Uma boa dose de drama familiar sempre é bem-vinda.
Algumas séries centralizadas no universo de super-heróis, espiões, agentes secretos e afins sempre pecam pelo excesso, ou pela falta. São poucas as que conseguem dosar com habilidade todos os aspectos necessários para a construção de uma história competente. Muitas vezes o grande problema é o excesso, em tantas outras a inexistência. Nossos heróis podem ter poderes, habilidades extraordinárias, mas continuam sendo humanos, até os que não aparentam. The Flash nunca se esqueceu de que seus personagens são, no final do dia, seres humanos como qualquer outro. Amor, medo, vingança e toda a gama de sensações são e deverão continuar como o eixo do desenvolvimento da série. E em Family of Rogues o produto do trabalho competente dos redatores iluminou um caminho que eu não pensei ser possível dentro da série, a boa medida de cada uma das cenas.
Uma das reclamações mais recorrentes nos comentários das reviews de The Flash sempre foi o drama excessivo de alguns personagens, com Iris no pódio. Contudo, quando a série decide desamarrar suas crias dos dramas desnecessários e as coloca em situações que conferem crescimento e amadurecimento, tudo melhora consideravelmente. Pegar Iris que foi bem massacrada durante a primeira temporada e inserir a história de sua mãe problemática foi um agradável acerto. Não existe espaço para que Iris amadureça, ou qualquer outro personagem, se eles estiverem sempre amarrados ao Barry. Por isso, inserir um drama familiar e puxar um pouco do lado maduro e firme de Iris West compete ao episódio um momento ótimo e de grande mudança dentro da série.
O que o terceiro episódio de The Flash fez foi dar uma pausa na chuva mitológica e explorar assuntos que terão (possivelmente) conexão com Legends of Tomorrow, além de aprofundar mais o aspecto sentimental da série. Todo mundo sabe que o formato de vinte e dois episódios por temporada está minando o potencial de muitos seriados hoje em dia. Para cada roteiro escrito com base em um aprofundamento mitológico, outros três precisarão entrar como filler. O problema existe quando os episódios sem conexão com a mitologia mais atrapalham do que ajudam. Não foi o caso de Family of Rogues.

Quando anunciaram que Leonard ‘Capitão Frio’ Snart estaria em Legends of Tomorrow, mas não como vilão, eu me assustei. Gosto bastante da maneira cadenciada e calma que o Wentworth Miller escolheu para interpretar o personagem, mas não queria vê-lo com uma roupagem diferente. Confesso que essa humanização do Capitão Frio funcionou de forma excelente para mim. Fazê-lo se preocupar com a irmã e ser fruto de um lar abusivo conseguiu deixá-lo bem mais válido emocionalmente. Tudo se tornou mais prazeroso quando eu percebi que ele nunca deixará de ser, por falta de uma palavra melhor, frio. Snart acompanhou o pai desprezível por amor a irmã, mas dentro do coração dele ainda sobra espaço para amar o crime e a vida fácil. Não sei exatamente se este foi o último episódio do personagem até o surgimento de LoT, mas eu ficaria feliz se ele aparecesse mais uma vez dentro de The Flash, ou fizesse uma visita a Arrow. E este desejo existe apenas quando o personagem é bom, coisa que Capitão Frio é.
Com Barry tudo seguiu o mesmo padrão de qualidade. Gostei bastante de vê-lo como um filho conselheiro para o Joe, mesmo sentido falta de uma menção a seu pai biológico. É interessante perceber que o caminho do Barry como o Flash não o impediu de viver sua vida de uma forma competente. Patty já havia conquistado meu coração no episódio anterior, agora que eu vi quão parecida ela é com Barry, já não tenho mais dúvidas. A série está fazendo o possível para deixar evidente a aproximação entre os dois personagens, será uma pena se optarem pelo destino Linda Park, reduzida a uma participação especial de dez segundos.
Quanto ao Cisco e a Caitlin, eu fico contente por um e um pouco preocupado com a outra. Cisco e Lisa Snart tem uma estranha química, mas que funciona perfeitamente bem dentro da série. O lado mais passivo do Cisco e o agressivo da Lisa criam interações divertidas, além do desejo de poder ver mais dos dois juntos. Já Caitlin eu temo que estejamos observando uma repetição do que aconteceu na primeira temporada. Lá no começo da série Cait passou por estágios bem semelhantes aos atuais. Há um ano ela estava precisando superar a morte do Ronnie, neste também. Há um ano ela estava finalmente encontrando um pouco de felicidade, até que foi confrontada pela presença (aparentemente) inalcançável do noivo, nesta segunda temporada parece que veremos novamente uma história similar, para não dizer reciclada. E eu não quero ver uma personagem tão divertida sendo tratada dessa forma.
The Flash está trabalhando bem o seu terreno, sem deixar de lado as expectativas para o futuro dos super-heróis da DC/CW. Os próximos episódios deverão desenvolver mais da Terra 2, além da presença do novo Professor Wells – Ou seria o velho Eobard, que não morreu quando o Eddie se matou, mas arrumou uma forma de ir para a outra dimensão, para lá matar o verdadeiro Harrison Wells, de novo? Também deveremos descobrir mais a respeito da segunda matriz firestorm, interpretada por Franz Drameh, que também reprisará o papel em Legends of Tomorrow. E por fim, descobrir se Jay ‘Joel Ciclone’ Garrick conseguirá recuperar seus poderes e apostar aquela boa e velha corrida com o Barry. No final, sei que a segunda temporada de The Flash continuará me empolgando, tanto quanto a primeira.
Easter Eggs e outras informações
– O papai Snart, que nos quadrinhos se chama Lawrence e não Lewis, também era abusivo e babaca.
– Speed Cannon, a máquina criada pelo Jay e pela Caitlin é, na nona arte, obra da raça alienígena do planeta Savoth. Lá o canhão foi construído para evitar a invasão de outra raça, mas acabou trazendo o Jay Garrick para o planeta.
– Wally West irá aparecer nesta temporada de The Flash. Nos eventos pós-crise ele assume o manto do Flash e se casa com a Linda Park, que deu as caras neste episódio. Coincidência? Espero que não.
– O frigorífico que apareceu neste episódio, Danville, é o nome da cidade de origem da Lisa Jennings. Lisa é membro do esquadrão Superman. Inicialmente começou como vilã, após cruzar com uma pedra do sol que lhe deu poderes kriptonianos. Dificilmente Lisa aparecerá em The Flash, mas esta pode ter sido a conexão entre a série do corredor com Supergirl.
– Big Belly Burger existe em Arrow, The Flash e na Terra 2.
– O acelerador de partículas também explodiu na Terra 2, mas como nós já sabemos o Harrison de lá é visto como um herói. Qual seu objetivo na Terra 1? E quem foi responsável pela explosão do acelerador lá? Teria sido a versão alternativa do Barry, agora conhecida como Zoom? Hmmm…
– Bomba no pescoço de um vilão para forçá-lo a realizar uma missão. Quem aqui se lembrou de esquadrão suicida?
– Kahndaq foi mencionada novamente em The Flash. Nos quadrinhos esta é a casa do Adão Negro e um dos lugares mais perigosos da Terra. Vale comentar que o Adão Negro já deu as caras nas histórias em quadrinhos de Arrow, na temporada 2.5.
– Capitão Frio já foi preso nos quadrinhos depois de tentar roubar diamantes. Ao contrário do esperado, ele foi libertado por cumprir toda a pena.
– O professor Stein gritou “Excelsior!” em seu momento de felicidade, palavra registrada por Stan Lee, criador dos maiores nomes da Marvel.
– A chama azul do professor Stein se assemelha bastante a do Deathstorm. Durante a saga ‘Noite mais densa’ ele é Ronnie, que voltou a vida para lutar ao lado dos Lanternas Negros.















