Brasil, o país do vôlei.

O segundo esporte mais praticado no Brasil ganhou um documentário para chamar de seu. Relatos de jogadores, técnicos, comentarista e profissionais de outros países. Tudo isso para discorrer sobre uma década – 2001 a 2012 – vitoriosa para o vôlei brasileiro.

É bem verdade que o Brasil sempre foi mais que o país do futebol. Judô, vela e, claro, o vôlei, de praia ou quadra, são esportes que, em boa parte das competições importantes, nos trazem conquistas significativas. Gosto de esporte em geral. Faço questão de torcer, enlouquecida, pelos brasileiros em Copa do Mundo, mundiais, Olimpíadas e até o menosprezado pan-americano. Me emociono com conquistas e foi com esse sentimento que assisti a Ouro, Suor e Lágrimas.

Nunca joguei vôlei, mas Nalbert, Giba, Fofão, Paula Pequeno, Serginho, entre outros me fizeram entender e torcer como nunca. Como não lembrar do ouro olímpico masculino em Atenas? E do último ponto – de saque – do Giovane no Mundial? Da fase tenebrosa das meninas antes do ouro em Pequim? A sensação de nostalgia que o documentário me proporcionou foi maravilhosa.

Todo o desenrolar dos relatos seguiram com o título da película – conquistas, treinos e a saudade da família. Um equilíbrio primoroso para uma grande história que vem com muito esforço dos atletas. A preparação para as Olimpíadas de Londres foi acompanhada pela equipe do documentário. Foi curioso assistir aos depoimentos e já saber o final da história – ouro para as meninas e prata para os meninos.

Outro ponto bem explorado foram as polêmicas do grupo. A rixa entre Bernardinho e José Roberto Guimarães, treinadores da seleção masculina e feminina respectivamente, foi um assunto ótimo para ser relembrado. Confesso que desconhecia o boato de que Fernanda Venturini e Bernardo eram apontados como como culpados pela campanha da seleção feminina nas Olimpíadas de Atenas. Mas o que desejo destacar foi a guarda baixa entre os técnicos ao decidirem esquecer o episódio, com pedidos de desculpa, e a explicação: marido e mulher, ambos do vôlei, conversam é natural. Tenho certeza que o mesmo acontece com Jaque e Murilo – seus lindos! – e Sidão e Dani Lins.

Outra polêmica, bem batida por sinal, foi o corte de Ricardinho, em 2007, e de quebra a recepção de Bruninho na seleção por parte da torcida. Senti falta da abordagem em torno do corte da Mari na seleção feminina. Tudo bem que foi durante as filmagens, mas era outro assunto ótimo para ser abordado. Sem contar os relatos de brigas de egos entre as equipes, nada escandaloso, porém os atletas confirmaram que existiram e, infelizmente, sempre vai existir.

Mesmo que tenhamos entrado em uma maré de má sorte próximo as Olimpíadas do Rio, o vôlei já nos deu tantas alegrias que sempre dou um voto de confiança para a próxima competição. É um belo relato de tantas glórias, e decepções, do vôlei brasileiro. Sem contar que é uma ótima homenagem a todos que participam direta ou indiretamente do vôlei brasileiro. Todo esporte deveria ganhar um documentário desse nível, história e personagens não faltam.

Ah, por favor, aceito um documentário sobre a grande rivalidade do vôlei feminino: Brasil vs. Cuba, bons tempos…

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