A primeira temporada de The Last Man on Earth, ao contrário do que nos prometeu seu excelente piloto, não tratou de um homem indo à loucura por causa da solidão, mas de um louco reaprendendo que viver em sociedade, apesar de ser sua salvação, é bem complicado. Tão complicado que os roteiristas acabaram aderindo a uma fórmula sem graça onde o protagonista retrocedia dois passos ao final de todo episódio, jogando fora todo o desenvolvimento alcançado, o que acabou afastando uma boa parte do público da série por cansaço. E tão complicado que Phil Miller acabou expulso da turma que conseguiu juntar após suas viagens atravessando os Estados Unidos.

Agora, seis meses depois, Phil e sua esposa Carol Pilbasian (a única pessoa a perceber tudo de bom que existe nele) viajam pelo país aproveitando a oportunidade de serem dois dos poucos seres humanos que ainda vivem na Terra. Tais oportunidades envolvem, entre outras coisas, passear por Washington num bombardeiro e andar de ski pela Casa Branca. Depois de todas as discussões e mal-entendidos da primeira temporada, parece que os dois finalmente acertaram suas diferenças. Phil demonstra mais paciência e bom senso – ele se compromete a voltar para guardar um míssil que caiu do bombardeiro – e Carol consegue deixar de lado suas manias para tirar o melhor da situação em que se encontram – nesse caso, nadar numa piscina de tequila no centro do Salão Oval do presidente dos EUA.

Esses primeiros minutos de Is There Anybody Out There? são quase uma segunda versão do piloto, dessa vez com a presença de Carol, e mostram que essa é a premissa que The Last Man on Earth deveria ter seguido desde o começo, como havia nos prometido. Todo o humor dos absurdos que os dois cometem funciona muito bem, apoiado na direção que brinca com a perspectiva desses absurdos como algo não tão normal, mas ainda normal dentro do contexto. Os “reactions shots” dos quadros de presidentes e das bolas esportivas amigas do Phil são hilários.

No entanto, não dá pra apagar tudo que já aconteceu com os dois. Phil, com razão, ainda está ressentido por ter sido expulso de Tucson justo quando ele parecia ter tomado jeito. E Carol procura agora um novo lugar para se sentir em casa (não rolou na casa do Elvis Presley, nem na da Oprah ou no parque de diversões da Dolly Parton), mas o que ela quer mesmo é voltar para Tucson e para os seus amigos. Como Phil se recusa a voltar para perto do pessoal que o odeia, os dois acabam fazendo uma parada na antiga casa da Carol em Delaware.

Dali dá para tirar uma única conclusão: a casa e a família da Carol são/eram muito a cara dela, faz todo sentido ela ser do jeito que é. Tomara que essa olhada no passado da moça tenha servido para diminuir um pouco do ódio que algumas pessoas têm contra ela. Quem sabe entendendo a Carol melhor seja mais fácil continuar acompanhando a série, né? Mas não é ali que o casal vai montar acampamento, já que eles decidem continuar viajando pelo país até encontrarem um lugar que satisfaça as vontades de ambos – ou até que Carol convença Phil a voltar para Tucson.

Enquanto isso, somos introduzidos novamente a Mike Miller, o último homem no espaço, já que ele teve a sorte (ou o azar?) de estar na estação espacial da Terra quando um vírus dizimou quase toda a vida do planeta. Não havia dúvidas de que Mike era irmão de Phil, mas, se houvesse, elas seriam respondidas logo que Mike conversasse com seus amigos vermes para lidar com a solidão – mesmo mecanismo encontrado por seu irmão. Ainda sabemos pouco de Mike para tirar mais conclusões, mas, pelo menos nesse primeiro episódio, já fomos introduzidos a uma possível maneira dele voltar à Terra: há um módulo que se desliga da estação espacial e que pode descer ao planeta. Segura essa ponta solta agora.

Os últimos minutos da premiere de The Last Man on Earth foram dedicados a uma das sequências mais empolgantes da série: tanto Phil deixando Carol para trás sem querer (com os tiros de alerta dela se confundindo com os tiros de Paper Planes da M.I.A no carro) quanto o seu (e o meu) desespero quando ele percebe o tanto de postos Speedy Pump que existem pelo caminho deram ao episódio um clímax de ação que o programa não havia aproveitado antes. Tudo isso leva Phil de volta a Tucson, agora abandonada – e com sua antiga casa aparentemente incendiada –, separando o casal ainda mais, mas provando que o protagonista entendeu de verdade como Carol é importante para ele.

E, assim, Is There Anybody Out There? dá início à nova temporada de The Last Man on Earth. Encontrando um meio de campo entre brincar com a situação em que os personagens se encontram e jogar um subtexto sobre a dualidade de viver sozinho e viver em sociedade, os roteiristas entregam uma história que coloca a série em um bom caminho para os próximos episódios, consertando alguns erros sem perder a essência do que conquistou o público na última temporada. Mas apesar do ótimo começo, não dá pra confiar totalmente ainda – como aprendemos antes, quando o episódio é bom, ele é excelente, mas quando o episódio é ruim, é difícil defender The Last Man on Earth.

E você, vai continuar com a série ou deu uma chance pra essa season premiere e acha que não volta mais? Conta aí nos comentários.

Ah, outras observações:

– “Ben Franklin, you just made me discover electricity in my shorts. Get in here!”

– “I don’t mean to be insulting here, but you’re worms. You’re not thinking this trough.”

– Engraçado como os outros personagens não fazem falta, né? Que continue assim. Sorry, January Jones.

– O tom melancólico que a série assume de vez em quando, como na cena em que o Mike se despede da Nancy, funciona muito bem, talvez por combinar com o lance de solidão que paira sobre todos os episódios.

Artigo anteriorNashville 4×01: Can’t Let Go [Season Premiere]
Próximo artigoOnce Upon a Time 5×01: The Dark Swan [Season Premiere]