadamente falha em ser). Convention integra a lista de Melhores Episódios de 2015 (sendo a única comédia – registre-se) por reproduzir o filé do que Veep faz de forma perfeita: um texto ágil, um humor detalhista e inteligente, um elenco entrosado e afiadíssimo. Fica nossa expectativa com os rumos de Veep em 2016, após a eleição com o resultado mais apertado da história americana.
8. Mr. Robot 1×01: eps1.0_hellofriend.mov Por Steffi Hanschke

Não é exagero dizer que o episódio de estreia de Mr. Robot foi uma das melhores horas na televisão este ano e uma das melhores series premieres que já vimos. Já neste primeiro momento, ficou claro que estávamos diante de uma série diferenciada que aliava o universo cibernético às complexidades da mente humana em uma trama sombria, extremamente intrigante e bem executada. Com uma ótima abordagem através da visão do protagonista Elliot e seu voiceover, houve a quebra da quarta parede e pela primeira vez ouvimos o personagem dirigir-se a nós: hello friend. O episódio contou com um roteiro inteligente, ágil, original e foi capaz de concluir um arco inicial, deixando lacunas o suficiente para conquistar e instigar o espectador a permanecer na audiência e a sentir-se estimulado a desvendar um complexo quebra-cabeça.
Normalmente o mundo hacker é mostrado de forma quase fantasiosa na indústria do entretenimento, mas já no piloto, Mr. Robot mostrou que um dos seus pontos mais fortes seria justamente abordar a cultura tecnológica com bastante veracidade. Diante de um poderoso discurso que condena o estilo de vida de grande parte da população atual (FUCK SOCIETY!), com um grupo secreto de hackers e a promessa de vermos uma grande corporação como a E. Corp sendo derrubada em “prol da sociedade”, este piloto cumpriu com êxito o seu objetivo de nos manter interessados para continuar nessa jornada pelos computadores e pela mente perturbada do ótimo Elliot de Rami Malek.
7. Daredevil 1×02: Cut Man Por Vinicius Fernandes

É de conhecimento geral que a Netflix não brinca em serviço e isso fica claro em todas as suas obras. Elas nos trazem trabalhos impecáveis, com verdadeira qualidade e excelência em roteiro, produção, imagem e vários outros atributos. Obviamente, isso não poderia ser diferente com Demolidor (Daredevil). Isso ficou evidente logo no primeiro episódio, mas sua magnitude como série se consolidou em Cut Man (Fio da Navalha).
O episódio nos trouxe o flashback mais impactante da vida de Matt Murdock, ao vermos seu pai, Jack Murdock, ser brutalmente assassinado. Quem não se emocionou com a sua vitória na arena? Foi uma cena muito bem feita, e linda por sinal, apesar de infelizmente ter terminado com a sua morte. Mas a cereja do bolo fica por conta da última cena do episódio. Ela foi inspirada em uma cena de Oldboy, um filme da Coréia do Sul, lançado no ano de 2003. Foram aproximadamente sete minutos em um só take! Eu nunca havia visto uma luta tão bem feita numa série, como eu vi em Cut Man. Gosto muito de Arrow, The Flash e outros shows do gênero, mas Demolidor deixou todos eles no chinelo apenas com essa cena. Ela nos mostrou uma verdadeira luta e não algo evidentemente ensaiado e mal feito como temos visto ultimamente em várias outras séries. Foi magnífico!
6. Game of Thrones 5×10: Mother’s Mercy Por Steffi Hanschke

Game of Thrones ficou mais conhecida pela intensidade dos penúltimos episódios de suas temporadas do que de seus finales. Estes vinham mais para mostrar as consequências dos eventos anteriores e raramente tiveram grandes cliffhangers ou cargas dramáticas tão intensas quanto as que vimos em Mother’s Mercy. Foi um episódio repleto de momentos decisivos para o futuro da série Foi um episódio repleto de momentos decisivos para o futuro da série e de personagens como Stannis, Theon, Sansa e Daenerys. Mas foram as chocantes sequências envolvendo Arya, Cersei e Jon Snow, que tornaram esse episódio memorável e digno de figurar nesse ranking.
A impressionante cena da caminhada da punição de Cersei Lannister foi executada de forma bastante fiel ao texto de GRRM: uma das melhores adaptações da saga que, aliada a um excelente trabalho de direção e uma contundente atuação de Lena Headey, entra para a história da série. Por maior o ódio que sentimos de Cersei, foi impossível ficar indiferente à dor e à vergonha de tamanha humilhação. SHAME! Tivemos ainda aquele que pode ser considerado o evento de maior repercussão no mundo das séries em 2015. Em um ato de traição de seus irmãos da Patrulha, a vigília de Jon Snow terminou de forma emocionante. Um dos últimos Starks vivos e, talvez, o personagem mais próximo a um herói na série foi assassinado ‘For the Watch’, nos provando que em Game of Thrones realmente ninguém está a salvo. Desde então, não há notícia que repercuta mais do que aquelas que abordam o futuro incerto de Jon Snow. Mother’s Mercy teve a maior audiência da série e também rendeu os primeiros Emmy de direção e roteiro à produção. É inegável que além de ter entrado na história de Game of Thrones, este episódio também foi um dos mais marcantes da televisão em 2015.
5. Mad Men 7×14: Person To Person Por Guilherme Inojosa

Uma das perguntas que permeou Mad Men era se Don Draper seria capaz de finalmente ser feliz. Durante sete temporadas, desfrutamo-nos com um protagonista melancólico, cuja resolução mais óbvia para os seus conflitos parecia ser o suicídio apontado a cada vez que um espectador (re)via a abertura da série. É uma grata surpresa, portanto, ver o roteiro de Matthew Weiner mostrando justamente um Draper conseguindo, depois de anos de conflito pessoal, se reconciliar com o seu interior. Passando a segunda metade desta última temporada quase que inteira em uma busca por si mesmo, é justamente ao se desfazer do materialismo e conseguir contemplar a beleza do mundo em que vive que conseguiu encontrar a sua completude. E se essa solução poderia ser uma tentativa preguiçosa de desfazer toda a essência do personagem, um roteiro habilidoso como o de Mad Men consegue demonstrar em seus minutos finais que não é efetuando uma releitura de si mesmo que Don deixará aquilo que o define de lado. Pelo contrário, é uma metamorfose que renova os seus ânimos no mundo da publicidade.
4. Orange is The New Black 3×10: A Titin’ and a Hairin Por Guto Cristino

Muito antes do excelente tema do Enem deste ano, Orange Is The New Black já havia discutido em grande estilo a violência contra a mulher naquele que pode ser considerado o melhor episódio da série. Com a caipira Pennsatucky como personagem central – o que permite um baita pano de fundo para escancarar a hipocrisia que é a vida extremamente sexualizada dos conservadores por baixo dos panos – os brilhantes 55 minutos de A Titin’ and a Hairin’ expõem a maneira como um dos maiores problemas culturais da nossa sociedade é disseminado. O excelente diálogo entre Pennsy e sua mãe evidencia a maneira como a cultura do estupro está enraizada na sociedade e explica todo o comportamento subserviente de Tiffany em relação ao sexo. Mas o que dói na nossa carne e na nossa alma é a cena final, que evidencia a fragilidade de uma mulher que, depois de viver um sonho de ser bem tratada por um homem por alguns meses, gostaria apenas de continuar acreditando. O sonho acabou. E, acompanhando as lágrimas silenciosas de Dogget com nossas próprias, resta-nos aceitar as enormes verdades jogadas nas nossas caras e perceber como essas verdades machucam. Dói. E dói porque é essa a intensidade que um encontro tão belo da genialidade com a arte provoca no fundo da alma.
3. Game of Thrones 5×08: Hardhome Por Tiago Vaz

Is this the real life? Is this just fantasy? Não faltou inspiração aos criadores da série David Benioff e D. B. Weiss para escrever o melhor inverno de uma temporada até então morna. A adaptação das Crônicas de Gelo e Fogo teve poucos momentos brilhantes nesta temporada, mas Hardhome toma para si a responsabilidade de prender ainda mais o telespectador na história, e o faz jogando um balde de gelo lançado pelas mãos do Rei da Noite. Em tempos de comparação esdrúxula com Queen, este episódio é o Bohemian Rhapsody de GoT. Desenvolve melodicamente cada plot da série, fazendo um crossover clássico com cada personagem dos Sete Reinos, que vai desde Cersei lambendo o chão até a faceless Arya (Scaramouche). Antes da Guerra Mundial Z das neves, reacende a esperança de Sansa e em Meereen, frases de efeito são ditas para selar a parceria entre Tyrion e a Mãe dos Dragões. Que se dane a guerra dos tronos! O inverno chegou e o investimento da HBO em uma cena desconhecida para os leitores funcionou perfeitamente bem. A direção teve liberdade em explorar cada segundo da carnificina em Durolar. Angustiante, aterrorizante e “desesperante” é como defino o ataque hard rock dos White Walkers e seus zumbis suicidas. Mesmo com os Selvagens (Wun Wun) e Garralonga ao seu lado, Jon Snow se torna um herói atônito, seu olhar se une ao nosso, incapaz de vislumbrar um futuro promissor em Westeros. Any way the wind blows…
2. Sense8 1×04: What’s Going On? Por Cléverton Bezerra

Sense8 foi uma série que chegou discreta e contida na mídia na época de seu lançamento. No entanto, poucos dias depois, tomou conta das redes sociais e das conversas de bar. Sem limites para a diversidade sexual, cultural e social, os Wachowskis criaram um universo em que, independente da razão de sua luta ou da grandiosidade de suas habilidades, juntos os 8 protagonistas poderiam alcançar algo muito maior que seus mais loucos devaneios permitiriam. E o episódio que fez com que Sense8 estourasse foi What’s Going On.
Com a construção de uma atmosfera de tensão latente, os Wachowskis e Tom Tykwer alcançaram um patamar único de direção e roteiro, exaltaram os sentimentos dos protagonistas e criaram uma das sequências mais icônicas de 2015: todos os oito cantando What’s Up. Sob um primeiro olhar, pode até parecer uma cena simples. No entanto, em pouco mais de três minutos, dentre várias coisas, nós acompanhamos as emoções de uma lobotomia, a busca de remédios para salvar uma mãe, a decisão de sacrificar pela família, a quebra de intimidade de um relacionamento e o sonho com o amor que não se sentia. Ao fim de What’s Going On, Nomi, Will, Kala, Wolfgang, Riley, Capheus, Sun e Lito representavam cada um um pedacinho de nós mesmos. Assim, não tinha pra onde correr: estávamos fisgados e passamos a celebrar e vibrar cada crescimento vivenciado por eles e a sofrer por suas dores, derrotas e tragédias. Medalha de prata mais que merecida nesse Top 10 e que venha muito mais de Sense8 em 2016.
1. House of Cards 3×06: Chapter 32 Por Cléverton Bezerra

House of Cards foi uma série que estabeleceu sua marca na TV como uma análise fria, sarcástica, dura e realista da política estadunidense e internacional e atingiu aclamação crítica e de público ao longo de seus dois primeiros anos. A terceira temporada, no entanto, dividiu opiniões. Houve quem amasse, quem achasse ok e quem não gostasse. No entanto, se houve uma unanimidade, foi o arrebatador Chapter 32, que será um dos episódios definidores de House of Cards quando a série acabar. Pode não ser o episódio mais chocante, empolgante e tenso da série, mas conseguiu concentrar suas melhores qualidades e alargar uma veia que vinha pulsando desde a segunda temporada: a carga ideológica. Um episódio que soube administrar diversas nuances e, em seu fim, sair do muro, defender uma ideologia através de Claire Underwood, uma personagem até então implacável e realista. E, claro, expor o talento de Kevin Spacey (impossível não se arrepiar com a fúria do “What are you looking at?!”) e, principalmente, o de Robin Wright, que conseguiu desmoronar todas as defesas de Claire e expor facetas tão escondidas na personagem sem que a desconstruísse. Por fim, fica o elogio pelo primeiro lugar no Top 10 e a torcida para que mais episódios como Chapter 32 venham na próxima temporada.
E vocês, amiguinhos? O que tirariam? O que colocariam? Agora é sua vez de gongar comentar a escolha do nosso time e compartilhar conosco sua lista de melhores episódios! Fique por perto que breve a lista com os melhores do segundo semestre será publicado. Até a próxima!!















