DCI John Luther is back.

Após mais de dois anos desde que jogou seu sobretudo da Ponte Southwark, o verdadeiro John Luther está de volta para uma breve temporada de dois episódios, de uma hora cada. Nada como ver Idris Elba desfilar todo seu talento em um personagem que lhe encaixa tão bem (xô, remake!).

E também nada como rever Luther ao lado de Justin (Warren Brown). DS Ripley teve um final trágico e achei que nunca mais o veríamos, então minha alegria foi nas alturas ao ver o flashback entre os dois. Além disso, a conversa entre eles foi carregada de significado. Lembrando a já clichê frase de Nietzsche, Luther observa o abismo. E o abismo o observa de volta. E assim tem sido durante as curtas (e maravilhosas) temporadas de Luther.

E se o criador e roteirista da série, Neil Cross, havia declarado que se perguntava o que teria acontecido com John Luther depois da cena na ponte, nós também. E sem surpresas vimos Luther isolado, contemplando novamente um abismo, em uma linda paisagem. Aliás, que fotografia linda! A calmaria que está cena transmitiu funciona muito bem, especialmente em contraste com as escuras cenas policiais. Luther preferiu a reclusão para se livrar de seu passado (ou para esperar sua amante conseguir o necessário para fugirem para São Paulo). E é nesta paisagem que somos apresentados ao DCI Theo Bloom (Darren Boyd) e à DS Emma Lane (Rose Leslie, a Ygritte de Game of Thrones), o Luther e Ripley da vez. Os colegas de Luther – este agora de licença – vêm ao encontro do antigo Detetive Chefe para trazer-lhe a notícia da morte de Alice Morgan. Era de se esperar que não víssemos muito de Ruth Wilson na pele da icônica Alice Morgan, uma vez que a atriz está envolvida em The Affair. No entanto, acreditar que a psicopata morreu afogada após cair em um rio, não apenas intriga Luther como a todos nós. É difícil crer que a personagem que já enganou a todos tantas vezes tenha morrido após uma queda (olha ela aí de novo).

Mas como a série não sobrevive sem um caso policial, a conversa entre Luther e seus pares é interrompida para que o caso da temporada (apresentado na cold open) fosse melhor desenvolvido. O interessante em Luther é que a série sobrevive mesmo quando não está apoiada em seu personagem principal. Mesmo sabendo pouco dos novos detetives, já nos apegamos e torcemos por eles no caso do assassino canibal. Talvez seja só impressão minha mas achei um interessante paralelo o assassino ter comido o coração da vítima enquanto ainda digeríamos as cenas de um Luther claramente heartbroken. A cena também serviu para revermos o antigo chefe de Luther, o DSU Martin Schenk (Dermot Crowley).

Voltando ao personagem principal, era óbvio que Luther não deixaria barato a suposta morte de sua amante (e o sumiço de seu meio de comunicação com ela). Assim, também revemos Benny (Michael Smiley), com quem Luther ainda mantém uma relação de amizade. No melhor estilo John Luther, o personagem sai à cata de pistas, chegando até o gangster George Cornelius (Patrick Malahide, o Balon Greyjoy de Game of Thrones), que havia tentado roubar Alice. E é durante o interrogatório ao ladrão que John recebe uma ligação do DCI Bloom. Como é bom ver a mente de Luther trabalhando sobre um crime novamente. Bloom sabe que Luther não é apenas um olhar de fora, mas um olhar clínico, especializado. Ao discutirem o caso, Luther acaba “testemunhando” a morte do colega. E é isso que faz com que o detetive decida voltar à ativa. A cena em que Luther retira um pano sobre um cabide cheio de sobretudos é sensacional. É como se um super herói decidisse colocar seu uniforme de volta. Com seu sobretudo e sua gravata vermelha, John Luther caminha pela cena do crime, pelo seu escritório sendo admirado pelos colegas e pelas ruas de Londres, em uma cena cinematograficamente grandiosa.

Assim, John Luther volta à sua equipe (agora com Lane no lugar de Ripley), para tentar caçar mais um assassino. No entanto, achei um tanto fortuita a descoberta da identidade do criminoso. Em menos de um minuto, Lane praticamente resolveu toda a questão, com uma breve ajuda de Benny. Esperava mais participação ou, pelo menos, uma ideia brilhante de John Luther. E assim, voltamos às perseguições, às insubordinações e, claro, não podia faltar, o cliffhanger que nos deixa ansioso pelo próximo episódio.

Últimas observações:

– John Luther sendo frio diante de uma arma aponta para sua cabeça. John Luther espancando e sequestrando bandidos para obter o que quer. John Luther desobedecendo seu superior para poder pegar o assassino. Ou seja, John Luther sendo John Luther;

– Luther sabe que seu estilo à margem da lei é opção arriscada e já avisa DS Lane para que ela siga as regras. Ao contrário do outro John, este knows everything;

– E será que veremos Ruth Wilson na pele de Alice Morgan? E quem é a moça que traz a mensagem dela (e que estava na casa de Luther anteriormente)? Respostas amanhã, na segunda e, infelizmente, última parte dessa temporada.

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