Um dos episódios mais bem escritos de Once Upon a Time.

Dificilmente Once Upon a Time tem surpreendido quando lança suas tramas, ou começa a colocar em prática o material divulgado extensivamente durante a pausa da temporada, ano passado com Frozen e o trio de bruxas, neste a Dark Swan. Para ser um pouco mais cruel, com a exceção de Oz, que ninguém esperava nada e foi boa, desde o final do segundo ano da série que não temos um bom desenvolvimento de arcos. Logo, a minha surpresa com Nimue foi tão grande, que mesmo com um plot twist previsível, todo o resto compensou imensamente cada minuto de episódio. E olha, fazia tempo que eu não acompanhava um roteiro tão bem escrito, amarrado e competente de Once Upon a Time.

O crédito para um episódio tão estruturado é de Jane Espenson, a mesma que já escreveu para Buffy, mas que encontrou em Once Upon a Time um verdadeiro desafio. Colocá-la para desenvolver Nimue, porém, foi um dos maiores acertos da série. Jane possui uma conexão íntima com o Dark One. Ela foi a responsável por introduzir o primeiro capitulo da mitologia do Dark One em Once Upon a Time, lá no excelente Desperate Sous (primeira temporada), onde acompanhamos Rumplestiltskin, ainda humano, tentando conquistar a fonte de poder das trevas para salvar o filho e provar seu valor. Também foi graças a Espenson que acompanhamos partes cruciais para o desenvolvimento da história do Rumples. É dela o crédito para os melhores capítulos da série, em todas as temporadas, e também é fácil de entender porque a terceira foi tão discrepante das outras, Jane só escreveu três roteiros naquele ano.

Desde o começo do arco Dark Swan que ando cobrando, em praticamente todas as reviews, um comportamento mais Dark para essa branda Swan. Os flashbacks trabalham de modo incessante para mostrar que Emma conseguiu controlar as trevas, que ela perdurou e venceu a batalha. O problema com essa tomada é que ela desvaloriza imensamente a maldade da Emma no presente. Existe um descrédito muito grande para uma vilã que não faz nada ruim, mas que permanece como ameaça. Pelo que notei nos comentários, não sou o único a ver que a série não tem trabalhado em nenhuma instância para criar uma antagonista de verdade. Ao contrário, tudo o que temos são atitudes extremas, que mais se assemelham ao comportamento de um anti-herói do que de um verdadeiro vilão. Ou vocês realmente classificam retirar o coração da namorada do filho e fazê-lo chorar, como algo digno de um vilão alardeado como Dark? Cora ter matado o amor de Regina é uma atitude cruel, Emma ter manipulado uma situação para libertar Merlin, nem tanto.

Por isso, ter uma dimensão maior do que significa ser o Dark One, a presença de todos os que já empunharam a magia das trevas e ao mesmo tempo, conseguir visualizar tudo isso com um roteiro que trabalha de forma exemplar o paralelo entre passado e presente, foi um verdadeiro presente de natal antecipado. É muito válido ver como a história de Merlin começou, assim como a de Nimue se desenvolveu. Vingança é um sentimento destrutivo, mas o assassinato dentro de Once Upon a Time é o responsável por transformar um coração já maculado ela raiva, em algo negro. É um arco que já vimos ser trabalhado de forma rasa com Snow White, mais aprofundado com Gold e muito prometido, mas não competente com Emma e Lily.

A proposta de transformar a história clássica de Merlin e Arthur não foi lá muito bem aceita (por mim) no começo da temporada. Eu compreendo que a missão de OUAT é a de desconstruir contos clássicos e adaptá-los para o hoje, mas também sei que existem formas boas de fazê-lo, assim como também existe a história do Arthur. Contudo, através de Nimue, eu consegui fazer um paralelo bem melhor entre o que está sendo proposto neste arco de meia temporada.

Existiu uma pegada bem Lost dentro deste sétimo episódio, graças ao retorno a uma era já esquecida, assim como vimos com Jacob, seu irmão e as relíquias e conexões do mundo antigo com a trama de Jake, Kate e cia. E foi válido, o texto compensou toda a exposição dos episódios anteriores e conseguiu moldar o conto de Merlin e a lenda arthuriana de uma maneira bem digna do primeiro ano da série. Também existiu uma conexão com a mitologia grega, que como já sabemos, será o arco desenvolvido depois do mid-season finale. Ou vocês acham que inserir Prometheus foi apenas para embelezar a forja de excalibur?

Outro aspecto do episódio que aproveitei bastante foi a conexão entre Emma e Hook, que andava carente de um pouco mais de cuidado. O anel presenteado por Hook é o elo entre o amor, que Merlin pontuou estar ao lado de Emma, e sua jornada como Dark One. Vale dizer que também conseguimos uma explicação para as rosas que brotam do chão, algo que me incomodou quando vi pela primeira vez.

Já não muito feliz, o episódio também teve a necessidade de colocar Regina, Robin e agregados para fazer alguma coisa. Gostei por um lado, mas por outro achei um pouco desesperado e mal trabalhado. Com uma trama paralela e bem mais interessante correndo como destaque, inserir os coadjuvantes para fazer alguma coisa quebra o ritmo, mas é necessário. Necessário também foi dar alguma coisa para Zelena fazer e justificar o salário de Rebecca Mader. Como Arthur perdeu seu aliado mágico, nada mais compreensível do que Zelena tomar conta do espaço vago e finalmente começar a ter algum peso dentro da temporada.

Nimue marca um dos pontos mais altos de Once Upon a Time, graças ao cuidado de um roteiro bem trabalhado e executado. É essencial ver que a série que comecei a amar anos atrás ainda existe. Melhor ainda é quando esse sentimento vem de um bom trabalho e não apenas de uma promessa. Quero mais desenvolvimento como o de Nimue, mais da história de Camelot sendo bem aproveitada e muito mais do que apenas me divertir escrevendo a sessão de PS’s.

PS1. Dark Swan me desculpe, mas nem para tomar vinho no cemitério eu te convido. Você precisa de um curso sobre como ser gótica vampira e roqueira.

PS². Para os que gostam de mostrar cultura, me expliquem se vocês entenderam a cronologia do Merlin. 1000 anos antes da lenda do Arthur o Merlin ganhou poderes. 200 anos atrás ele se encontrou com a Nimue. Alguns anos depois ela bebe do Santo Graal e se torna a primeira Dark One – Ou seja, uns 198 anos atrás. Tá, mas o Rumpelstiltskin não foi Dark One por mais de cem anos (duzentos se levarmos em consideração a fala do Hook)? Deu tempo de ter 30 Dark One como a última cena mostrou? Foi gangbang de Dark One com um por minuto? Alguém socorre porque eu nem sei mais como atravessar a rua.

PS³. Se algum roteirista divulgar uma foto explicando a cronologia deste episódio, eu faço a próxima review com estudo de caso, acompanhamento psiquiátrico e laudo médico para a falta de vergonha na cara desse povo.

PS4. Despreze os dois últimos PS’s, só uma pessoa que toma fanta uva enquanto escreve uma review da quinta temporada de Once Upon a Time se preocupa com a cronologia da série. Peço perdão pelo vacilo.

PS5. Não sabia que a Nimue era uma filha da harpia. #GoTCrossover

PS6. Os anões foram categóricos: Queremos participar da aventura. Mas obviamente estão se divertindo pelas casas da lamparina vermelha de Camelot, já que não deram as caras desde o baile torta de climão do primeiro episódio.

PS7. Se o Merlin tivesse derretido ao beber do Santo Graal, ninguém estaria passando por problema nenhum. É isso? (Põe a cena da Zelena chutando a Snow produção – Corta para a risada maligna).

PS8. Pontos para a série por colocar o aprendiz do Merlin com um conjuntinho vermelho, do mesmo jeito que o Mickey em Fantasia. O ruim é saber que rolava uma exploração de trabalho infantil ali, mas é só mais um para se juntar ao rol de pequenos traumatizados. Por falar nisso, quem tá cuidando do Rolland? Ou do bebê Neal? Gente… depois aparecem fazendo tráfico de pó mágico e os pais ainda vão se perguntar onde erraram.

PS9. Nimue é o tipo de namorada para apresentar para a família, né? Ela é a única que vai se fingir de morta para te lembrar a dor da morte (??????). Que amor de mulher.

PS10. Zelena, obrigado por existir! Melhor “Hi, guys” que eu já ouvi na vida. Melhor deboche. Melhor chute na Snow. Melhor cara de dissimulada.

PS11. Merlin, ou como também é conhecido, o Augusto Cury do mundo encantado, a cada momento uma frase de autoajuda para iluminar o seu dia.

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