“It was the best of times, it was the worst of times”. Em 1859, Charles Dickens escreveu as primeiras palavras dessa review, endereçada aos fãs de The Apprentice por todo o planeta. Em sua décima temporada, o programa traz dezesseis candidatos que, no auge da crise econômica, perderam o sustentáculo de suas vidas. Alguns ainda trabalham, outros querem novas oportunidades… Mas todos estão indubitavelmente sedentos pela chance de se tornar o próximo aprendiz de Donald Trump.

Spoilers Abaixo!

Para quem está vendo uma review de The Apprentice US pela primeira vez, olá. Meu nome é Lucas Carvalho e eu gosto bastante do formato do programa, motivo pelo qual assisti a todas as versões em todo o mundo. Cobri pelo SérieManíacos a mais recente edição do Aprendiz brasileiro, e agora estou aqui para iniciar uma nova jornada – durante aproximadamente dez semanas, vamos conversar sobre o original, aquele programa imaginado por Mark Burnett há mais de seis anos e que chamou a atenção da audiência americana por umas quatro temporadas.

Em 23 de maio de 2010, se encerrou o terceiro Celebrity Apprentice, coroando um Bret Michaels bem abatido. O The Apprentice sobre o qual nós vamos falar aqui, contudo, não é recheado de celebridades. Nem de pessoas abastadas ou cheias de contatos milagrosos. Aqui nós temos empreendedores dedicados e esfomeados por uma nova chance no meio da depressão americana. E a idéia de trazer essas vítimas, esses desempregados ou subempregados em sua maioria, é das coisas mais louváveis que eu já vi na NBC. Dois minutos de programa, e eu já estava apaixonado.

Em meio à perplexidade de conhecer pessoas como o Gene (ex-militar, consultor financeiro desempregado e vivendo há três anos das próprias economias) e o David (que era executivo de vendas no setor de telecomunicações e perdeu, além do emprego, a própria esposa), percebi mudanças significativas no programa, pelo menos levando em consideração os formatos tradicionais de The Apprentice – sem as celebridades, portanto. A edição está mais ágil, a recompensa só deve aparecer no começo do episódio seguinte e o narrador que dramatizava cada vírgula sumiu. Feitas as devidas apresentações e divididos os participantes em homens contra mulheres, chegamos à tarefa da semana: criar um espaço de trabalho moderno. Cada equipe teria à disposição um galpão, um designer e um orçamento para gastar com decoração, equipamentos e mobília. Vejamos como se saíram:

OCTANE

Nada me impressionou no desempenho dos homens, a não ser a bipolaridade assustadora do David. De resto, ninguém parecia ter uma visão clara do que queria para o galpão e o Gene, mais perdido que cego em tiroteio, usava o que aprendeu no exército pra tentar administrar o caos. No fim das contas, o espaço de trabalho que eles criaram ficou péssimo. Era mais kitsch que propriamente moderno, e tinha aqueles tapetes da casa da minha avó. E laranja com branco? Sério? Além disso, que idéia aquela de pintar a listra colorida e estrambólica na parede.

FORTITUDE

Lição importante em qualquer formato de The Apprentice. NUNCA, NUNCA se candidate para ser líder na primeira tarefa. Não há nada de corajoso nisso: é uma estupidez tomar as rédeas de um projeto totalmente desconhecido, com pessoas totalmente desconhecidas e sem qualquer experiência em tarefas anteriores. Por esse motivo apenas, a Nicole deveria ter sido demitida. A liderança dela, entretanto, foi ainda mais vergonhosa. Detesto essa de dizer que se está jogando a bola pro outro quando, na verdade, o que se está passando é a responsabilidade. O espaço inteiro (e nisso inclua-se aquela pintura moderníssima) ficou ruim, mas isso jamais poderia ser atribuído só à Tyana. Faltou uma porção de diretrizes, uma rota confiável na qual os membros da equipe pudessem andar.

Na sala de reuniões, o clima ficou desnecessariamente tenso por causa daquela vuvuzela emperrada que foi a Mahsa. Gritando, esbravejando, apontando… E semeando a própria demissão. Se o trabalho da líder não tivesse sido o fracasso que foi, ela teria saído do programa. E uma frase que ela disse durante a execução da tarefa foi desastrosa: “I’m fully covered”. Esse é o tipo de pessoa que não merece trabalho em organização alguma – a catástrofe vai acontecendo e ela fica ali, sorrindo com a “estabilidade” nas mãos. Outra coisa irritante é essa mania que advogado tem de falar a mesma coisa várias vezes, só que usando palavras diferentes. Se você prestar atenção, a Mahsa só queria dizer que a líder não delegou responsabilidades de forma eficaz. Ponto. Não precisava daquele escândalo copioso, e a Ivanka concorda comigo.

É isso. Esse foi o primeiro episódio. Quer escrever seu comentário? Use o espaço abaixo e vamos conversar. Ou me adicione no Twitter pra me importunar com RTs e listinhas.

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