Uma prova mal elaborada.

A temporada de Proof acabou e está na hora de analisar o que a série apresentou em seus dez episódios.

Primeiramente, para quem não a conhece, Proof é uma série que conta a história da Doutora Carolyn Tyler (Jennifer Beals), uma brilhante cirurgiã que sofre com a perda do filho (morto em um acidente um ano antes) e com o fim do casamento com o Dr. Len Barliss (Sean Gleeson), além de lidar com o afastamento da sua filha, Sophie Barliss (Annie Thurman). Ela é convencida, por Ivan Turing (um bilionário diagnosticado com câncer terminal), interpretado por Matthew Modine, a investigar casos de reencarnação, experiências extracorpóreas e assombrações em busca de provas para uma das maiores questões da vida: Existe algo após a morte?

Assim, e com ajuda do seu assistente, Dr. Zedan Badawi (Edi Gathegi), médico de origem queniana, e a assistente do bilionário, Janel Ramsey (Caroline Rose Kaplan), ela passa a temporada tentando encontrar provas irrefutáveis da existência de “vida” após a morte (Além de todos lidarem com os problemas de suas próprias vidas).

E ao decorrer dos 8 primeiros episódios, a série trabalha de forma inteligente o tema (para alguns, em cima do muro ou superficial). Mostrando o lado religioso e o lado científico dos casos que o grupo teve contato.

Foi interessante ver o choque de perspectivas. Em especial o da doutora e o do personagem Peter Van Owen (Callum Blue), um médium famoso e escritor que livros de sucesso. Esse embate (da razão com a fé) manteve a série sóbria ao analisar os casos de cada episódio.

Por isso ela acertou tanto na forma de condução dos casos, quanto das vidas dos personagens, dando profundidade a história e conduzindo os plots de forma sábia. A série, de forma inteligente, também incluiu casos que acabaram sendo desmentidos posteriormente. O que trazia mais naturalidade e realismo a trama.

É claro que uma série dessa temática penderia para o lado religioso, contudo Proof soube trabalhar bem, não deixando, na maioria das vezes, que o lado religioso prevalecesse explicitamente. Apesar de que implicitamente o sim (para a pergunta lá de cima) sempre estava lá.

Quanto as atuações, só elogios. Mesmo os personagens apresentando um padrão de comportamento e opiniões, os atores souberam transparecer as dúvidas, alegações e conflitos internos. Nada de forma excepcional, mas bom o suficiente para ser um ponto positivo da série.

Porém, alguns desses elogios vão por água abaixo a partir do que deveria ser o clímax da série, o season finale. A partir do nono episódio, a série não só conseguiu estragar a trama principal, como conseguiu desconstruir tudo que tinha feito em relação as histórias de cada personagem.

O primeiro problema foi em relação a Patricia Alcott (Gabrielle Rose), a mulher misteriosa do lenço verde. Aliás ela nunca deveria ter sido incluída na trama. Para uma série que quis responder implicitamente a questão principal (quanto a existência de algo após a morte), mesmo sempre querendo dizer sim, Proof mergulhou de cabeça e simplesmente criou uma trama do nada, em dois episódios. Algo que era para ser a conclusão, acabou se transformando em uma bagunça.

Além disso, em um primeiro momento a série tenta incluir o risco na descoberta. No qual a própria Patricia alertava que a Dr. Tyler e sua família estariam em risco. Para logo após, a Doutora experimentar alucinações e em seguida quase seguir a senhora Alcott para o outro mundo.

Em uma série com uma narrativa conduzida de forma lenta, os dois episódios finais soaram como um trabalho feito às pressas, que deveriam incluir tudo que não tinham colocado durante a temporada. Estragando aquela que deveria ser a “grande revelação” de Proof.

No entanto, esse não foi o único erro, a série também falhou em relação ao Dr. Zeddan, que teve sua trama desenvolvida em um caminho, para depois ignorá-lo e desconstruí-lo totalmente em 90 minutos. Em um momento Zed estava apaixonado pela Janel e lutava para não voltar para o Quênia. Em seguida ele amava sua pretendente Halima Oumandi  (Constance Ejuma) e decidia voltar para seu país. O que simplesmente deixou o personagem totalmente incoerente e superficial.

A série ainda conseguiu estragar dois personagens que até então cumpriam seus papéis: o ex marido da doutora e o administrador do hospital, Dr. Charles Richmond (Joe Morton). Eu consigo compreender a surpresa dos personagens, porém dizer que a Carolyn era um risco para a própria filha e que era incapaz de ajudar seus pacientes, não só soou como algo ilógico, mas também como uma fraca tentativa, do roteiro, de criar conflitos no season finale.

Infelizmente a série, nos momentos mais importantes, acelerou o passo de forma desordenada e se prendeu ao lugar-comum na hora de entregar os desfechos das suas tramas.

Proof tinha tudo para ser uma série com muito conteúdo e pouco tempo para desenvolvê-los. No entanto, acabou como uma série sem qualquer condução, perdida no próprio desenvolvimento da temporada. O inverso de um cavalo paraguaio, Proof acelerou na chegada e terminou tropeçando em seus próprios pés.

E a única prova que tive, é que não vale a pena assistir Proof.

PS: Não foi uma falha da série, no entanto eu gostaria de ter visto uma exploração do lado ruim do sobrenatural. Fantasmas, demônios e possessões seriam temas interessantes para alguns episódios. Porém, pelo próprio estilo da série e pela lógica (nenhum personagem iria atrás de algo tão perigoso) essa parte do mundo sobrenatural foi deixada de lado.

Artigo anteriorMasterChef Brasil 2×14: Episódio 14
Próximo artigoOscar Maníacos 1×12: O 40º Festival de Toronto, Parte 2