Vamos fazer isso parecer um acidente maior ainda”
Eu não sei o que dizer sobre o que eu acabei de ver nos últimos 42 minutos da minha vida. Eu fiquei na ponta da cadeira, com a boca seca, com a sensação de que eu sabia tudo o que ia acontecer no próximo segundo. Mas, não. Tudo foi supreendentemente diferente e maravilhoso do que tínhamos criado em teorias, mas especialmente melhor. Foram quarenta e dois minutos de muitos acontecimentos, de juntar todas as pontas soltas da temporada – que parecia tão amarrotada de assuntos – e fazer um último episódio do ano memorável. Tivemos um ou outro assunto (que eu ainda vou comentar) que não foi falado, mas ficamos na expectativa de vir para os próximos seis episódios finais com mais cuidado do roteiro, e não encararemos já como furos.
Para começar vimos os acontecimentos do dia fatídico, e Cath mostra que tem alguma culpa no cartório quando vê aquela arma e decide fugir, e mais, conta para Philip onde é que ela está escondida. Coloco-a na lista de suspeitos de matar os pais junto com o primo bastardo do incesto. E o quadro também deixa a sua história muito estranha. Caleb é o típico personagem com cara de mau e marrento que vai ser o inocente e injustiçado no fim da história toda, contrapondo-se com a sua irmã que de boba só tem a impressão.
Emily e Nate, em outro canto da cidade, mas no mesmo dia, demonstram que a situação da promotora ia esquentar – mesmo que não soubéssemos que ela ia morrer. Os dois brigam e fica nítido que Annalise pensa rápido em criar uma cena de crime hollywoodiana logo para salvar um dos grandes amores da vida dela. Annalise Keating ainda tem um coração que bate no seu peito, mesmo que para isso, precise ser tudo tão ensaiado ou friamente calculado.
O drama de Asher com o seu pai cometendo suicídio foi uma grata surpresa para a história toda do episódio revirando todas as teorias, e mostrando que a personagem veio para arrebentar nessa segunda temporada, mesmo que ele esteja babando na sua cena do surto (e seja altamente nojento) ou ainda, ninguém tendo o seu número de celular. A conversa com a mãe dele e o surto logo após foram cenas memoráveis, e dignas de uma boa construção da personagem. Seria louvável que a série voltasse e desenvolvesse mais a história de Trotter Lake para que possamos conhecer melhor essa identidade do Asher. Será que em algum momento, veremos mais esse drama familiar de Asher? Eu gostei da mãe de Asher (não lembro se ela já apareceu), mas achei-a ranzinza na medida certa, e podia rolar um embate épico entre ela e Annalise. E essa tal irmã Chloe, que parece ser a ovelha negra da família, podia trazer problemas também para a trupe AK’s5, não?
Mas, a primeira grande surpresa vem com a morte de Emily que não se deu no casarão e sim no estacionamento. Isso fora uma grande surpresa e, talvez, um dos pontos altos da fúria de Asher que instantaneamente já se descontrola e não acredita no que fez. Com toda a briga com Nate, na frente de várias testemunhas, ele vai ser o principal suspeito. Isso é óbvio, mas Annalise cria todo um circo para incriminar Cath. E, Asher na delegacia? Não mostraram… Espero que não esqueçam, mas ainda acho que ele deve falar algo sobre o estupro coletivo. Ele não vai citar a morte de Emily Sinclair, porque se não tudo vai pelo ralo. E tem muito mais coisa envolvida, não é só uma promotora morta enrolada num tapete.
Não só, porque Annalise começou a vender verdades. Acho que ela nunca disse tantas verdades em um só episódio nessa série toda. Acredito que ela contou quase todos os segredos de uma vez, num vômito de realidade só. Para quem quiser ouvir e não se agradar com o que ouviu. Contou para Asher quem matou Sam, contou para Wes que Rebecca está morta, e chamou Wes de Christophe. Mas, se ela se encantou em dizer verdades, foi na construção de uma cena de crime, que vimos toda a sua genialidade e dedicação ao seu serviço e às pessoas que trabalham com ela. Parece que é assim o jeito dela de retribuir para eles seu carinho. Estranho, mas um Viola Davis magnífico jeito de ser.
Unimos tanta coisa dessa segunda temporada em tão poucos minutos, que fico impressionado com a preocupação dos roteiristas com os detalhes. Foi a morte de Rebecca que levou Wes ter a coragem que faltava para atirar em Annalise, foi os remédios de Nia Lahey – que realmente Annalise não teve coragem de dar – que apagaram Cath e vai leva-la para o meio do mato, foi os escândalos do pai de Asher que fez o menino matar a promotora chata e a relação entre Eve, Annalise e Wes, ainda menino Christophe. Dei falta só deles não falarem mais nada sobre Levi por todo resto da temporada… Ficamos sem cenas nesse episódio final de 2015, que já vimos, como por exemplo Asher na delegacia, Cath no meio do mato e suas primeiras reações, Frank no hospital (pudera Annalise ainda está perdendo sangue na casa, e Connor ainda nem foi vê-la novamente).
Outros detalhes que sobram para a última parte da temporada são sobre a relação de Cath e Philip, e até onde ela vai realmente, bem como para quem Emily Sinclair estava ligando semana passada toda nervosa… Será que é para o jornalista que iria divulgar os escândalos do pai de Asher? Os embates entre o novo advogado de Cath com Annalise devem ser interessantes, ver se essa cena do crime vai perdurar por um bom tempo, e se vamos ter algum furo na manutenção das histórias, e o mais importante ver o que uma Annalise de cabelo longo e tranças e Eve fizeram para a mãe do menino Christophe, e como ele se transformou em Wes/Lista de Espera/Menino Chato/Amigo do Harry Potter. E aquela minha ideia de que rolará uma cena emocionante no hospital com um suspiro de misericórdia entre Wes e Annalise, está mais próxima ainda.
Depois daquela cena de Annalise pedindo para que alguém atirasse nela novamente, Viola Davis já deveria comprar mais uma estante para a sua casa para os prêmios que virão ano que vem. É uma manipulação e um terror psicológico que ela faz com os seus alunos – relembrando sonhos e projeções do futuro, vida pessoal ou pondo o dedo na ferida – que o seu jogo limpo para salvar a pele de ambos é o mais sujo da história. Connor não consegue atirar nela, nem por Oliver; Michaela também não, nem pelo seu futuro; Laurel, nem por ser a potencial nova Bonnie; mas Wes não titubeia por em atirar por Rebecca, e atira para matar levantando mais do que deveria o revólver, mas perde a ira quando ouve seu verdadeiro nome. Foi sufocante e forte de ver aquela cena.
Foi um bom segredo de temporada que empolgou e não decepcionou com as expectativas esperadas. Claro que a cena do bar lá do primeiro episódio que mostravam Annalise e Wes dançando, com aquela aula por trás, fez com que ele fosse nosso primeiro suspeito, e devemos aprender desde já que temos um bom instinto policial ou série-maníaco. Todo episódio foi fantástico e surreal; aquela manobra de ir e voltar com as cenas encaixando-as num quebra-cabeça sem fim foi incrível. O caos do desespero nas últimas cenas arrebentou com qualquer expectativa e deixou a série com a qualidade e ansiedade a mil para o ano que vem. Voltaremos com mais dramas e Annalise no hospital. Talvez nós nos encontremos lá pelo hospital, nós com abstinência de HTGAWM precisando ser sedado até dia 11/02.
Mural de homicídios do Série Maníacos – Distrito HTGAWM
Sam – Wes, Connor, Laurel, Michaela e Rebecca.
Lila – Frank (MOTIVAÇÃO EM ABERTO – qual era o grande favor que Frank tinha em débito com Sam?).
Rebecca – Bonnie.
Emily Sinclair – Asher.
Annalise (TENTATIVA) – Wes.
Helena Hapstall (NÃO CONCLUÍDO) – Catherine, Caleb ou Philip?
Senhores Sense8 (NÃO CONCLUÍDO) – Catherine, Caleb ou Philip?
Apostas?













![How to Get Away with Murder 6×15: Stay [Series Finale]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2020/05/capa-1-218x150.jpg)

