Muitos presentes e muitas bombas no natal de The Flash.
The Flash é uma série extremamente divertida e cheia de potencial. Esta segunda temporada está, sem sombra de dúvidas, superior no quesito qualidade e diversão quando comparada com o ano de estreia da série. Tudo está bem melhor trabalhado e com certeza sem aspectos desinteressantes, ou prejudiciais durante o trajeto. Ainda estamos algumas semanas longe do Natal, mas o presente existiu em forma de uma ótima dupla, composta pelo Trickster e pelo Mago do Tempo, além da última conexão com Lendas do Amanhã com a fuga do Capitão Frio e seu “desaparecimento” – Acho que agora é pra valer. Vamos então para os pontos positivos e os negativos do episódio.
Começando pelo que eu não gostei, para retirar do meu sistema de uma vez por todas o grande problema da série. Em um mundo em que praticamente todos os mocinhos sabem a respeito da identidade secreta do Flash, não ter Patty dentro do grupo é um erro. Eu consigo entender o relacionamento entre herói e identidade secreta, especialmente em um mundo em que vilões, especialmente, não são impedidos de entrar no QG do herói, ou ameaçar diretamente seus amigos. Porém, este tipo de antecipação não agrega nada, é puramente o clichê que toda série com a temática de heróis enfrenta. Tudo o que um vigilante quer é poder desenvolver um relacionamento estável e sem segredos, quem assiste Supergirl sabe do que eu estou falando. É muito mais válido para nós e para os personagens que este obstáculo seja ultrapassado. Que o tempo e o esforço emocional seja direcionado para cenas com mais substância, como por exemplo o primeiro contato entre Joe e seu outro filho.
Enquanto a série continuar escondendo de Patty a identidade do Flash eu só consigo prever muito drama desnecessário. Não estamos lidando com uma menina iludida e incoerente como a Iris na primeira temporada. Patty é um verdadeiro sonho. Não a valorizar é um perigo. Também vale dizer que dois episódios atrás ela estava invadindo o laboratório S.T.A.R., atacando o Wells e sendo “despistada” pelo Joe. O que aconteceu com a memória dela, ou o confronto com o parceiro, não sabemos até agora. Este tipo de falta de preocupação com o andamento da cronologia dos acontecimentos não é um bom indicador. Claro, ver o casal trocando caricias, ou a falta de conflito ou caras estranhas quando a Iris entrou no laboratório do Barry na delegacia é um ponto positivo, todo o resto não. Mostra que existe tempo desprendido para evoluir um personagem coadjuvante de cada vez.

Contudo, não tem como reclamar de Running to Stand Still. Trazer o excelente Mark Hamill para reprisar seu papel de Trickster foi como assistir a série do Flash mandando um recado para a do Arqueiro Verde. Sim, eu sei que é tudo farinha do mesmo saco, os produtores são os mesmos, a equipe é praticamente idêntica. Mas não tem como não comparar o vilão com o Coringa, porém, sem o peso de um Ra’s Al Ghul, como foi na terceira temporada de Arrow. Trickster é um vilão consolidado do universo da DC Comics e que não faz com que o Flash se transforme no Batman vermelho, apenas indica que existem formas mais eficazes de pegar vilões clássicos e com uma pegada mainstream sem cair no aproveitamento de histórias de personagens mais famosos e conhecidos.
O mesmo vale para o Mago do Tempo. Tudo bem, não era o que esperávamos de um mid-season finale, mas não é preciso matar ninguém para criar uma boa história. Zoom agindo nos bastidores e tentando manipular o Harry é um plus para série. É possível ser leve e ao mesmo tempo carregado de importância para o mundo dos heróis. E The Flash sempre foi a respeito deste ponto. A produção consegue ser bem fiel a aura dos quadrinhos, quando quer, mas sem fugir do esperado, ou do padrão levantado para o Corredor Escarlate. Saídas fáceis ainda permanecem como um fantasma dentro do roteiro, como foi a revelação obvia de que o Zoom quer o Barry melhor, mais forte e ágil, assim como o Reverso. Só que isso não diminuiu a maneira divertida e bem-humorada com que toda a trama deste nono episódio foi se desenrolando conforme os minutos passavam.
É necessário entender que a figura paterna está dominando totalmente o arco da temporada. Algo além dos “bastidores” e que tem peso marcante é a figura e presença de um pai, assim como sua importância na moldagem do caráter dos personagens. O diálogo de Joe e o presente dado para Barry, além da introdução do Wally West trazem a luz a proposta do segundo ano. Paternidade! E vocês já podem então ter uma ideia bem clara de quem possa ser o vilão da temporada. Todo mundo quer e precisa de um pai neste seriado.
Agora falando a respeito dos coadjuvantes, aprovei bastante o rumo que o relacionamento entre Caitlin e Jay tomou. O problema surge quando eu vejo algumas menções ao retorno do Ronnie, mas um ponto que só irei discutir quando (e se) ele de fato acontecer. Até então todo mundo está bem útil. Cisco ganhou uma senhora oportunidade de brilhar nos episódios anteriores, logo compreendo sua presença nos backstage novamente. Caitlin não é uma garota boba, mas sim uma mulher extremamente inteligente. Quero que a série trace um caminho de maior empoderamento para a personagem, assim como foi com a Iris, que tomou conta de sua vida sem a presença do Eddie. Do episódio anterior conseguimos retirar um lado bem mais forte da nossa bioengenheira. Este deveria ser o padrão, mas sabemos bem como funciona este mundo amoroso de heróis da CW. Melhor do que reclamar é aceitar o caminho que existirá independente do nosso descontentamento. Por isso, é melhor que seja bom, do que forçado e sem personalidade.
Sendo assim, Running to Stand Still foi uma boa forma de se despedir de 2015. Não a esperada por muitos, que anteciparam um confronto mais pesado com Zoom, mas depois do que já vimos anteriormente seria bem difícil bater as expectativas depois de tão pouco tempo. Não existem problemas em fazer episódios desconectados do plot da temporada, não quando o resultado é positivo. Espero que as interrupções parem e que a interessantíssima Terra 2 seja aprofundada. Está passando da hora de ter a nossa equipe se aventurando pela realidade alternativa. Afinal, não poderemos depender das explicações fajutas do Jay para o que é real lá e o que não é.
Easter eggs e outras informações
– Existe uma semelhança bem grande entre o que aconteceu neste episódio e o arco “Julgamento do Trickster”. Até mesmo as ilustrações na parede da cela do Trickster são similares.
– Wally West o novo irmão do Barry é conhecido como Kid Flash nos quadrinhos. Só que lá ele não é irmão da Iris, mas sim seu sobrinho. Após a morte do Barry em Crise das Infinitas Terras o Wally assumiu o manto do Flash.
– Okamura Toys faz menção ao personagem Hiro Okamura (não, o de Heroes é Nakamura). Ele foi o Toyman do universo DC antes do reboot de Flashpoint. Diferente da versão mais atual ele não foi um vilão. Para quem não acompanha Supergirl o filho do Toyman é amigo da Kara Zor-El e foi confirmado para a primeira temporada da série.
– O pai da Patty tinha uma sapataria e foi morto. Bom, o de Jerry Siegel também. Siegel depois acabou criando um herói a prova de balas conhecido como Superman.















