Lá em março, quando estreou, The Last Man on Earth chegou com um dos melhores episódios da TV recente sobre solidão, dando a entender que o que acompanharíamos dali para frente era a vida de um cara literalmente sozinho no mundo. O que veio a seguir, para a tristeza de muitos, foi justamente o contrário. The Last Man on Earth se revelou uma série sobre viver em comunhão, sobre comunidade, e No Bull, episódio dessa semana, reflete essa proposta perfeitamente bem.

Todos os problemas tocados em episódios anteriores chegam a seu ponto máximo, estopim para brigas e mais brigas entre o grupo de Malibu. A falta de consideração pelo próximo – tão sentida pelo Outro Phil -, a falta de confiança entre Todd e Melissa, os desentendimentos entre Carol e Erica, o romance de Gail com um manequim. Se olhados com atenção, fica claro que todos eles têm uma mesma raíz, o egoísmo dos personagens.

O único a escapar desse mal, por incrível que pareça, é Phil. Por já ter experimentado a solidão em sua forma mais pura e cruel, ele tenta a todo custo manter a harmonia na casa, primeiro obrigando o Outro Phil a se arrepender (ou, pelo menos, a se mostrar a arrependido) e depois mostrando que todos ali são indivíduos falhos. Se isso não é desenvolvimento de personagem, eu não sei mais o que é.

No Bull fala o tempo todo da importância de viver em sociedade. “Goste ou não, nós somos uma família. E nunca desistimos da nossa família”, diz Phil a seu xará, que acaba retornando no fim do episódio quando entende o que o protagonista quis dizer. Já Todd, cada vez mais distante de Melissa, acaba se aproximando de Gail, tão sentimental quanto o próprio. “Sem alguém que te entenda, a vida é um grande nada”, explica ela. Pode sair daí um relacionamento muito mais duradouro e feliz do que o que chegou ao fim agora – e, de brinde, vamos torcer pra que isso traga alguma reação de Melissa, que passou a temporada inteira com o mesmo mau humor, sem utilidade nenhuma à trama.

Phil sendo Phil, seu plano para provar o valor da união envolve apontar o que cada um deles já fez ou faz de errado. Não dá certo a princípio, claro, mas faz todo mundo repensar suas atitudes, e não existe coisa mais família do que brigar na mesa de jantar. No entanto, se a gente parar pra pensar, isso não resolve quase nenhum dos problemas. Existe uma sensação de avanço, mas será que a série avançou mesmo? Enquanto os personagens continuarem se ignorando e não tentarem consertar seus erros, os desentendimentos continuarão presentes.

O que vai realmente avançar a trama, porém, ocupou quase nenhum espaço no episódio. Toda vez que Mike, o irmão astronauta de Phil, aparece, a série ganha um novo fôlego. O potencial de The Last Man on Earth está todo ali. Quando é que os dois irmãos vão fazer contato? O Mike vai descer à Terra? Por que os dois sobreviveram? Como isso muda a dinâmica do grupo? O desespero e a frustração de Mike ao descobrir que não conseguiu fazer contato com ninguém no planeta são evidentes e angustiantes, assim como saber que a trama que vai mudar a série nunca começa de verdade.

Outras observações:

– A montagem do grupo jantando juntos enquanto o Mike flutuava pela nave foi de quebrar o coração.

– Os dois discursos do Phil foram sensacionais essa semana. “Finding this bull is our ‘I have a dream’”.

– “Not sure what you are, but you are cute. Oh, you’re a guy. Okay. Can tell by the… the penis. Yeah.” (e depois, “Cutest thing you’ve ever seen. Uh, the calf, not the penis.”)

– O surgimento do boi (e dos grilos alguns episódios atrás) só me deixa mais intrigado. Por que os animais estão aparecendo cada vez mais? Eles voltaram ou nunca foram embora?

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