A diferença entre um médico e Deus.

Após um episódio piloto corrido demais para o meu gosto, CM começa a encontrar o seu ritmo e tem em “iNO” uma melhor apresentação do que poderá se tornar: a herdeira de ER.

Gostei muito de como os roteiristas utilizaram dois dos três casos do episódio para criar uma discussão sobre os limites dos cuidados médicos. Vamos analisa-los por ordem:

1 – Adolescente com hemorragia causada por ter dado à luz a uma criança na rua.

Essa trama além de apresentar uma situação bastante intensa, permitiu aos roteiristas desenvolverem um pouco mais das personalidades dos nossos médicos.

Enquanto Nat demonstrava uma abordagem mais apegada à Erika e o seu bebê, tentando não só manter a criança viva, mas buscando contato com a sua irmã, Kara, o dr Choi, talvez influenciado por sua formação militar, tinha um olhar pragmático sobre o assunto, desejando que a adolescente fosse punida pelo abandono do seu filho e eventual morte. Gostei de ver que os roteiristas desenvolveram a história de uma forma mais realista, dessa forma não houve um final feliz com Erika fugindo após ser avisada por Choi da chegada da polícia.

Achei interessante o questionamento que o dr. Rhodes fez ao desempenho de Choi ao tentar retirar os restos da placenta do útero de Erika. Afinal, com a reprovação clara que Choi tinha pela conduta da paciente em ter abandonado o seu filho ele poderia não ter feito o seu melhor, mas o que notamos é que o mesmo apenas não estava preparado para fazer tal procedimento. Acredito que foi movido pela culpa que ele avisou Erika que a polícia estava chegando e tentou orientá-la sobre o que falar para não se prejudicar.

A trama foi bem desenvolvida, mas os roteiristas exageram na maneira como Nat se envolveu com a situação. Por mais que ela tenho se apegado à adolescente e seu filho, ela perguntar a Sharon se ela não poderia resolver a questão criminal que envolvia Erika foi um absurdo, ela não deveria ser tão ingênua.

2 – Homem com dores no peito.

Esse caso apresentou dois pontos muito interessantes no que diz respeito à medicina.

O primeiro é o fato de que, não importa quantos exames possam ser feitos, biologia não é matemática e algo pode acontecer mesmo quando acompanhado por profissionais. Assim, movido pela frustração de não ter conseguido diagnosticar o problema de seu paciente anteriormente, Will acabou indo além dos limites para tentar salvá-lo o que, não só fez com que ele se desentendesse com Nat, mas criou uma situação complicada para o paciente e sua família, já que ele ficará com sequelas e precisará de cuidados especiais.

O segundo ponto desse caso diz respeito ao momento em que o médico deve parar de tentar salvar um paciente. Visto que as condições eram desfavoráveis e as sequelas seriam grandes, talvez Will devesse ter deixado o paciente descansar. Sei que esse ponto é controverso, e eu mesmo não sei dizer se não teria feito o mesmo que Will, o certo é que é um debate interessante que os roteiristas decidiram abordar.

2 – Senhora com punhos torcidos devido a uma queda.

Essa paciente com uma lesão simples no pulso trouxe o mestre Jedi, mais conhecido como dr. Charles, para ajudar Sarah a tratar um caso de demência diagnosticado incorretamente.

Dos três casos do episódio de hoje esse foi o mais leve, focando não só no tratamento da paciente, mas no dr. Charles ensinando Sarah a melhor atender os pacientes. Gostei de ver que após tentar consolar o marido da paciente com uma conversa genérica, ela trouxe a música predileta do casal para que pudessem ouvir assim que ela recuperou a consciência.

Confesso que achei forçado o fato de tanto o dr. Charles quanto Sarah terem notado que a paciente não sofria de demência. Tudo bem se ele tivesse descoberto, pois já deu para perceber que ele é um médico excelente, mas uma estudante ter esse insight me pareceu exagerado.

Eu me lembro de quando ER estreou no Brasil, passando na Rede Globo e sendo batizada como Plantão Médico. Confesso que “iNO” me trouxe lembranças daquele momento pois apresentou, assim como ER, uma série de pacientes e médicos vivendo situações complicadas tanto no campo médico como pessoal e, as vezes, até ético. Acredito que Dick Wolf e companhia acertaram em tentar trazer esse sentimento de volta, pois mesmo tendo várias séries médicas surgidas depois de ER nenhuma conseguiu tomar o seu lugar. Talvez seja cedo para dizer isso, mas acho que CM tem grandes chances de conseguir esse feito.

Observações finais:

1 – Maggie tem sido uma personagem coadjuvante bem sólida e gosto muito da sua interação e cuidado com Nat.

2 – Erika dizer que não sabia que o que estava acontecendo com ela, mesmo tendo 14 anos, foi um pouco forçado.

3 – Os roteiristas precisam trabalhar melhor Will, o personagem é uma caricatura do médico narcisista. Alguém mais reparou a boca dele? Não parece que ele está usando batom rosa?

4 – Pelas aparições de April em CF eu pensei que ela teria mais destaque em CM. Confesso que estou decepcionado com o pouco espaço que ela teve nesses primeiros dois episódios. Uma curiosidade: a atriz Yaya DaCosta, assim como sua personagem, é de origem brasileira.

5 – Rhodes teve uma participação menor nesse episódio, mas estou curioso para saber mais sobre a sua relação complicada com seu pai.

6 – Para quem não assiste CPD, os policiais que foram até o quarto de Erika são os policiais Roman e Burgess, a dupla de patrulheiros mais badass de Chicago.

Comentários da Bruna.

O segundo episódio veio para mostrar que o drama dos personagens principais que é tão criticado em Chicago Fire será bem mais explorado em Chicago Med, e não me entenda mal, estou adorando a maneira como estão trabalhando esse drama, afinal em locais de trabalho onde o nível de estresse é altíssimo e relações interpessoais estão ali acontecendo o tempo todo.

Acho que é impossível não destacar a presença que o Dr. Charles tem na série, ele é o paizão da galera e já me conquistou. O cara é aquele personagem que está ali sempre no alcance e sempre bem disposto a ajudar − como foi o caso do Choi −, além é claro, de ensinar aos mais jovens como lidar e se portar em certos momentos. A união da Sarah com ele não poderia ter sido mais feliz porque a experiência que ele tem é um norte para ela que ainda como estudante tem pouca prática com os pacientes.

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