Garimpando bem, até a Summer-Season apresenta ótimas opções.

Conhecido como a época do ano para maratonar as séries atrasadas, o verão americano entrega uma enxurrada de séries preteridas, comédias bobas e dramas de qualidade duvidosa. Ainda assim, a equipe do Série Maníacos selecionou cinco preciosidades para essa lista.

A exemplo do ocorrido com as séries que salvamos da mid-season (veja aqui), a Netflix reinou absoluta nas nossas preferências mostrando que está, realmente, um passo acima das suas concorrentes.

As regras para participar da seleção foram: ser estreante, ter iniciado entre os meses de unho e agosto de 2015 e já ter encerrado a temporada até a data desta publicação. Minisséries, como por exemplo Show Me A Hero da HBO, não foram consideradas, apenas séries como temporadas completas já exibidas.

Sem maiores delongas, vamos aos escolhidos:

5. UnReal (Lifetime) – Por Guto Cristino

Com ou sem script, a verdade é que não há programa de TV espontâneo ou “natural”. E, se nos últimos 15 anos, o gênero reality show tornou-se um verdadeiro fenômeno mundial, também ganhou terreno a desconfiança de que havia mais por trás desses “shows de realidade”, que parecem muito menos realidade e muito mais show. Mas e se uma ex-produtora de reality resolvesse criar uma série que escancarasse o nível de crueldade e manipulação por trás dos bastidores desse tipo de show? Pois foi exatamente isso que deu origem a UnREAL, uma grata surpresa que o LifeTime nos reservou para a última Summer Season.

Focada nos bastidores de uma produção estilo “The Bachelor” (show de origem da criadora de UnREAL), a série consegue simultaneamente criar personagens dubiamente cativantes, ao mesmo tempo em que mostra que não é preciso script nem fraude para manipular o comportamento daqueles que acham que estão participando de algo sério. E expõe de uma vez por todas a maneira como a equipe por trás dos Bachelors, Big Brothers, Survivors e até Idols da vida consegue momentos interessantíssimos para incluir em seus VTs e provocar e cativar o público que alimenta a fantasia de estar vendo “gente como a gente” na TV.

Tudo isso com um belo bônus: permitir que acompanhemos a disputa do reality dentro da série e torçamos para nossas concorrentes favoritas não serem eliminadas até o season finale. Para fãs de reality shows, UnREAL é obrigatório na watch list. Para os que preferem séries roteirizadas, vale dar uma chance. Afinal, REAL ou UnREAL, independentemente do gênero do show, o que queremos mesmo são bons personagens, boas histórias e trajetórias interessantes para acompanhar. E isso, meus caros, encontramos de sobra nessa delicinha. Apenas corram!

4.  Sense8 (Netflix) – Por Alexandre Bonfá

Sense8 é a prova viva que o modelo de disponibilização de conteúdo da Netflix – todos os episódios de uma só vez – é revolucionário e vitorioso, caso contrário, mais de 90% dos espectadores não passariam de seu confuso e esquisito piloto. E isso seria um desperdício tremendo de um material original, transgressor e vanguardista, que explora acima de tudo o relacionamento entre os personagens, mas não deixa nada a desejar nas cenas de ação.

A verdade é que os Wachowski fizeram um milagre para encaixar 8 histórias distintas em tão pouco tempo de tela (somente 12 episódios), além da principal que interliga todos os personagens. A mágica acontece mesmo no final do quarto episódio, quando, pela primeira vez que todos os sensates se conectam e cantam em uníssono What’s Up, do 4 Non Blondes. É nesse momento que, em meio à lágrimas de emoção, ninguém consegue negar o poder desta obra.

Daí pra frente, assim como os oito, o espectador vai fundindo sua consciência ao grupo e passa a se importar igualmente com cada um dos dramas vividos por eles. É impossível escolher um favorito, pois, de alguma forma, compreende-se que todos eles se tornaram UM SÓ e a Season Finale corrobora com este conceito, mostrando uma sequência de tirar o fôlego, na qual o resultado só foi positivo, graças à junção das habilidade de todos eles. E que final!!!

3. Humans (Channel 4/AMC)- Por Lucas Fernandes

Em uma realidade paralela, androides chamados “Synths” são normais. A nova força de trabalho, aqueles que cuidam de nossos filhos, arrumam nossas casas… Protegem. Servem. Para toda e qualquer necessidade. Mas e se algo tão arraigado assim na sociedade tivesse condições de se virar contra seu criador, ou melhor, se tornar um deles?

A série aborda uma trama que trata de livre arbítrio, tecnologia, família… Tudo bem amarrado com personagens marcantes (Niska, eu estou falando de você <3), atuações sólidas (os atores que interpretam os Synths dariam um texto a parte…), núcleos narrativos coesos, visual impecável e trilha sonora marcante. Impossível não se sentir no lugar dos Hawkins e começar a pesar os prós e contras de uma sociedade tão tecnológica, calcada na inteligência artificial, caminho esse que estamos começando a trilhar. Uma das grandes surpresas dessa Summer Season e um dos maiores sucessos em 20 anos em terras britânicas, “Humans” merece entrar na watchlist de todo e qualquer série maníaco. Uma série que entretém e faz pensar: afinal o que é ser humano?

2. Narcos (Netflix) – Por André Zuil

Narcos ganhou vida pelas mãos do José Padilha e Wagner Moura – um dirigindo e escrevendo, o outro atuando. Uma parceira que já rendeu os filmes Tropa de Elite e ajudaram a colocar no Brasil no mapa mundial de grandes obras do cinema. A premissa de Narcos é simples: contar a história do narcotráfico colombiano – responsável pela disseminação da cocaína em todo o mundo, principalmente pelos EUA – através de dois personagens principais: Pablo Escobar (Wagner Moura – Tropa de Elite) e Steve Murphy (Boyd Holbrook – Garota Exemplar). Sem esquecer dos personagens secundários, com atores de peso, como Pedro Pascal (Game of Thrones), Luis Guzmán (How to Make It in America), André Mattos (Tropa de Elite) e dezenas de atores colombianos. O próprio José Padilha dirigiu e escreveu os dois primeiros capítulos, que são a sustentação da série, pois é neles que o Pablo Escobar nos conquista como um antagonista, um homem carismático, um filantropo, um chefe de cartel implacável e articulador surpreendente, mas a “mão de Padilha” é visível por toda obra, em sequências de ação e algumas formas de diálogos que são conhecidos do público brasileiro.

Nessa obra embarcamos em uma incrível história de com o agente da DEA, Steve Murphy caçou o narcotraficante Pablo Escobar. Fatos reais e ficcionais, ambientação real, pois a série foi filmada na Colômbia em Medellín e com linguagem local, fatores se misturam na edição e fazem a série ter aspecto verossímil que encanta o telespectador de diversas maneiras. É impressionante como as pessoas desconhecem esse personagem icônico da história do narcotráfico mundial. Isso faz de Narcos não apenas uma série, uma peça de estudo sobre uma sociedade, seus costumes, sua formação social e ideológica. A série não faz nenhum julgamento moral sobre tráfico de drogas, corrupção polícia e policial, ela apenas mostra como funcionava as coisas naquela época, onde a corrupção estava tão disseminada, que praticamente qualquer cidadão colombiano era membro ativo da rede de informações do Pablo Escobar.

Em Narcos parece que o Padilha pega o telespectador e fala: “Vem cá nego, vou te explicar certinho quem é esse Pablo Escobar e você vai achar ele um filho da puta, mas você vai adorar ele também”. Uma viagem pra frente e para trás na história com personagens reais, de Nixon, Reagan até o presente momento da série. No Brasil nós estamos acostumados com obras onde mostram o oprimido e aqui nós vemos o opressor em atuação. O cara que vai pra floresta fazer laboratório de cocaína; que construiu mais de oitocentas mansões para se esconder; que vai pra favela confrontar a Polícia, que aliás, tem praticamente todos os policiais e políticos da Colômbia em sua folha de pagamento, que assassina e ordena morte, sem dó nem piedade. Com atuação comparável ao Al Pacino e seu Michael Corleone ou mesmo o James Gandolfini e seu Tony Soprano, Wagner Moura imprime em tela um Pablo Escobar digno de palmas lentas de pé, Emmy e Globo de Ouro.

1. Mr. Robot (USA) – Por Alexandre Bonfá

Não só uma das melhores desta Summer, mas, com certeza, uma das melhores séries de todos os tempos, Mr. Robot conseguiu organicamente reverter o quadro de “ilustre desconhecida” para a grande sensação do ano, chegando à impressionante classificação mais alta no Rotten Tomatoes, feito, até então, inédito.

Homenageando sucessos cults como Clube da Luta, Psicopata Americano e Dexter e os utilizando como coluna vertebral da sua obra Sam Esmail desenvolveu uma temporada primorosa, com fotografia e trilha sonora impecáveis, e jamais lançou mão de saídas fáceis ou soluções óbvias. Assistir a série e tentar prognosticar o seu futuro é uma tremenda perda de tempo. O roteiro funciona como um (bom) jogo de xadrez, no qual cada peça movimentada, vai refletir vários lances a frente.

O elenco, encabeçado por Rami Malek, foi escolhido a dedo. Aquele sidekick mais insignificante se torna uma atração a parte de um episódio para o outro. Mas todos os louros devem ir para Rami e o seu hacker-sociofóbico-cyberterrorista Elliot. Sem ele, a série perderia boa parte da sua genialidade e seríamos privados de muitas cenas inesquecíveis.

Sem mais espaço para elogios, eu lhes pergunto: se não viram ainda, estão esperando o que?

Menção Honrosa: Club de Cuervos (Netflix) – Por Ivana Vitoria 

Que tal criar uma série sobre o mundo tenebroso do futebol? E para melhorar ser gravada em um país extremamente machista como o México? Club de Cuervos foi uma agradável surpresa nessa summer season. A Netflix só vem acertando em suas produções originais e com CDC foi mais uma escolha acertada. A série é toda em espanhol e tem características de novela mexicana. Para quem gosta de futebol é um prato cheio para ver de perto o que acontece nos bastidores do esporte mais praticado do Brasil. Eu não gostaria de ver uma série como essa baseada somente no glamour, por isso CDC cumpriu o que prometeu na sua temporada de estreia. Assisti a tudo que sabemos do futebol: drogas, prostitutas, casamento abalado por traição, dinheiro público no futebol, transexual, negociação, grandes craques em clubes pequenos, presidente que não entende de futebol, mulher que entende de futebol, agentes se metendo na composição do time. Os personagens tem seus momentos de brilhantismo, nenhum é descartável. Chava Iglesias – Luis Gerardo Méndez, maravilhoso como o irmão mimado – e Isabel Iglesias – Mariana Treviño, estupenda como a irmã chata – são os protagonistas ao disputar a presidência dos Cuervos. Uma temporada recheada de intrigas familiares, outro ponto central da série, com uma pitada de drama e bastante ironia e sarcasmo com o futebol e sua história.

E para você? Quais foram as séries do verão americano que mai te agradaram? Compartilhe conosco nos comentários.

Artigo anteriorClub de Cuervos 1×13: Iglesias vs. Iglesias [Season Finale]
Próximo artigoCalendário Fall-Season 2015
Alexandre Bonfá
Apaixonado por HQ´s há mais de 30 anos, eu me sinto realizado com essa avalanche de séries de Quadrinhos da atualidade. Tá achando pouco? Ano que vem vai ter o dobro!