Tem como voltar no tempo?
Quando Hiro Nakamura surgiu em cena nos momentos finais do episódio, dei um leve sorriso com o rosto. Não pelo retorno do personagem em si, apesar desta ter em seu pouco tempo de tela se mostrado satisfatório e prometer um uso ao mínimo apropriado deste, mas por um desejo íntimo de que o japonês quebrasse a quarta parede e se oferecesse para recuperar o tempo que perdi ao assistir a esse (péssimo) episódio de Heroes Reborn. Mesmo que eu tenha feito uma análise boa parte do tempo otimista e enxergando tanto os aspectos positivos quanto negativos da temporada, “Game Over” se mostra como o pior fragmento desta até o presente momento (e espero que do fundo do coração que não consiga ficar pior) e que torna impossível qualquer espécie de defesa.
O episódio se utiliza da estrutura de dois alicerces principais, com Noah e Quentin invadindo uma base da Renautas para resgatar Hiro Nakamura, enquanto Miko e Ren necessitam chegar em uma fortaleza no jogo Evernow para resgatar “O Mestre do Tempo e Espaço”. Sim, não necessita ser nenhum gênio para perceber que as histórias se cruzam ao final ao trazer os quatro personagens empenhados em um objetivo comum. O restante do episódio traz apenas pequenas alterações marginais para justificar a existência dos demais personagens, com Malina (que o melhor uso do seu poder aparentemente é conseguir Coca-Cola da maquininha) e Luke tendo seus caminhos cruzados, Tommy tirando um dia sabático em Paris para reconhecer seu destino (sério, produção?), Taylor conseguindo finalmente descobrir o paradeiro do seu amado e Carlos passando os quarenta minutos dirigindo um carro (que o único ponto interessante é trazer um cliffhanger que me despertou o sentimento de “Agora vai!”).
Estruturalmente, “Game Over” se divide a maior parte do tempo entre cenas de ação live action e através de CGIs para representar as sequências em videogame (que, sinceramente, espero terem finalmente cessado) em virtude da (ao menos teoricamente) complexa missão dos protagonistas. E se uso o “ao menos teoricamente” entre parênteses é, justamente, por em nenhum momento ser sentido qualquer sentimento de ameaça por parte dos quatro personagens, dando ao espectador o sentimento que este episódio é unicamente uma missão intermediária que inevitavelmente terá sucesso (e a falha do roteiro em ao menos tentar fazer com que pensemos o contrário é notória). Um exemplo deste vício se dá justamente no momento de maior tensão, quando finalmente os vilões conseguem encurralar os protagonistas que… Safam-se devido à solução mais preguiçosa possível.
A falha na ação, contudo, é apenas um mal menor, tendo em vista que o roteiro de Nevin Densham (e se você leu e pensou “quem é esse?”, juro que estou com a mesma reação) ao menos consegue divertir nestas cenas, o que não pode ser dito na falha de conexão emocional existente durante quase a totalidade do episódio. Sintomático se torna, sobretudo, a trama de Miko que em momento algum tem a oportunidade de sequer duvidar da sua capacidade de cumprir sua missão, surgindo a revelação de que esta levaria à sua morte (jogo: vire um shot quando for revelado que ela está viva) apenas como uma maneira rasa de despertar uma simpatia do espectador que é logo descartada pela naturalidade que Miko e Ren levam toda a situação (com direito até mesmo a uma referência pífia a Star Wars que não merece sequer ser comentada). A exceção que comprova a regra é justamente a cena final de Quentin que se apoia na química construída entre Jack Coleman e Henry Zebrowski, além da devoção que o personagem deste último possuía pelo resgate de sua irmã, para trazer no espectador o sentimento de tragédia de toda a trajetória de Quentin Frady (ao menos até que essas viagens temporais não revivam o personagem).
Talvez o maior ponto positivo de “Game Over” é o de conseguir, no breve encontro de Hiro e Noah, trazer esperanças de que talvez na próxima semana a dupla consiga em sua missão trazer uma maior qualidade à série, sobretudo no momento em que “O Mestre do Tempo e Espaço” se vira para Mr. Bennet (cujo problema de memória aparentemente só se manifesta quando é conveniente para o roteiro) e pergunta se ele tem um plano, relembrando ao espectador a sagacidade que o personagem sempre possuiu e que poderá vir a ocasionar bons momentos.
Afinal, Noah Bennet ao menos parece ter escapado da burrice coletiva que contagiou toda a série desde a sua segunda temporada.
















