Com um episódio mediano, Empire consegue delinear um caminho promissor para a temporada.
Em quesitos de estrutura, o episódio dessa semana foi completamente o oposto da premiere. Enquanto a estreia da temporada cuidava em dar conta de algumas pontas do primeiro ano da série e de esclarecer o status de cada um dos personagens, Without a Country pareceu um episódio para preparar o terreno para os próximos.
Logo na primeira cena, tive a impressão de que teríamos um episódio corrido e empolgante. Assitir a Cookie, Hakeem e Andre iniciarem uma nova empresa (para competir com a Empire) foi reconfortante e deu à série um novo ar. Saber que não é mais o domínio da Empire que está em pauta e que agora a disputa é pelo mercado fonográfico do R&B e do Hip-Hop pode ter sido uma das melhores ideias dos roteiristas até então. É bom ver que eles bateram o martelo na decisão de deixar Jamal no poder, mesmo que isso possa se revelar como algo não definitivo.
Falo que deu um novo ar à série porque na primeira temporada vimos uma gravadora já renomada e de tramas para assumir o controle dela. Pelo o que nos foi apresentado agora, estamos a lidar com uma gravadora começando do ZERO e que vai (ou não) construir o seu caminho até o topo para disputar as rádios e outras plataformas de música com os grandes estúdios. Não tem coisa melhor do que uma trama palpável na tela. E vamos ser sinceros, uma trama de uma gravadora iniciante tendo conflitos é muito mais plausível do que um pai colocar seus três filhos mimados para “competir” e ver quem fica com a empresa. É com decisões como essa que vejo Empire se distanciando daquele complexo de novela que existia na temporada inicial.
Passada à empolgação com a cena de abertura, preciso dizer que o resto do episódio foi bem morno. Digamos até que parecia mais com uma premiere. Isso muito se deve ao clima de Introdução que todos os plots receberam. Assim como o conflito da recém-criada Lyon Dynasty contra a Empire (que deve ser o foco até a finale), todas as tramas do episódio soavam como novidade. De exceção, temos apenas o conflito com a promotora, que já havia sido introduzido em The Devils are Here. Mas, SURPRESA, esse plot também já foi solucionado. Ainda devemos ver alguma repercussão, mas é isso: Lucious Lyon está livre! E é isso que nos importa, já que isso dá várias possibilidades para os episódios seguintes.
Eu reclamei semana passada sobre o screentime extremamente dividido, numa necessidade de abordar todos os personagens. Aqui, já vemos uma melhora nesse quesito, muito embora tenhamos pagado um preço caro por isso: a completa ausência de Porsha e Becky (cujas participações na premiere tanto elogiei). Ainda sobre essa divisão de tempo de tela, ainda há falhas. Estão tendo dificuldades de encaixar o Andre devidamente. Resultado disso foi o flashback (com a participação da Kelly Rowland) completamente deslocado na cena dele com o Lucious. Do ponto de vista dramatúrgico, esse plot pode render bons momentos nos futuros mas veio no momento errado e de forma errada. Num episódio em que o foco claramente estava em todos os outros quatro Lyons, inserir aquela cena ali foi infeliz, ainda mais se a intenção era nos sensibilizar quanto ao Andre.
Agora é a hora de confessar. Quem diria que iriam me fazer gostar mesmo do Hakeem algum dia? Conseguiram. Ele continua mimado e mulherengo, mas é ótimo ver que ele está se dando bem com a Cookie, tomando decisões próprias, tentando fazer a nova empresa andar e se arriscando para mostrar seu trabalho ao mundo. Não sei exatamente dizer se o personagem está muito diferente. Talvez apenas chegamos ao ponto de estarmos apegados a série e todos os personagens ganharem mais carisma só pela experiência de estarem ali toda semana. Mesmo que Jamal esteja indo na direção contrário, mas nesse caso é intencional já que ele precisa se tornar cada vez mais o Lucious.
Como eu afirmei antes, tudo foi preparado neste episódio. Quase um novo começo. É interessante ver como os papéis estão invertidos. Agora é Lucious que sai da cadeia e tem o Jamal como maior apoio, enquanto é a Cookie que molda o futuro do Hakeem (e o Andre, solitário e renegado como sempre). Mas tudo que foi apresentado em Without a Country tem grande potencial de emocionar e nos prender pro resto da temporada. Só nos resta esperar que esse potencial todo seja bem aproveitado.
No aspecto musical, a série continua impecável como na primeira temporada. As músicas refletem bem o contexto em que as personagens estão inseridas e são verdadeiras obras-primas. Eu mesmo que nem sou tão fã de rap me peguei muito entretido com a música que o Lucios gravou dentro da prisão, mesmo que a cena e a situação tenham sido bem absurdas (sério mesmo que todos aqueles caras sabem fazer música?).
No mais, esse segundo episódio cumpriu sua função de nos dar uma luz sobre o que vai ser desenvolvido daqui em diante. Temos que esperar pra ver como todos esses plots vão ser trabalhados e se serão tão interessantes quanto parecem. Mas de todas a s novidades, nada me deixa mais empolgado quanto as possibilidades que a Lyon Dynasty pode trazer de tramas para a série. Então, espero que explorem isso. Se colocaram 18 episódios pra temporada, que usem bem o tempo que tem, não é mesmo?
Sei que não interagi com vocês na review de estreia. Peço perdão, não foi possível. Mas, isso não irá se repetir. Espero que vocês tenham uma visão otimista pra temporada assim como estou tendo. Ando me apegando a série e fica mais difícil ser imparcial. Mas, os comentários estão aí pra vocês abrirem um pouco minha mente. E aí, o que acharam do episódio?
















