Dor é a fraqueza saindo do nosso corpo.
Se na semana passada tivemos o ensinamento de Jessica, dessa vez foi Evan quem compartilhou os seus conhecimentos. Foi quase um pedido de desculpas esse episódio em relação à première, com momentos muito melhores do que vimos na estreia. A ideia de Jessica ditadora ainda persiste e agradeço aos céus que os roteiristas sabem da enorme mina de ouro em que estão sentados encima persuadindo esse caminho, todavia, ter um momento mãe-filho também serviu para perceber que todos os ditadores um dia já tiveram os seus corações partidos um dia.
Jogar a carta de asiático é outra constante na série e que funciona muito bem. Em muitas outras produções vemos algo parecido com o estereotipo dos negros americanos e Fresh Off The Boat se mostra mestre nesse quesito. Jessica é uma estrategista nata e ser colocada contra a parede devido a um Eddie respondão despertou até o meu medo como telespectador. Por um segundo achei que a tela ia ficar vermelha, um radar iria aparecer focando o seu olho e aquela música de Kill Bill iria começar a tocar com ela pegando uma espada e arrancando a cabeça de seu filho logo ali em seu quarto. Mas na verdade o que vimos foi uma mãe correndo atrás de possíveis razões para Eddie ter peitado ela, procurando uma “desculpa” pela sua explosão.
O comportamento de Eddie já era algo esperado, afinal, nenhum ser humano aguenta engolir tanto sapo de um familiar sem acabar estourando, mas confesso que fiquei surpreso em ver logo no começo da temporada. Por ser uma comédia, essa briga mãe e filho não iria durar muito para não perder a leveza da série, assim como o fato de ser uma produção que inicia uma storyline e a fecha no mesmo episódio. O fato de Louie estar interessado em ter uma filha fez uma ponte legal com o medo de Emmet e Evan terem que dividir o quarto com Eddie. Alias, a piada com o irmão mais velho indo para a faculdade foi muito boa, apesar de ter soado bem falso as risadas dos atores.
Já a amizade instantânea de Nicole e Eddie também me soa muito estranho. Antes ela não suportava o seu vizinho babão, mas agora são “melhores amigos”. Apesar dos pesares, Nicole repetir de ano e gostar de sentar com Eddie e seus amigos durante o intervalo me mostrou um personagem mais acessível e de maior coração do que o da temporada anterior. Ter uma defensora no grupo deixou os seus integrantes mais confortáveis com a suas peculiaridades trazendo a tona o famoso guilty pleasure: coisas que gostamos, mas temos verdadeiro horror de dizer para os outros. Os óculos, o ursinho de pelúcia e o kilt foram geniais. Nota dez para os roteiristas!
Uma das maiores sacadas de Fresh Off The Boat é a arte de tirar sarro de si mesma. O “videoclipe” de um Eddie na fossa e levando a família inteira com ele através de montagens extremamente anos 90 com Boys II Men como plano de fundo foi hilário. Utilizar as donas de casas viciadas em caminhadas como parte das cenas chegando a uma rua sem fim e perderem o rumo como formigas quando tem a sua trilha repentinamente destruída também valeram todo o episódio. Alias colocar Evan como parte do grupo de corrida logo no começo do episódio já me fez abrir um largo sorriso e não sei se foi nervosismo de estreia, mas em “Boy II Man”, Fresh Off The Boat fez valer a pena não termos largado a série episódios antes.
Neste segundo episódio, a audiência marcou 4.70 milhões de telespectadores e 1.7 na demo. No mesmo horário, The Voice liderou com 3.7 seguido por NCIS com 2.2. O quarto lugar ficou para a estreia de The Grinder, com 1.5.






















