Primeira parte do season finale da primeira temporada. Sentimento de urgência. As câmeras estão sobre os últimos arranjos para a partida da jangada de Michael e na chegada de Rousseau, que alerta que os Outros estão vindo. Todo o episódio carrega um ar de conclusão. A despedida que todos sabemos que não será definitiva.

O episódio não se contenta com um único ponto de vista e transita entre eles. Temos flashbacks de Walt e Michael, Jack, Sawyer, Kate, Shannon e Boone e Sun e Jin. Todos (quase) igualmente significantes. Algumas observações que não me perdoaria caso não fizesse:

– É interessante, nunca penso em Walt como um indivíduo próprio, separado do pai. Portanto, ver um flashback mais atrelado à sua perspectiva foi invulgar.

– Ana-Lucia pareceu tão adorável que me fez torcer para que os passageiros da cauda do avião tenham, de fato, sobrevivido. Certamente teria sido uma personagem melhor do que Claire. Por falar nisto, alguém se lembra de Rose? A série também não.

– O flashback de Kate é bom para fechar de vez (ou não) o seu passado, mas o monólogo expositivo do marshall fica ridículo quando começa a descrevê-la emocionalmente.

– É uma pena que tenham revelado o nome de Sawyer. Não era preciso desmistificarem a sua identidade para humaniza-lo, já estão fazendo um ótimo trabalho sem isso. Espero que seja um nome falso.

– Quando Walt deixa Vincent aos cuidados de Shannon (ou o contrário), consegui não desprezar totalmente a personagem. Depois vem o seu flashback e desfaz tudo isso.

Prosseguindo.

A despedida entre Jack e Sawyer é muito boa. Fico feliz por ter visto os dois enfim se entenderem e Sawyer contar-lhe sobre o pai. Prevejo os dois sendo bons amigos que, precisamente por serem tão diferentes, trarão à série uma relação complexa e intrigante.

Ainda assim, a grande conexão de Sawyer é com Kate. Os dois se procurando, em alturas diferentes, para se despedir é de amolecer o coração. Mesmo não tendo visto um ao outro, nós sabemos o quanto eles queriam ter se despedido. Simplesmente não consigo lidar.

Mas a melhor relação romântica da ilha é, disparado, a de Jin e Sun.

Sun é absolutamente adorável. Uma das minhas mulheres prediletas da série, até porque as únicas que interessam são Kate e ela. A sua cena com Jin é ótima e nem a algema que até agora o marido tem no pulso (por algum motivo) conseguiu estragar. Na sua despedida, faltou apenas que Sun mostrasse uma flor, invertendo os papeis do casal – Jin mostrou-lhe uma quando ela estava prestes a deixa-lo e foi o que o fez mudar de ideia –. Talvez com essa flor Jin até mesmo tivesse mudado de ideia. Sinceramente, a despedida dos dois foi de tamanha perfeição que eu não me importaria se Jin morresse no mar, só para não invalidá-la ao voltar, como sabemos que eles voltarão.

Adorei a definição que Rousseau deu para o monstro de fumaça: sistema de segurança da ilha. Só espero que não metam uma metáfora ecológica barata no meio. Estou começando a suspeitar que o monstro é humanoide, pela sua inteligência. Faz sentido, se pararmos para pensar que a Rocha Negra é um navio. Rousseau não é a melhor para nomear as coisas pela sua aparência.

Episódio emocionante. Só nos resta esperar que o próximo faça essa catarse ter valido a pena.

Enquanto isso, no indecifrável epílogo da mente…

(?): Será que os outros usam os bebês para se procriar? Aliás, será que eles transformam os bebês em monstros de fumaça?

(.): A jangada na água no final do episódio não se parece minimamente com um desfecho. Seria bacana só vermos os navegantes no fim do próximo episódio e um deles ter morrido (com sorte, Jin). 

(!): Arzt é terrível!

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