Gravidez e torta na porta.
Chicago Fire é uma série que se enquadra em uma categoria que eu inventei: “procedural fast-food”. Ou seja, não é o tipo de programa que tem pretensão de ser inovador, apenas busca entreter sem grandes consequências durante os seus 43 minutos de duração. Mesmo assim, tal tarefa não é fácil, como vimos por boa parte da última temporada. Felizmente, A Taste of Panama City mantém o bom ritmo do season première e nos entrega um bom episódio, apesar de alguns problemas que já considero característicos da série.
1 – Melhor momento.
A conclusão da investigação sobre o tráfico de mulheres foi satisfatória. Acho que durante o hiato os produtores viram que esse plot era furado e decidiram encerrá-lo de forma simples e direta, o que funcionou bem.
Voight, o grande personagem da franquia Chicago, faz uma pequena, mas essencial participação nesse episódio. Sabendo que Casey iria continuar a investigação por conta própria, ele permite que o mesmo o faça, dando a entender que não faria nada sobre o assunto, e assim que Nesbitt está prestes a mata-lo faz a prisão aproveitando para desmascará-lo perante o FBI. Acho interessante ver que, por mais que o tempo passe, sempre haverá animosidade (justificada) de Casey contra Voight.
2 – Melhor momento parte 2 – a revanche.
Eu confesso que tinha ficado frustrado com a gravidez de Dawson, pois queria vê-la como bombeiro. Gostei, entretanto, do fato dela estar trabalhando como investigadora. Achei uma boa saída já que a mesma já tinha ajudado na investigação do incêndio que causou a morte de Shay. Só achei curioso vê-la participar da investigação do incêndio que causou uma denúncia contra o batalhão onde ela trabalhava. Mesmo assim, acho que essa história irá render bons frutos.
3 – Pior momento.
O pior momento continua sendo a maneira como o desfecho do sequestro de Casey foi tratado. Nesse episódio ele confirma a minha suspeita que matou o mafioso para se salvar, fato que traria consequências maiores que “apenas” o seu trauma. Mesmo que tenha agido em legítima defesa, acredito que algum acompanhamento psicológico seria necessário, bem como algum tipo de investigação, mas isso foi totalmente ignorado pelos roteiristas.
4 – Pior momento parte 2 – o retorno.
O tom da investigação da denúncia de negligência feita contra o batalhão me pareceu exagerado.
Na audiência em que Boden vai prestar esclarecimentos sobre as ações dos seus comandados podemos notar um tom demasiadamente acusatório por parte de seus superiores. Depois disso, um dos investigadores da corregedoria parece querer induzir Severide a dizer algo (talvez até mentir) para defender Boden.
Após uma denúncia como essa eu acredito que é normal uma investigação, mas a maneira que foi conduzida me pareceu forçada, como já suspeitassem de Boden, que nunca deu motivos para tais suspeitas. Sempre pensei que o princípio da presunção da inocência fosse aplicado às investigações, aparentemente não é o que ocorre no departamento dos bombeiros de Chicago.
5 – Momento Connie: a fofoqueira.
Assistir Dawson e Casey serem parabenizados, em diversos momentos do episódio pelas mais variadas pessoas (inclusive Voight), foi hilário. Comprovando a frase de Benjammin Franklin: “Três pessoas podem manter um segredo, se duas estiverem mortas”.
6 – Momento CF sendo CF.
Esse espaço é guardado para aquele momento que os roteiristas de CF decidem sair do tom e abusar da nossa boa vontade. No episódio de hoje ele ficou guardado para a trama dos vizinhos do Molly´s.
A situação em si não é fora do comum: casal com criança pequena incomodados com o barulho do bar em frente a sua casa. No entanto, a caracterização forçada do casal e a maneira como a esposa age é tão exagerada que a torna toda a situação inverossímil.
7 – Momento eles não sabem o que fazer com Severide
Confesso que tinha ficado animado com essa trama envolvendo o rebaixamento de Severide, já que ele vinha sendo pouco aproveitado na série. No entanto, os roteiristas decidiram executar esse plot da forma mais preguiçosa possível. Primeiro arrumaram uma mulher no curso de reciclagem para não esquecermos que ele é o macho alfa do batalhão. Não satisfeitos, trouxeram um superior inseguro que o queria no esquadrão, mas o persegue. Infelizmente uma trama que tinha tanto potencial acabou em um clichê.
5 – Momento estava indo tudo tão bem.
O resgate ao carro forte estava sendo uma ótima maneira de começar o episódio até os roteiristas saírem do tom e forçarem a amizade.
Nem estou falando do “Mad Max” que tentava roubar a carga com seu carro tunado, já que consigo ver certa lógica nisso. O que ofendeu a minha inteligência foi os roteiristas acharem plausível que dois homens iriam tentar pegar o ouro de dentro do carro forte (ou mesmo fora do carro, após Severide jogar as caixas na rua) e sair correndo, uma vez que Boden e Patterson já estavam vigiando ambos. Não, né?!
Apesar dos problemas de execução de sempre, eu gostei do episódio. Aparentemente os produtores e roteiristas estão acertando melhor a ideia de misturar as tramas pessoais com cenas de ação que não tenham grandes consequências. Afinal, não dá para ter um incêndio de grandes proporções por episódio. Não sei se, depois da temporada passada, eu diminuí muito as minhas expectativas ou se a série realmente parece melhor, mas confesso que estou curtindo mais.
Observações finais:
1 – Interessante ver que deram prosseguimento à história do bebê resgatado por Brett e Chilli. O parto dele foi o meu destaque do episódio passado e fiquei feliz por ver mais, agora é torcer para ter um bom desenvolvimento. Tenho gostado do maior destaque dado às duas paramédicas, o resgate na praia nesse episódio também foi bem resolvido e amarrou de forma orgânica a visita de Brett à criança.
2 – A “colega de curso” de Severide bem que tenta estudar, mas ele não deixa. Quando será que esse curso acaba, hein?! Assim fica difícil te defender, cara!
3 – Casey deve ser muito desligado, ele foi seguido por Nesbitt e pela polícia e não desconfiou.
4 – Herrmann cantando Don´t You Forget About Me foi a melhor maneira de terminar o episódio. Essa história com os vizinhos é bem tosca, mas a maneira como ele decide declarar guerra a eles até que valeu a pena. Essa música, para quem não conhece, é trilha do clássico dos anos 80 Breakfast Club que no Brasil ficou conhecido como o Clube dos Cinco.
5 – Patterson deve ser bipolar. Primeiro queria manter Severide no esquadrão, chegando a elogiar a maturidade com que ele estava lidando com o rebaixamento para Boden. Agora o persegue até quando tenta ajudar a resolver o problema da investigação do incêndio da casa do traficante. Ainda bem que sabemos que seus dias estão contados.















